Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Juan Melendez 6446

 

 

De vez em quando chega-nos a notícia de alguém que acabou de ser assassinado com uma injecção letal, por um pelotão de fuzilamento ou até mesmo por enforcamento. Dá-se à mesma o relevo necessário como que a dizer "fizeste mas pagaste". Nunca nessas notícias se questiona a pena de morte ou até mesmo um possível e "inadvertido" erro. É apenas o tempo, uma sorte do caraças, que às vezes se encarrega de o fazer. A mesma sorte que me fez tropeçar com esta "história" que teve um final diferente em Janeiro de 2002, mas cujo protagonista continua vivo e que ao fim destes 7 anos continua a contá-la na primeira pessoa.

É Juan Melendez, o preso 6446, que passou 17 anos, 11 meses e um dia no corredor da morte, que escapou a ser notícia igual a tantas outras... Ao fim desse tempo saiu livre de qualquer acusação, porque afinal não tinha sido ele o  oautor do crime pelo qual tinha sido acusado e condenado á pena de morte , e que ao contar a sua história poderá quebrar alguns espíritos mais endurecidos. É claro que isto sou eu a pensar, que não faltará quem por aí diga "estás a ver como o sistema funciona, não era culpado, não foi executado!..."

Aos repórteres, que o esperavam à porta de um tribunal, e à pergunta "que fará agora, para onde vai?" respondeu apenas "o que quero é ver a lua". A cela de cinco metros quadrados onde esperava a execução não tinha qualquer janela. Este antigo trabalhador sazonal analfabeto, que viajava pelos Estados Unidos na apanha da fruta, percorre agora o mundo "com uma missão". Juan Melendez, de 58 anos, sente-se privilegiado por estar vivo. Resumiu parte da sua experiência no corredor da morte num documentário de Luis Albert e afirma que esse documentário é a sua ferramenta para lutar contra a pena de morte.

Nem os pesadelos nos quais sonha que continua preso o fazem parar. Se dorme quatro horas já considera um milagre. Sofre de stress pós traumático, medo de multidões e às vezes chega a ficar paralisado no meio de uma passadeira.

À pergunta se não seria mais fácil encerrar a sua luta afirma que não pode, que há muitos homens no corredor da morte, que o ensinaram a escrever, a falar inglês, a perdoar sem guardar rancor, que não pode esquecer-se deles, como não se pode esquecer da sua mãe, que em Porto Rico amealhava dinheiro para repatriar o seu cadáver se o executassem...

É claro que foi ressarcido por esse erro e esses anos na prisão, recebeu 100 dólares de indemnização, sem direito a um pedido formal de desculpas pelo estado da Florida.

Às vezes é bom tropeçar nestas histórias…

publicado por salvoconduto às 02:34
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7 comentários:
De Bluevelvet a 18 de Novembro de 2009 às 03:09
É por causa destas e outras parecidas que sou contra a pena de morte, quando o "criminoso" não é apanhado em flagrante delito. Felizmente que ele escapou, só estranho é o valor da indemnização. Nos Estados Unidos?
Mas também há boas notícias:
Em 1989 foi iniciado nos EUA um projecto - Innocence Project- em NY, que tem por objectivo rever penas aplicadas pelos Tribunais, a supostos culpados tendo como ferramenta principal a utilização de DNA. Desde então, já foram ilibadas 200 pessoas, das quais 14 se encontravam no corredor da morte.
Abreijinhos
De fernando samuel a 18 de Novembro de 2009 às 11:35
«Para aqui estou eu
há não sei quantos anos já
sem ver a lua.
Ó senhor guarda, abra-me esta porta
e ponha-me na rua»


Um abraço.
De Lúcia a 18 de Novembro de 2009 às 16:49
Nunca se é ressarcido por um eero que nos rouba a vida, mantendo-a! É das piores atrocidades que há!

beijos
De RFM a 18 de Novembro de 2009 às 17:08
Sempre fui e sou contra a pena de morte. Nós não somos ninguém para julgar os outros. A sociedade civil tem muitas culpas no geral e deve de criar condições para saber guardar os previcadores e bem assim evitar males maiores.
De Pedro Oliveira a 18 de Novembro de 2009 às 17:45
Totalmente contra a pena de morte.Estas histórias só vêm reforçar esta convicção.
De São Banza a 18 de Novembro de 2009 às 18:09
Como é possível que um estado dito desenvolvido e que se auto-propõe como modelo ao resto do planeta, não recue nessa barbaridade que é o assassinato legalizado?!

Um abraço.
De http://tsofsilence.blogspot.com/ a 18 de Novembro de 2009 às 18:35
Ele diz que teve sorte e com razão. Há dezenas de já executados que eram, afinal, inocentes. Pena de morte? Nem para quem fez a legislação e a executa, que são os que mais a mereceriam.
Abraço

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