Domingo, 31 de Agosto de 2008

O ranking da pena de morte

De acordo com o relatório anual publicado pela Amnistia Internacional, pelo menos 1.252 pessoas foram executadas pelos seus governos em 2007. O Paquistão é o país com o maior número de pessoas no corredor da morte: são 7.436 prisioneiros esperando pela execução. Nos EUA, o segundo colocado, este número é de 3.263.

E hoje por ser Domingo ficamos por aqui, o quadro acima já é bastante elucidativo...

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Sábado, 30 de Agosto de 2008

Abel e Caim sob censura

Suponho que este assunto já terá sido abordado na blogosfera, mas por certo sem a "arma do crime" , vamos então aos factos:

O Ajuntamento da localidade italiana de Ortisei, no norte da Itália, decidiu retirar, antes do previsto, duas estátuas que representam Abel e Caim, nús, para não "perturbar" uma procissão que passará na mesma rua em que se encontram.

Segundo o "Corriere della Sera", as esculturas do artista Lois Anvidalfarei, de contornos esbatidos e genitais definidos, de um tamanho considerável, incomodaram alguns moradores, pelo que o pároco local pediu que fossem retiradas quanto antes.

O pároco conseguiu que o Ajuntamento e a instituição responsável pela exposição se comprometessem a retirá-las antes do encerramento, fixado inicialmente para o próximo 12 de Outubro, para que não coincidam com a procissão e não perturbem os fiéis.

"Não questiono a arte, mas se os meus fieis falam de desordem na via pública sou obrigado a intervir", declarou o pároco Vitalias Delago.

Para o artista Aron Demetz, que expõe também na exposição da qual fazem parte as duas estátuas, trata-se de um "regresso aos tempos obscuros em que o 'cú' metia medo".

É segundo caso de obras censuradas nesta região nos últimos meses porque ofendem a sensibilidade religiosa, já que uma escultura que representava um sapo crucificado do Museu de Arte Moderno de Bolzano foi mudada de piso, há algumas semanas, por exigência do bispo que agore exige a retirada do museu.

Similar é caso já referido aqui de uma reprodução do Quadro "A Verdade Desvelada pelo Tempo", pendurada na sede do Governo italiano em Roma, que foi retocada para cobrir, com um véu, o seio nú de uma das personagens.

A somar a isto a atitude do museu Cà Rezzonico, em Veneza, norte da Itália, que proibiu a entrada de uma turista muçulmana que vestia o niqab, o véu que deixa descoberto apenas os olhos, alegando motivos de segurança.

Acompanhada do marido e da filha, a mulher havia pago a entrada na bilheteria sem nenhuma objeção por parte dos funcionários locais, no entanto, quando subiu ao andar superior para visitar as salas foi convidada a retirar o véu ou a permanecer fora do museu.

Ou seja, Itália soma, segue, vá lá que desta vez não resolveram adulterar a obra castrando Abel e Caim e nem me alongo demasiado não vão eles lembrar-se...

Será que também vão proibir as freiras de entrar no museu? Bem vistas as coisas só têm mais à mostra o nariz e a boca...

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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Os santos não podem ser homossexuais

A separação dos restos mortais do cardeal britânico John Henry Newman (1801-1891) dos de outro sacerdote e amigo íntimo, o padre Ambrose St John, junto ao qual quiz ficar para sempre, está a suscitar uma forte polémica no Reino Unido. O movimento gay, que considera que Newman e St John eram homosexuais, acusa o Vaticano de tentar ocultar as verdadeiras tendências sexuais do cardeal ao ordenar a exumação do cadáver e a sua trasladação para outro sarcófago. A Igreja de Roma defende-se dizendo que tudo faz parte do processo de beatificação de Newman.

Newman, que fundou a diocese de Birmingham em 1848, está enterrado num pequeno cemitério da localidade de Rednal, no condado de Worcestershire, junto de Ambrose St John. Pouco antes de morrer, o cardeal escreveu as seguintes palavras:  "Desejo de todo o coração ser enterrado na tumba do padre Ambrose St John. É a minha última e imperativa vontade". Na tumba, na qual jazem os dois, figura uma inscrição em latim cuja tradução é:"Desde as sombras e as aparências até à verdade".

Segundo o padre Paul Chavasse, presbítero da diocese de Birmingham, a trasladação dos restos mortais foi solicitada pelo Vaticano. A exumação será, segundo explicou, um acontecimento privado, já a trasladação para um novo sarcófago será uma cerimónia pública. Crê-se que o Papa Benedicto XVI decretará no final deste ano a beatificação do cardeal e que a cerimónia correspondente se celebrará em Roma na próxima primavera. O Ministério britânico da Justiça autorizou a exumação dos restos mortais, que serão trasladados para um sarcófago situado em frente ao altar de Todos os Santos na diocese de Birmingham.

Estes planos do vaticano indignaram o conhecido activista dos direitos dos homossexuais Peter Tatchell, que, em declarações ao diário "The Independent", acusou o Vaticano de "roubo de cadáver e de profanação". Segundo Tatchell, tal decisão "viola o reiterado desejo de Newman de ser enterrado para a eternidade junto ao seu companheiro de toda a vida Ambrose St John". "Estão juntos há mais de cem anos e o Vaticano quer perturbar essa paz para encobrir o facto de que o cardeal Newman amava um homem. É uma traição vergonhosa e indecorosa a Newman por parte de uma Igreja Católica que odeia os homossexuais", acrescentou.

Segundo uma sondagem da publicação católica "The Church Times", uma maioria dos fiéis da Igreja Anglicana, a que Newman pertenceu antes da sua conversão ao catolicismo en 1845, opõe-se à separação dos restos mortais de ambos.

Antes de converter-se ao catolicismo e ser ordenado sacerdote em 1 de Junho de 1847 em Roma, Newman militou no chamado Movimento de Oxford, cujos membros queriam que a Igreja de Inglaterra se submetesse à autoridade do Papa. Em 1889, aos 88 anos, foi nomeado cardeal por Leão XIII.

Não surpreende esta atitude da igreja católica, como também não surpreende que continuem a conviver tão facilmente com as práticas pedófilas de muitos dos seus membros e que raio, porque é tão difícil cumprir a última vontade de um cristão?

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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Dor de peito?

Um tribunal da província argentina de Tucumán está a julgar Antonio Bussi responsável pelo desaparecimento do senador Guillermo Vargas Aignasse, detido em 24 de Março de 1976. O ex-general, de 82 anos, abandonou o tribunal alegando que sentia "dores" no peito, quando ouvia a leitura das acusações que pesam contra si, por violações dos direitos humanos durante a última ditadura (1973-86).

Debaixo de apupos de organizações humanitárias que denunciavam a farsa do ex-militar para se esquivar ao julgamento, Bussi foi levado de maca e transportado de ambulância para uma clínica privada.

Depois de ter sido submetido a diversos exames, o juíz do Supremo Tribunal de Justiça, determinou que o ex-governador, de facto, está em condições de sentar o cú no banco dos réus.

Segundo o secretário do Tribunal, este dispõe da "presença de pessoal do Sistema Provincial de Saúde, ambulâncias e equipas médicas se fôr necessário atender qualquer pessoa, incluido Bussi".

O ex-general deverá responder pelos "delitos de violação de domicílio e violação ilegítima da liberdade agravada, aplicação de torturas reiteradas, homicídio qualificado e associação ilícita".

De acordo com a investigação, um grupo de encapuçados (identificados como membros da força de segurança) entrou na casa do senador em 24 de Março de 1976 e levou-o. Poucos dias depois, a sua esposa, Marta Cárdenas, viu-o pela última vez na prisão de Villa Urquiza.

Bussi está implicado em cerca de 600 causas, em 1976 e 1977, esteve à frente da Quinta Brigada de Infantaria, que dependia do III Corpo do Exército.

Organismos humanitários indicam que foram 30 mil os executados pelo chamado Proceso de Reorganização Nacional durante o regime castrense.

Este torcionário segue a estratégia de Augusto Pinochet para não ser julgado. As sua vítimas, essas de nada lhes valia gritar que tinham dores no peito, porque ainda ficavam com mais dores ou, pura e simplesmente "ficavam sem as dores para sempre"...

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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Concurso de beleza para freiras

O sacerdote italiano Antonio Rungi lançou o "Sister Italia 2008" (Irmã Itália), um concurso na internet que elegerá a freira mais bela do país.

O religioso conhecido por suas "modernas" iniciativas, entre as quais se destaca a de rezar um rosário numa praia junto aos turistas, em duas pequenas cabines transformadas em sacristia, apresenta a sua nova proposta paralelamente ao concurso de beleza do país, "Miss Itália".

As interessadas em se candidatar ao concurso de beleza devem se inscrever enviando uma foto para o e-mail do sacerdote. Este publicará depois, num site, "as fotos das freiras, com o objetivo de iniciar o concurso on-line".

As candidatas - noviças ou freiras com idades entre 18 e 40 anos - deverão enviar fotos "belas e expressivas" que possam "significar e dizer algo, tanto no plano estético quanto no espiritual", explicou o sacerdote.

No final, serão os internautas que irão eleger a vencedora do "Sister Itália", um concurso que poderá acabar com a lenda de que "apenas garotas menos atractivas se tornam freiras", explicou Rungi.

"Vivemos num tempo que a visibilidade é importante para tornar público o carisma de uma fundação religiosa", afirmou.

No imaginário colectivo, continuou, "existe a ideia de uma freira triste, desiludida, não realizada no casamento ou com problemas sentimentais, às vezes também decepcionada social e profissionalmente". 

O teólogo afirmou também que "é necessário superar uma concepção dualística da vida humana, pensando que é importante apenas a alma, depreciando e humilhando o corpo, e temos que entrar nessa nova concepção teológica e ética segundo a qual o corpo e a alma formam uma unidade biofísica inseparável de uma pessoa".

"Por isso, ambos têm o direito de se cuidar devidamente dentro do conceito do bem-estar, da saúde", acrescentou.

Segundo Rungi, as freiras "podem contribuir muito no plano humano, formativo e espiritual de jovens que hoje se cuidam espiritualmente e corporalmente".

"Uma freira santa, inteligente, mas também bela, pode fazer muito no plano de evangelização", explicou.

A vida poderá ficar mais difícil para as menos belas. Qualquer dia para se ir para freira terá que se ter no mínimo 1,80m, ser bela, loira e... religiosa, penso eu.

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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Ainda, a lei da palmatória

A "letra com sangue" continua vigente nalguns pontos dos Estados-Unidos, um dos poucos países desenvolvidos em que o castigo físico nas escolas continua a ser legal. Segundo um estudo publicado a semana passada pelas organizações Human Rights Watch e American Civil Liberties Union, a lei da palmatória está na ordem do dia em zonas conflituosas ou isoladas: nos guetos das cidades, nas áreas de pobreza e violência, e nas zonas rurais longe das grandes urbes.

No condado de Twiggs, no estado de Georgia, acaba de se reinstaurar uma velha prática disciplinar, típica nas zonas rurais: o açoite com palmatórias de madeira. "A normativa estava vigente, mas não a temos usado nos últimos anos", explica Ethel Stanley, membro do conselho escolar deste condado à agência Associated Press. "Ás vezes, as crianças mais pequenas obedecem melhor se se lhes dá um açoite. Quando se lhes dá a mão, tomam o braço", acrescenta, justificando o uso da mão pesada. Dos 1.100 alunos desta jurisdição, 300 enfrentaram diversos casos disciplinares no ano passado.

Com os açoites com a palmatória teve que se confrontar Faye L., uma mãe do Texas. O seu filho, de 15 anos, recebeu uma série de açoites por insultar o seu professor de ginásica. Quando Tim chegou a casa, "tinha sangue nas calças. Tive que lhe retirar a pele porque o sangue tinha secado e colado às calças", diz a mãe. Quando Faye tentou que a direcção do colégio ou a polícia admoestassem o professor, deparou-se invariavelmente com a mesma resposta: "Os açoites na escola são legais no Texas".

O argumento está correcto. A agressão física por parte dos professores é legal em 21 Estados, e uma prática normal em 13 deles. No Texas e no Mississipi aplicam-se 40% dos castigos que regista em toda a nação. O primeiro é um estado de grandes dimensões, com numerosas escolas isoladas em zonas rurais, onde o controlo por parte das autoridades é difícil. O segundo é um dos mais pobres dos Estados-Unidos, com importantes bolsas de pobreza.

O estudo demonstra que, em cada ano, 200.000 crianças dos Estados-Unidos recebem algum tipo de castigo físico. Incluiem-se todo o tipo de modalidades, desde um ligeiro empurrão aos castigos mais severos. Nos casos extremos, toma a forma de açoite. Segundo diz o relatório, "um professor ou director pega na criança e bate-lhe nas nádegas com uma palmatória de madeira que tipicamente mede uns 55 centímetros, normalmente entre três a 10 vezes".

O estudo denuncia que no Mississipi os afro-americanos sofrem maiores castigos que as crianças de outras raças. Mais do que com a raça dos alunos, o castigo físico relaciona-se com o meio em que se aplica. "A pobreza e a falta de recursos ajudam a criar uma série de condições que desemboca no castigo físico. Os professores deparam-se com classes a transbordar e carecem de recursos, como conselheiros que os ajudem com os estudantes problemáticos", diz o estudo. E eu digo que não guardo grandes recordações do tempo em que levei com a palmatória.

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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

O depósito de viúvas

13.000 indianas repudiadas por não terem marido mendigam em Vrindaban para viver. Milhares de fantasmas erram por Vrindaban. Mulheres vestidas na sua maioria de branco, sem sapatos e de cabeça rapada. Velhas encorvadas com os olhos cobertos por cataratas, mas também jovens, nalguns casos com filhos. O seu marido morreu, e com ele perderam o seu lugar na sociedade. Refugiam-se e deambulam nesta cidade, no norte da India, uma das mais sagradas porque aqui cresceu o poderoso Deus Krishna.

Chegam traídas pela família, que não quer ficar com elas. "Quando o meu marido morreu, fiquei sem nada, sem dinheiro e sem poder trabalhar. Não tenho filhos. Nada me podia ajudar. Por isso vim para Vrindaban. Aqui, Krishna protege e dá comida", diz Bashuna Das. Como ela, muitas chegam arrastadas pela miséria ou porque foram postas fora de casa pelos maridos. Umas 13.000 viúvas mal vivem da caridade neste povo e seus arredores, segundo um estudo do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM).

Bashuna considera-se afortunada. Está numa casa da ONG "Guild of Service". Outras vivem nas húmidas e caóticas ruas de Vrindaban, ou partilham habitações que o Governo ou fundações lhes alugam. Os "ashram" (metade asilo, metade convento) acolhem algumas de graça.

As viúvas são de mau agouro na India. Às vezes diz-se que são a causa da morte do marido. Segundo o Código de Manu, uma das escrituras sagradas mais antigas, uma mulher não será nunca independente. "Uma viúva deve sofrer muito antes de morrer, deve ser pura no corpo, pensamento e alma", diz o texto. O Skanda Purana vai mais longe: "Um homem sábio deve evitar as viúvas, como se fossem o veneno de uma serpente". Em Vrindaban compartilham a sua solidão e afastam-se um pouco deste desprezo. O Hare krishna rezado por centenas de gargantas comove até aos ossos Cantam durante quatro horas a troco de três rupias (cinco cêntimos). E, se têm sorte, levarão um punhado de arroz.

Algumas vêm pela religião, mas outras não têm escolha. As mais pobres carecem de educação, e as famílias vêm aqui livrar-se delas. O Governo dá-lhes uma pensão de 1.800 rupias por ano (30 euros), mas, para além de ser muito pouco, não chega a todas. Só 25% a recebe. A burocracia é muito complicada para elas, na sua maioria analfabetas. Outras não sabem que existe. Só lhes resta mendigar.

O número de jovens surprende. Deve-se ao costume de casar crianças com homens adultos. Por exemplo, Pratima Sharma foi obrigada a fazê-lo aos 17 anos com um homem rico, trinta anos mais velho. Ficou viúva aos 24 anos e com um filho de 6. Um segundo matrimónio é quase impossível.

Na India há 33 milhões de viúvas, segundo dados oficiais. Ainda que nem todas estejam em condições tão terríveis como as de Vrindaban, todas sofrem pelo menos o estigma social. A maioria não pode trabalhar e são maltratadas pela sua família.

Entretanto, a sociedade de alguma forma se escuda argumentando que estão em Vrindaban porque querem dedicar os seus últimos dias a falar com Deus. "A minha vida está vazia: não tenho nem para comer, mas estou cheia, porque tenho Krishna", diz Sarosati Banarjee com um sorriso de resignação. Ao terminar os cantos em ashram, desaparece entre as retorcidas ruelas da cidade das viúvas.

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Domingo, 24 de Agosto de 2008

As virtudes do outsourcing

Um dispositivo informático com dados pessoais de milhares de delinquentes extraviou-se no Reino Unido, num novo caso de extravio de documentos confidenciais.

A "PA Consulting", uma empresa sub-contratada pelo Ministério do Interior, perdeu informação sobre 10.000 delinquentes reinci- dentes, assim como dos 84.000 presos das cadeias de Inglaterra e País de Gales.

O dispositivo informático guardava também dados da Scotland Yard acerca de 30.000 pessoas condenadas por diversos delitos durante o último ano.

O mais escandaloso é que não é a primeira vez que o governo inglês demonstra ser completamente incapaz de proteger a integridade de informação altamente sensível.

Sem ir mais longe, o Ministério da Defesa daquele país admitiu no mês passado o roubo ou o "extravio" de 747 (sim, leram bem, setecentos e quarenta e sete) computadores portáteis que guardavam informação desse departamento durante os últimos quatro anos.

Além disso, o governo britânico perdeu em Junho passado documentos confidenciais, alguns deles com dados sobre a rede terrorista Al Qaeda e sobre o Iraque.

Também nos finais de 2007, um disco informático, que continha nomes e números de contas bancárias de milhões de pessoas que recebem subsídios naquele país, perdeu-se quando era enviado por correio de um departamento para outro.

Viva o outsourcing, até estou a pensar sub-contratar uma empresa para me tomar conta do blogue...

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Sábado, 23 de Agosto de 2008

A enfermeira e o activista

Eu sei que o post será longo mas acho que vale a pena conhecer a história de dois heróis africanos. Nonkosi Ndalasi, que hoje tem 66 anos, começou a sua carreira como enfermeira em 1963, o período mais cruel e desesperado da era do apartheid para os sul-africanos negros como ela, com Nelson Mandela na prisão e o resto dos dirigentes ANC a ponto de serem detidos. O sistema negava-lhe o voto, a educação decente, a liberdade de circulação, o acesso aos parques, às praias, aos autocarros e aos locais públicos reservados aos brancos. Recorda o terror de ver os blindados da polícia entrar no seu bairro, perto da cidade de Port Elizabeth, na África do Sul, e quando os soldados irrompiam na sua casa e levavam as facas de cozinha por suspeita de que poderiam ser utilizados como armas "terroristas".

Chegou a libertação quando Mandela foi eleito presidente em 1994, mas a alegria desse momento durou pouco, porque quase imediatamente começou a estender-se a epidemia da sida, que converteu a África do Sul no país com o maior número de pessoas vivas com HIV, cinco milhões ou mais na actualidade, uma geração perdida, como no tempo da guerra. Enfermeira pediátrica até à sua reforma, em 2001, nestes seus últimos anos de trabalho viveu obcecada e de serviço noite após noite.

Pelo menos uma vez por semana vêm vê-la crianças que sofreram abusos sexuais. Em muitos casos contraíram o HIV, numa época em que não existia nenhum tratamento na África do Sul e o vírus equivalia a uma sentença de morte. 

"Nalguns casos tinha que ver com a superstição que difundiam os curandeiros tradicionais de que a cura para a sida consistia em manter relações sexuais com um menor", conta, recordando a época mais deprimente da sua vida.

Mas não se deu por vencida, e agora, quando leva cinco anos de reformada, dedica-se plenamente à causa da próxima geração, cuja esperança se encarna num menino pequeno e fraco com quem não tem nenhum laço de sangue mas que o adora como se fosse o seu neto favorito.

"A primeira vez que vi Warrington, pensei: Este menino é muito, muito especial", conta, enquanto o abraça, tem 11 anos, pequeno, delgado, com o nariz cheio de moncos, esquisitamente doce e com um enganador ar de inocência. "É seropositivo desde que nasceu, e a sua mãe morreu quando tinha seis anos. Mas está cheio de amor - horroriza-o que insultem ou magoem outras crianças - e é muito valente. Chamo-lhe 'o activista', porque não só fala sem complexos da sua enfermidade, embora haja gente cruel que às vezes se ri dele, como insiste em ir por todas partes difundir a mensagem da prevenção e tratamento contra a sida".

Warrington que vive com uns pais de acolhimento terrivelmente pobres mas terrivelmente bondosos, fala habitualmente em programas de rádio sobre o HIV, fala nas escolas e nas igrejas.

As crenças populares de que ser seropositivo é estar embruxado e, portanto, socialmente estigmatizado, fizeram com que a tarefa de implantar os anti-retrovirais tenha sido muito má difícil do que poderia ter sido. E é aqui que intervêm Nonkosi e Warrington.

"A mensagem que transmito é que, antes de tudo, as pessoas devem superar o medo e deixarem fazer a prova do HIV", explica Nonkosi. "Em segundo lugar, devem ser sinceros sobre a sua condição se são sero-positivos, para poder obter tratamento e para que os seus familiares e amigos os apoiem. Terceiro, têm que seguir um regime de tratamento, que é muito rigoroso e deve ser observado durante o resto da sua vida. Esta última parte é o que consiste principalmente o meu trabalho: seguir a pista dos que não cumprem, viajar para todas as partes para encontrar crianças que, pelo que me informam os hospitais, no estão a seguir as regras dos anti-retrovirais".

Warrington o activista explica a mensagem de Nonkosi nas suas aventuras como pregador. "Explico às pessoas que os anti-retrovirais ajudam e que é um erro crer que nos fazem adoecer. Não me canso. Sempre me divirto. Mas advirto todos que, quando começam, têm que continuar ou, se não, voltarão a adoecer e porão as suas vidas em perigo. Se seguirem o tratamento curar-se-ão, como eu me curei. Na clínica vejo outras crianças que tomam os anti-retrovirais, e estão gordos e têm umas caras preciosas".

A boa notícia é que a tendência entre os jovens é prometedora. "Fui à pouco tempo a Queenstown fazer 36 provas e só deram positivas duas, ambas de gente adulta", conta.

A intenção de eliminar o estigma levou Nonkosi a escrever uma obra de teatro dirigida a crianças em idade escolar, cuja mensagem central, que todo o elenco grita no final da obra, é "vamos acabar com a sida em África! Vamos lutar contra o estigma! A sida não discrimina, as pessoas é que discriminam!". O seu grande aliado na causa, o seu paladino, é o seu pequeno amigo activista, Warrington. "Sou velha e às vezes canso-me, mas vejo o seu sorriso e ele me anima a continuar", disse, "olho-o e quero crer que o futuro é luminoso".

E cheio de meninos gordos, caras preciosas e com gente valente como estes dois. 

Fonte: El País

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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Mais um ditador que se aposentou

Depois de nove anos no poder, ao qual chegou através de um golpe militar, Pervez Musharraf renunciou como presidente do Paquistão, o que motivou celebrações nas ruas. Ante a mais que certa moção de censura e consequente demissão, Musharraf optou por demitir-se.

Era acusado de corrupção política, assassinato, desfalque e abuso de poder. Musharraf aceitou renunciar a troco de receber imunidade, segundo um acordo selado com os seus opositores, que assim já não o julgarão.

Diz-se que passará uns dias na residência militar de Rawalpandi e depois viajará para o estrangeiro, muito provavelmente a Arábia Saudita.

Ainda temos na memória recente os acontecimentos em torno de Benazir Bhutto.

Depois de obrigar Benazir Bhutto a permanecer em Londres quis evitar o seu regresso ao Paquistão, ordenou a prisão de centenas de simpatizantes de Bhutto, impôs-lhe a prisão domiciliária, declarou o estado de emergência e por fim mandou-a matar tentando atirar as culpas para a Al-Qaeda. Não foi por caso que o assassino foi imediatamente abatido a tiro por ordem de um policial envolvido no complot.

Não muito longe do local do assassinato, existe uma estrutura da era colonial que servia de prisão aos militantes nacionalistas. É a prisão de Rawalpindi, o local em que Zulfikar Ali Bhutto, pai de Benazir, foi executado em 1979.

A demissão de Musharraf não significa no entanto uma aleração do "status quo" no Paquistão. Os Estados-Unidos mantêm férreo controlo e ou sai dali um presidente "à la carte" ou ainda vamos assistir a graves incidentes naquele país, que ressalte-se possui a bomba atómica, porque é um dos "bons", na lista dos Estados-Unidos.

Este ditador deixa um país à beira da guerra civil, já tem garantida imunidade face aos crimes cometidos e uma reforma dourada na Arábia saudita.

Quem é o senhor que se segue?

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