Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

O aniversário do irmão do Papa...

 

Georg Ratzinger, o irmão mais velho de Benedicto XVI, quer celebrar os seus 85 anos com um concerto de Mozart na  Capela Sistina do Vaticano. A festa, prevista para o próximo 12 de Janeiro, custará, segundo a imprensa alemã, 100.000 euros, que seriam suportados com o dinheiro que os católicos da Alemanha, via impostos, entregam voluntariamente à Igreja.

A diocese de Ratisbona pagará os 100.000 euros que custará a deslocação de 127 músicos a Roma, 90 da Alemanha e 37 da Áustria.

Na Alemanha, os cidadãos protestantes e católicos destinam parte dos seus impostos à igreja. Cerca de 70% dos rendimentos das igrejas provêm desses impostos, que as dioceses podem utilizar para assuntos religiosos.

A festa de aniversário do sacerdote Georg Ratzinger é desnecessária e é mais uma das muitas manchas na reputação da Igreja Católica num período de crise económica. "É um exemplo perfeito do uso abusivo dos impostos eclesiásticos", manifestou Sigrid Grabmeier, porta-voz do ramo alemão de "We are Church" (Somos a Igreja), um grupo católico com mais de 1.000.000 de membros em 20 países.

Podemos comparar isto com a crise financeira. Em ambos os casos trata-se da falta de transparência das autoridades na utilização do dinheiro dos contribuintes.

Ante a polémica gerada, o porta-voz da diocese de Ratisbona, Jakob Schoetz veio a público informar: "Estamos a entregar o dinheiro, mas vemo-lo mais como um empréstimo".

Às tantas é capaz de estar certo... Não se costuma dizer que quem dá aos pobres empresta a Deus? Ou será que eu estou a ser invejoso? A inveja é pecado, não é?

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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

A escrava que venceu o Estado do Níger

Cá estou de novo com mais uma história de vida, que teve o seu epílogo há precisamente três dias, desta vez no Níger :      

Hadijatou Mani, natural do Níger que agora tem 24 anos, foi vendida a um homem quando tinha 12 e foi sua escrava durante os 10 anos seguintes. Foi obrigada a trabalhar para o seu amo, que a maltratava amiúde e que a violou aos 13 anos. Há três anos, o homem libertou-a e ela decidiu que o governo do seu país, que tinha declarado ilegal a escravatura dois anos antes, cometeu negligência ao não saber protegê-la contra o degradante destino de pertencer a alguém. Há três dias, um tribunal internacional africano deu-lhe razão e condenou o governo do Níger a indemnizá-la com 15.000 euros.

A história de Hadijatou começou há 14 anos, em 1994. quando ela contava 12 anos, foi vendida pela sua família a um homem chamado Suleyman Naroua pelo equivalente a 394 euros. Segundo o seu relato, Naroua obrigou-a a trabalhar para ele durante os 10 anos seguintes, tanto em casa como no campo. Para além disso violou-a quando tinha 13 anos e obrigou-a a tomar conta dos seus filhos. Também relatou que o homem lhe bateu "muitas vezes", tantas que numa ocasião fugiu e voltou para a família. Mas "depois de dois ou três dias, levavam-me de novo de volta para ele."

"Não sabia o que fazer naquele momento, mas desde que tomei conhecimento de que a escravatura tinha sido abolida, disse a mim mesma que nunca mais seria uma escrava".

Isso sucedeu em 2003, quando o Níger aboliu oficialmente a escravatura. Mesmo assim, continuam a suceder casos, tanto no Níger como em outros países do ocidente africano, como a Mauritânia ou o Mali.

A sorte de Hadijatou mudou em 2003, quando o seu "amo" a libertou e lhe entregou um "certificado de libertação", segundo conta a  "Anti-Slavery Internacional", que a ajudou nos tribunais. Por pouco tempo. Hadijatou abandonou a casa de Naroua e conheceu outro homem, com quem pretendia casar-se. Foi então quando o seu antigo amo reapareceu: Frustrou o casamento de Hadijatou dizendo que já estava casada com ele. Um tribunal ditou contra Naroua e Hadijatou seguiu em frente com o casamento, mas mais tarde, o caso foi revisto, foi dada razão ao antigo amo e a Hadijatou foi condenada a seis meses de prisão por bigamia.

Decidiu então levar o seu caso ao tribunal de Justiça da Ecowas (Comunidade Económica de Estados da África Ocidental). Hadijatou denunciou o Governo do seu país por não evitar que fosse convertida em escrava, apesar de oficialmente ter abolido a escravatura há cinco anos, enquanto ela permanecia cativa. O tribunal deu-lhe agora razão, embora o Níger sustente que faz tudo o que pode para erradicar a tragédia da escravatura. Segundo o tribunal, Hadijatou foi vítima de escravatura e torna "a República do Níger responsável por inacção".

"Estou muito feliz por esta decisão", declarado Hadijatou ao conhecer a sentença do Tribunal, explicando que uma das razões pelas quais se socorreu da "Ecowas" foi para evitar que os seus dois filhos tenham que viver na escravatura, porque é costume que os filhos dos que são mantidos como escravos se convertam por sua vez em propriedade do amo.

O Tribunal condenou o Níger a pagar o equivalente a 15.000 euros. "Acatamos a lei e respeitaremos esta decisão", declarou Mossi Boubacar, advogado do governo nigeriano.

Romana Caccioli, da "Anti-Slavery International", sustenta que o seu grupo ajudou a libertar cerca de 80 mulheres com casos similares ao de Hadijatou. Segundo os seus dados, há cerca de 40.000 escravos no Níger, pelo que o caso de Hadijatou pode ter uma grande importância para muitas pessoas.

Esperemos que este acto seja o prenúncio do fim da condição de escravo e esperemos que se abra um novo dia para muitos outros que esperavam esta decisão, porque agora têm um tribunal a quem podem recorrer e que pode mudar as suas vidas, porque as decisões do Tribunal de Justiça do Ecowas são vinculativas para todos os estados membros da organização.

 

Fonte: El País

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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Bush já votou

 

Insurgiu-se há dias José Milhazes, no se blogue, pelo facto de na Bielorrúsia ser permitido o voto antes do dia oficial.

"Não se pode deixar de chamar a atenção para o facto de 25% dos eleitores inscritos nas listas terem votado antecipadamente. A votação antecipada, que teve início no dia 23 de Setembro, é um fenómeno aberrante em democracia." escrevia Milhazes

Insurgiu-se ainda José Milhazes pelo facto de não haver uma comissão internacional que fiscalizasse as eleições.
"Ora os observadores internacionais não acompanham esse processo, podendo ter sido utilizado pelas autoridades para distorcer a vontade dos eleitores", acrescentava.

Pois no país da verdadeira democracia já estão a votar milhões de eleitores, incluindo o seu próprio presidente e o que diz José Milhazes? Moita carrasco...que isso é tudo em prol da liberdade.

No país da verdadeira democracia não há nenhuma comissão de observadores internacionais para acompanhar um processo eleitoral que já deu provas de irregularidades, principalmente no Estado da Florida. E o que diz José Milhazes?

Moita carrasco...

Quanto a Bush, até nestas alturas mostra que é pequenino.

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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Se não forem estes a salvar o planeta não sei quem o fará

Pintura Para o Planeta, é o título da exposição que pode ver-se na sede central da ONU em Nova York e que mostra uma selecção dos cerca de 200.000 desenhos de crianças de entre 8 e 15 anos de todo o mundo que participaram num concurso de pintura dedicado às alterações climáticas organizado pelas Nações Unidas.

Os desenhos são acompanhados de mensagens dos menores para salvar o planeta e poderam ver-se até ao próximo dia 18 de Novembro.

O Clube Harvard de Nova York acolherá um leilão no qual se porão à venda alguns destes desenhos. As licitações também se poderão fazer através da Internet, para se dar a possibilidade a pessoas de todo o mundo de participarem na iniciativa. Os resultados serão destinados ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para ajudar as crianças afectadas por desastres naturais, consequência do aquecimento global. Os desenhos susmetidos a leilão terão un preço mínimo de saída de 500 dólares.

Aqui vos deixo alguns dos desenhos e respectivas mensagens:

 

Gabrielle Medovoy, 12 años, USA

"Aos líderes do mundo: A mensajem que lhes gostaria de enviar é que a natureza está em perigo por causa da mudança climática. No meu desenho os pinguins estão em movimento, mas para onde vão ter que ir? Esta será a questão quando não houver lugares idóneos para os pinguins viverem. Então, não só os pinguins, também o mundo inteiro estará em perigo. As crianças de hoje de diferentes países estão em perigo por causa do aquecimento global! Por favor, façam tudo o que esteja na vossa mão para prevenir a mudança climática!"

 

Charlotte Sullivan, 13 años, Reino Unido

 "Eu gostaria expressar a necessidade de actuar agora, quando a mudança climática se está a produzir. A figura do meu desenho representa os governos e os homens de negócios, que governam o mundo. O fundo vermelho, alaranjado e violeta são as centrais térmicas e o aquecimento do planeta, enquanto que aqueles que poderiam actuar para evitar este último protegem-se atrás do guarda-chuva. Este simboliza o mundo, agitado pelo vento. O meu desejo é que cada um de nós cuide do meio-ambiente.

 

Ekaterina Nishchuk, 13 años, Russia

"Queridos adultos e crianças:Não mateis a natureza, não derrubeis os bosques! Os bosques são a casa dos seus habitantes, significam ar fresco! Os bosques significam rios caudalosos! Os bosques significam um clima equilibrado da Terra! Protejamos a natureza. Asseguremos um futuro saudável do planeta!"

 

Katherine Liu, 9 años, USA

"Cada um deveria proteger a sua própria casa. A Terra não é só o lugar dos seres humanos. É tambem a casa das plantas e dos animais. Estamos a destruir este maravilhoso lugar. O maior problema é que o planeta se está aaquecer pela contaminação. O melhor que podemos fazer é começar a proteger a Terra. Uma das coisas que podemos fazer é usar energias renováveis. Por ememplo, no lugar de usar máquinas para secar a roupa, deveriamos secar a roupa em cordas fora das casas. Se cada um pusesse o seu grão de areia para prevenir o aquecimento global, poderiamos parar a mudança climática".

 

Gloria Ip Tung, 14 años, China

"Escapar da prisión: Rompe as barras da prisão / Adeus aos carros privados / Adopta a energia solar / Planta mais flores / Ajuda as árvores a crescer / Sente o soprar do viento / Ouve os gemidos do meio ambiente / Faz caso da natureza! / Que os líderes se posicionem / e a mudança climática terminará / Governos, sejam heróis! / Ponham a zero as emissões de gases de efeito de estufa / Mostrai aos cidadãos o caminho / Creiamos em dias melhores! /  Nunca será demasiado tarde para libertar o nosso planeta."

 

Eu cá por mim alinho com as crianças.

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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

O bando dos quatro

 

 

 

Eu nem quero acreditar, o governos destinou 20.000 milhões de euros para ajudar os bancos da nossa praça que se encontrem com dificuldades, mas o que é que acontece? Quer precisem ou não estão a alambazar-se ao dinheiro!

Firmaram até um acordo entre eles para esconderem a má gestão de alguns, numa nova forma de cartelização e nós, contribuintes assistimos em paz e serenidade!

Dizem eles que é para nós não perdermos a confiança... Um deles até se gabou de ter excesso de liquidez!

Porra, se um qualquer assaltante se atravessar no vosso caminho e vos sacar a carteira, ficam a bater palmas?

Sócrates já se pode gabar de um feito, transformou-nos a todos em murcões. Mas ele que me desculpe, tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta.

Os membros deste cartel, o bando dos quatro, têm nomes: Fernado Urrich, Carlos Santos Ferreira, Ricardo Espírito Santo Salgado e Faria de Oliveira.

Por favor, não façam pouco da minha cara!

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Domingo, 26 de Outubro de 2008

O Domingo é dia de pausa

Que ignorante que eu sou, estava convencido do contrário e afinal as roupas de listas verticais "engordam".

Quem o afirma é uma equipa de pesquisadores da Universidade de York, na Inglaterra, que mostrou que as roupas com listas verticais criam a ilusão de óptica de um corpo mais volumoso, ao contrário da crença popular de que essas peças "afinam" e as horizontais fazem a pessoa parecer mais gorda.

Segundo o jornal britânico "The Times", para chegar a esta conclusão, os cientistas utilizaram 200 pares de fotos de mulheres vestidas com peças de listas verticais e horizontais. Então, pediram que um grupo de voluntários indicasse a imagem da mulher em cada par que eles considerassem mais magra.

Para surpresa de todos, inclusive da indústria da moda, as mulheres vestidas com roupas de listas horizontais foram descritas como mais magras, com uma diferença de seis pontos percentuais.

No entanto, Thompson e sua equipa não são os primeiros a descobrir esta realidade perceptiva: o cientista alemão Hermann von Helmholtz já havia descrito o mesmo em 1860, e chegou a escrever um livro para recomendar que as mulheres vestissem peças com listas horizontais, e não verticais, porque as fazia parecer mais altas.

Helmholtz projectou duas séries de linhas paralelas, uma vertical e a outra horizontal, que encaixavam num quadrado.

Os dois quadrados tinham o mesmo tamanho, no entanto as linhas verticais pareciam cobrir maior área, ao que o cientista chamou de "ilusão dos quadrados".

O conhecimento de Helmholtz perdeu-se no século 20, quando ganhou força a ideia de que listas verticais favoreceriam uma silhueta fina.

Será?

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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Aznar chamou-me comunista

José María Aznar apresentou em Madrid o livro Planeta azul do presidente checo, Václac Klaus, que nega a gravidade do aquecimento global e que foi editado pela Fundação para a Análise e Estudos Sociais.

Durante a sua intervenção, carregou contra "os abandeirados do apocalipse climático", aos quais acusou de quererem restringir a liberdade debaixo de uma aparência nobre, como fizeram os comunistas. "Não sei se há uma mudança climática em que seja, ou não, determinante a acção do homem", mas, em qualquer caso, é "um problema que quiçá, ou quiçá não, será dos nossos tetranetos e não nosso", assegurou.

Aznar não se ficou por aqui e leu alguns parágrafos do livro: "Nos últimos 150 anos, no mínimo desde Marx, os socialistas destruíram a liberdade humana com eficácia, com lemas de aparente interesse humano e humanístico: para o ser humano, pela sua igualdade social com os demais, para seu bem. Os ecologistas fazem-no mediante lemas de um interesse não menos nobre: pela natureza e por uma espécie de bem sobre-humano. Recordemos que o seu lema radica: Earth first [a Terra primeiro]. Em ambos os casos, as consignas eram, e são, um simples embuste. Na realidade tratava-se, e trata-se, do poder da supremacia dos eleitos, como eles se consideram, sobre o resto de nós, da implantação de uma única ideologia correcta, a deles próprios".

O Painel Inter-governamental sobre a mudança Climática (IPCC) da ONU, formado por mais de 3.000 cientistas, concluiu há um ano que o aquecimento "é inequívoco" e que com mais de 90% de probabilidades é causado pelas emissões de origem humana.

Ainda bem que ele me chamou comunista... Quero que os meus tetranetos possam usufruir de um planeta limpo, de preferência melhor do que o que eu encontrei e que no tempo deles os "aznares" deste mundo já tenham desaparecido.

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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Como se vêem as crianças que trabalham

No mundo há 218 milhões de crianças que trabalham. No Peru, dois milhões. Duas psicólogas daquele país, Giselle Silva e Claudia Fuentes, perguntaram-se "que pensam e sentem as crianças trabalhadoras sobre o trabalho infantil?" e colocaram a 384 crianças o repto de pintarem-se a si mesmas e que responderam a perguntas básicas como "porque trabalhas?" ou "se fosses pai ou mãe, deixarias que o teu filho trabalhasse?".

O resultado foi a exposição 'A Voz das Crianças Sobre Trabalho Infantil', apresentado o mês passado em Lima, no  Encontro Internacional Pro-Criança.

Os resultados revelaram imagens, algumas das quais aqui que coloco, como a do início: uma criança de Arequipa que trabalha numa fábrica de tijolos e que se vê ameaçada por um adulto, "que pode ser seu pai", aponta Giselle. "O trabalho é feio porque me pesa", diz outra criança no seu desenho.

Muitos deles pintam-se chorosos, com lágrimas nos olhos. Outros, com gotas de suor. A maioria, andrajosos, com as roupas rotas e cheias de remendos. Há uma criança que pinta a cores todo o desenho menos a ela: "Indica como maneja a sua afectividade", aponta a psicóloga, Giselle Silva, uma das autoras do estudo sobre o trabalho infantil através dos desenhos das crianças.

Se os desenhos já, por si, são incómodos para a consciência, algumas das frases, que põem na boca dos personagens desenhados, encolhem o coração:

"Papá, a professora pediu-me um sol (moeda peruana equivalente a vinte e cinco cêntimos, em euros) para a tarefa", diz uma criança no seu desenho. "Ah, não tenho dinheiro e vens-mo pedir, seu pedaço inútil", responde o pai, representado com uma garrafa numa mão e um pau ao alto na outra.

"Para que as crianças tivessem este nível de expressão, teve que haver uma preparação, uma conversação prévia dizendo-lhes que às crianças não se lhes dava a oportunidade de se expressarem, que não os escutavam e que agora tinham a oportunidade de fazê-lo, que tinham muito que dizer para que os adultos nos sensibilizemos e tomemos decisões que os favoreçam", explica a psicóloga.

Não forçaram ninguém. Participou quem quis e só dois não quiseram entrar no 'jogo'. Aos restantes encantou-lhes a experiência, assegura.

A segunda parte do encontro desenrolou-se através de perguntas. Uma das conclusões principais foi que, "enquanto na zona urbana uma criança que trabalha não é feliz, no campo uma criança que trabalha é feliz".

A criança das zonas urbanas marginais sente que não deveria trabalhar, embora creia que tenha que o fazer. Dizem: 'trabalhar é mau, eu não permitiria que o meu filho o fizesse'.  A do campo, ao contrário, vê-o como algo de bom, sente-se de acordo com esse valor social e sente-se feliz. Dizem-nos: 'Os que não trabalham são ociosos e preguiçosos'.

Outra constatação é que as crianças 'urbanas' "estão mais expostas aos perigos. Temem um abuso, um assalto, um roubo ou uma violação quando saem à rua".

E não só trabalham, como pensam que, pelo facto de serem crianças, têm que cobrar menos. A maioria diz que ganha entre um e cinco soles. Mas um adulto, pelo mesmo tipo de trabalho, pode cobrar entre 25 e 40 soles por dia, afirma Giselle. "O dramático é que pensam 'como sou pequeno, mereço um salário pequeno'".

E quando poderá mudar a situação? Quando os pais se sensibilizarem e deixem de mandar a criança trabalhar, ou quando tiverem condições sociais para o fazer. Quando naquele e noutros países se mudarem as mentalidades e a ganância de quem governa.

 

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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Nacionalizado o sistema de protecção social na reforma na Argentina

Pela segunda vez nesta semana trago aqui notícias da Argentina. Desta vez, o anúncio do governo de Cristina Kirchner de que irá nacionalizar a entidade administradora de reformas e fundos de pensões do Banco Bilbao Viscaya Argentina (BBVA) e de outras entidades financeiras internacionais com presença no sistema de segurança social do país sul-americano desde 1994.

As Administradoras de Fundos de Reformas e Pensões (AFJP) começaram a sua actividade na Argentina nas mãos de grandes bancos internacionais, entre eles, os espanhóis Santander e BBVA, em 1994 quando o então presidente Carlos Menem, e o seu 'super-ministro' da economia, o ultra-liberal Domingo Cavallo (hoje 'desterrado' nos Estados Unidos), privatizaram parcialmente o sistema estatal de reformas e pensões.

Cristina Fernández de Kirchner destacou que "no meio da crise internacional, esta é uma decisão estratégica". A presidenta assinalou ontem que "quando vemos que aparecem as perdas, pela crise financeira internacional, vemos também que aparece a figura do Estado para tomar conta de todos".

"Frente a um contexto internacional onde os principais Estados estão a adoptar uma política de protecção aos bancos, neste caso nós preferimos proteger os nossos reformados e trabalhadores".

Cristina afirmou que o trespasse dos fundos das AFJP para o Estado "é uma decisão que sem dúvidas é estrutural, tão estrutural como a que se tomou em 1994, no marco do neoliberalismo".

A presidenta advertiu os legisladores, encarregados de redigir o projecto de estatização dos fundos de pensões, "haverá muitas pressões, porque são poucos os interesses mas grandes os dividendos".

Para além disso, questionou que para alguns "quando as medidas estatais são tomadas pelos Estados Unidos ou Alemanha, são simpáticas e inteligentes, mas quando se tomam cá, dizem: 'outra vez os nostálgicos e os estatistas".

Por sua parte, o titular da ANSES, Amado Boudou, afirmou que com o projecto da presidenta Cristina Fernández, o governo deu "por terminada a experiência fracassada do regime de capitalização na República Argentina".

Boudou afirmou ainda que o governo vinha investindo "quatro mil milhões de pesos adicionais em cada ano para suportar as reformas das AFJP.

Em suma o que os ditos senhores defendem é que o Estado deve tapar buracos, nomeadamente os resultantes da crise e querem continuar a gerir um sistema de reformas privado, porque dá dividendos, já quanto ao pagamento de pensões o Estado que os desenrasque.

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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

China Keitetsi, a menina soldado

Alguém lhe disse que "o melhor medicamento para curar a alma é falares e escreveres sobre o que te aconteceu" e China Keitetsi fez do conselho o seu objectivo de vida. Como terapia, no seu primeiro livro relatou a sua fuga dos maus tratos paternos para terminar com nove anos na guerrilha de Yoweri Museveni, actual presidente de Uganda.

Depois de quase uma década como menina soldado conseguiu escapar e refugiar-se na Dinamarca, com a ajuda das Nações Unidas na África do Sul.

Agora, com 32 anos, conta a sua história em conferências e debates para que se conheça a terrível situação de milhares de meninos e meninas que perderam a sua infância e inclusive a vida no campo de batalha. "Agora só penso em ajudar outros meninos soldados que não são tão afortunados como eu", assegura. Esta luta mereceu-lhe mais do que um reconhecimento, como o galardão pela trajectória pessoal da UNICEF que recebeu em Madrid.

Depois de dez anos separada dos filhos, recuperou-os e começou uma nova vida com eles na Europa. "Os meu filhos dão-me a energia para viver e para querer viver", confessa a jovem mãe. Mas o caminho não foi fácil. Todavia hoje, uma década depois, está a recuperar-se e a aprender a confiar em si mesma.

Aos meninos soldado obrigam-nos a cometer crimes e ensinam-nos a depreciar os demais. Essa experiência muda-os para sempre e faz que se lhes torne muito complicado relacionar-se com outras pessoas com normalidade. Para China Keitetsi, o mais duro foi voltar a confiar nas pessoas e "aprender a amar ou aceitar ser amada". Perdoar tudo o que sofri é quase impossível, afirma emocionada, porque "o que te fizeram sente-lo para o resto da vida. Mas se não perdoas tornas-te amarga e não podes fazer nada".

Em Junho de 2008 abriu uma casa de acolhimento para meninos soldado e filhos de meninas soldado no Ruanda. Ali não só encontram um lugar onde se sentem seguros, também os formam e ajudam a reintegrar-se na sociedade. Para estas crianças é muito difícil concentrar-se, o passado atormenta-os e é demasiado tarde para ir à escola. Neste centro ensinam-lhes jardinagem ou a fazer artesanato entre outras coisas.

China está convencida de que não existe nada que possa fazer justiça a tanta dor como sofre um menino soldado. Sentar-me com eles, com os militares, que escutassem tudo o que me fizeram padecer e que depois me pedissem perdão", explica, seria a única coisa que poderia acalmar o meu coração. Quando a justiça não cura as feridas, "só resta a reconciliação.

A sua luta activista permitiu-lhes estar em contacto com crianças e jovens de toda Europa. Na sua página na internet recebe mensagens de crianças que lhe dão ânimo para refazer a sua vida, explica com um sorriso. Também observou que muitos menores que não apreciam os pais nem todas as possibilidades que lhes brinda o futuro só por terem nascido num país rico. "Ninguém pode querer-te mais que os teus pais", exclama China que não desfrutou desse amor.

Esse contraste entre o que ela não teve e o que muitos jovens não apreciam talvez seja o argumento do seu próximo livro. De momento continuará a trabalhar contra o abuso dos meninos soldados e a sua batalha pessoal para formar uma família feliz com os seu filhos adolescentes.

E há gente que se queixa tanto...

 

Fonte: El País

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