Domingo, 23 de Outubro de 2011

O problema está na batata frita

 

 

Puséssemos o país a fritar batatas e nunca estaríamos no estado em que estamos, o que eu aprendo quando ligo a tv.

 

Raio do telecomando, também ele virado para estas coisas da autono-mia, resolveu parar numa entrevista de António José Teixeira da SIC-NOT  àquela que já tem lugar garantido para vir a ser a padroeira da caridade em Portugal. António José Teixeira interrogava Isabel Jonet se não se sentia preocupada por os "números da pobreza em Portugal não diminuírem", "terem estagnado" dizia ele, "não diminuírem nem aumentarem, para ser mais preciso", enfatizava ele.

 

Mas em que raio de país vive António José Teixeira que não dá conta que a pobreza aumenta diariamente? Mas adiante, que a resposta esteve ao nível da pergunta, preocupar-se Isabel Jonet? "Pelo contrário" respondeu ela com todas as letras!


Então não vê António José Teixeira que o nicho de Isabel Jonet cresce a olhos vistos, se torna cada vez mais importante? Alguma coisa haveria de estar em alta no país, a caridade cavalga a crise.

 

O raio do homem não enxerga mesmo nada e lá foi conduzindo a entrevista tudo fazendo para agradar a convidada. A dado momento ouvi a senhora reiterar aquilo que já noutra ocasião lhe ouvi quando esticou o dedo, acusou o povo de não querer trabalhar e recomendou ao governo, o anterior, que colocasse os desempregados a limpar os montes. Não seguiram a recomendação, deu no que deu.


Desta vez voltou a repetir a acusação e deu como exemplo a batata frita, nem mais. Dava ela conta que não está para fritar batatas em casa por causa do cheiro que deixam e que quando decide ir ao restaurante comprar uma dose delas não há quem lhas queira fritar, pelo menos nos restaurantes lá da rua. A coisa é de tal maneira que se vê obrigada a recorrer aos chineses, que esses sim fritam-nas na hora. O raio dos chinocas, agora até na batata frita se intrometem! Mais tarde ou mais cedo teremos que resolver este problema. Tudo menos na batata!


Passados uns minutos levantei novamente a cabeça, desta feita Isabel Jonet num acto de pura caridade elogiava o povo, é grande, é solidário apontava ela, mas desta vez com o dedo encolhido. Dava como exemplo o Euro 2004 quando o povo respondeu ao "apelo solidário" e colocou as bandeiras na janela.

 

E pronto foi desta maneira que finalmente descobri por que é que esta coisa não anda. E de certeza outras coisas descobriria se tivesse continuado a ver a entrevista até ao fim, mas o telecomando deu nega e pisgou-se pró National Geographic.

 

Tanta gente para aí a botar faladura, que é disto, que é daquilo e afinal a razão é mais comezinha. Esteve bem Isabel Jonet, assim é que é! Calou os prosas! É da batata frita!

 

E vocês calaceiros, deixem-se de merdas e vamos pôr o país outra vez no pelotão da frente. Bora lá fritar batatas!

publicado por salvoconduto às 01:43
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4 comentários:
De maria a 23 de Outubro de 2011 às 04:14
Estou a ouvir essa coisa em repetição no sic-n agora mesmo e estou pasma!
Viva a batata frita!
De ha dias assim a 23 de Outubro de 2011 às 21:59
Até me sinto mal...
é que eu não frito batatas, bem mas tb não compro (nem nos restaurantes da rua nem nos chineses...)
Quanto ao resto, tendo em conta que ainda tenho que trabalhar, não vou comentar...
As pessoas gostam muito da caridadezinha.
Já ontem me passei com uma senhora, pseudoendinheirada, amiga, é verdade, mas com uns princípios...
A propósito do roubo dos subsídios comentava eu, muita gente vai tirar os filhos da faculdade, os subsídios serviam para pagar as propinas, voltamos ao antigamente, só os filhos dos ricos é que podem tirar cursos...
resposta da senhora "parece que vai ser assim..." Se não fosse o cinismo contido nas poucas palavras...
De justine a 23 de Outubro de 2011 às 15:34
Isto não está para rir, mas confesso que ri a ler a tua crónica! Rais parta a mulher, está doida para fundar o novo Movimento Nacional Feminino, agora só para ajudar os pobrezinhos, coitadinhos...
De Pata Negra a 23 de Outubro de 2011 às 19:39
Se a playboy, os canais pornográficos, o das touradas - falo do meo - têm um código e têm que se pagar à parte, porque diabo o canais que passam essas entrevistas são de acesso livre?!
Com um programa desses, eu não escreveria um post, partiria mais um televisor!
Um abraço com muita caridade

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