Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Tv7, Martim Avillez

 

 

Alguns de vós não terão conhecido João Coito, jornalista, que tinha uma crónica (Tv7) semanal na televisão do anterior regime onde enaltecia a virtudes de Salazar e posteriormente Marcelo Caetano. Não sei porquê hoje  o jornalista Martim Avillez Figueiredo, fez-me dele lembrar quando analisava a entrevista de Passos Coelho à SIC.

 

Dizia o Martim: excelente, excelente, excelente, pena foi o tempo gasto nas perguntas e desdobrava-se em absurdos elogios em tudo semelhantes aos de João Coito.

 

Como sou do tempo de João Coito entendo perfeitamente o Martim, os jornalistas deveriam limitar-se a colocar à disposição de sua excelência o Presidente do Conselho os meios de comunicação e reservar para depois a tarefa de o enaltecer.

 

Desconheço por onde se formou o Martim mas não errarei muito se disser que as crónicas de João Coito lhe devem ter feito companhia por muitas e longas noites.

 

Consegui recuperar uma das crónicas de João Coito, logo após a morte de Salazar, de que vos deixo aqui uma parte na certeza de que não vos será difícil de a imaginar na boca do Martim depois de substituído o nome do Presidente do Conselho:

 

"…Muita tinta correu e muitas palavras foram ditas acerca da figura e da obra do homem genial cuja envergadura se projectou e dilatou além-fronteiras.

A maior parte de nós, que continuamos vivos, nascemos e crescemos já com ele ao leme, e podemos testemunhar, de facto, a suprema dedicação de Salazar ao serviço do País. Foi o grande monge deste grande convento da Pátria! Nem família, nem amigos, nem distracções. A única preocupação do homem, desde que assumiu as responsabilida-des do poder, foi o presente e o futuro deste País repartido pelo Mundo.

Vigiou noites intermináveis, silenciosamente, sem que o povo adivinhas-se sequer os perigos que corria. Nem os adivinhávamos, nem fazíamos esforço por os adivinhar. Nem era o desinteresse que marcava esta nossa atitude. Durante 40 anos habituámo-nos a descansar nele. Nos momentos mais dramáticos, quando a tempestade assomava à nossa porta, o povo, com aquele sexto sentido que Deus lhe deu, exclamava apenas: "Está lá o Salazar… Vamos ver o que ele resolve e o que ele nos diz… E assim foram vencidas as tempestades.”

O Estado não tinha dinheiro para pagar as suas dívidas. O trabalhador não sabia se haveria dinheiro ao fim da semana ou ao fim do mês. As revoluções e as desordens eram tão naturais e vulgares como as chuvas e as trovoadas.

 

A gente compreende e aceita que o Exército, num impulso incontido, quisesse arrumar as coisas e pô-los no seu lugar. Mas como? Qual era o político que havia de meter ombros a tarefa tão gigantesca?...

 

Foi então que o País travou o seu primeiro conhecimento com um professor que vinha de Coimbra. Tinha trinta e poucos anos. «Sei o que quero e para onde vou»!


Estas palavras, srs. espectadores, eram dum homem de trinta e poucos anos.
Talvez que a primeira reacção dos políticos experimentados desse tempo tenha sido um sorriso de desdém. Mas o povo, a grande massa do povo, começou logo aí a habituar-se à verdade desse homem novo que só lhe prometia aquilo que efectivamente podia realizar.

 

Hoje, depois de ter sido vencida a etapa decisiva, há muito gente a discutir as virtudes  e os defeitos da obra de Salazar. Há muitos que dizem que a excessiva preocupação com o equilíbrio financeiro é uma das causas do nosso atraso económico. Não serei eu que os vou contraditar, que não percebo de finanças. Mas sempre quero dizer que compreendo e aceito a obsessão de Salazar. Quando chegou ao Governo encontrou os cofres vazios, o País endividado e, o que é pior, sem crédito. Avaliamos os trabalhos que ele teve para modificar esse estado de coisas e compreendemos perfeitamente que, ao longo do resto da sua vida, sempre tinha ficado no seu espírito o fantasma das dívidas e da penúria.

Nesta hora o Presidente sabe tudo de tudo e encontrou resposta para todas as suas dúvidas e interrogações, que também as tinha.
Se o Presidente agora pudesse voltar? ! ... Que lições fantásticas e infinitas nós não escutaríamos ao Professor!
A história recebeu-o nos seus braços justos. Nos caminhos do porvir, o seu nome há-de andar vivo nos lábios das crianças que surgem para o Portugal de sempre. Nós tivemos o grande privilégio de ser testemunhas do seu tempo, da sua vida e da sua obra."

João Coito


 

Cada vez fico mais com a sensação que efectivamente está de volta e João Coito também, as semelhanças são por demais evidentes. Quem vos avisa…

publicado por salvoconduto às 01:03
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2 comentários:
De fernando samuel a 1 de Dezembro de 2011 às 11:56
João Coito interrompido voltou...

Um abraço.
De lino a 1 de Dezembro de 2011 às 16:08
Entre o Coito e o Marcelo prefiro o Coito. Pelos menos nunca escondeu ao que vinha nem se refugiou em falsas "democracias"!
Abraço

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