Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Altamente

 

 
É o que eu vos digo, traumatizado Mário Crespo pegou asas e voou, não o segurem não, perdeu a vergonha toda e dá asas aos sonhos. O da máquina de comboio está um pouco mais longe convenhamos.

 

Depois de ter tentado espremer o presidente do sindicato dos maquinis-tas cumpriu a promessa convidando o presidente do conselho de administração da CP, estendeu-lhe a toalha e incentivou-o a desancar contra os grevistas. Atrapalhado por tanta mordomia o patrão da CP lá foi tentando levar a água ao seu moinho sem nunca ser interrompido por Crespo. Sentiu-se tão à vontade que arrancou por ali fora, até achou de bom-tom afirmar que era o "faltava deixar cair o poder empresarial na rua" à boa maneira de Marcelo Caetano no quartel do Carmo quando ainda não se dava conta que a sua hora tinha chegado e o regime dava o estertor final, depois teve de ir de chaimite...


Embevecido Crespo ainda deu uma ajuda, "esta gente não se enxerga, tivéssemos nós cá Margaret Thatcher ou Ronald Reagan e esta coisa resolvia-se numa fervurinha, mas conte-me lá e essa coisa do subsídio de assiduidade?" Está visto que Crespo não seguiu o meu conselho e não telefonou para saber o que era essa coisa das diuturnidades que ou eu me engano muito ou tem bebido uns bons copos à custa delas, pena é a gente não lhe conhecer o recibo de vencimento onde essas coisas vêm detalhadas. Fica para outra oportunidade.


"Mas conte-me lá oh doutor", insistia ele "então os maquinistas de Lisboa não podem ir substituir os maquinistas do Porto em dia de greve? Juro que até vi pena nos olhos do convidado quando este lhe respondeu "podem não Mário, se eles estão em greve como é que podem substituir os outros?"


Podem apontar aí, desiludido mas não convencido, Mário Crespo ainda há-de ter o seu comboio. Mas a noite não estava perdida, valeu-lhe o frente a frente que se seguiu com Ângelo Correia e João Soares, uma ternurinha, ninguém melhor do que os dois para encarnar o espírito da quadra natalícia, beijoca para aqui, beijoca para acolá, dois amores embora haja quem lhes chame outra coisa, longe vão os tempos em que paravam no Conde Redondo, porventura na vida fácil de que fala Cavaco.


Soares enchia o peito e destacava que a Alemanha estava a pedi-las, que o governo tinha feito muito bem com o negócio da EDP, ora toma lá Merkel que é para aprenderes e dizia isto com muita convicção, a mesma com que mais adiante falava de Isabel dos Santos, Savimbi e diamantes.


Ângelo Correia dando-lhe mais uma beijoca destacava por seu lado que se Portugal não tivesse colonizado Angola, Moçambique, Timor ou Macau nunca teria feito o negócio com os chineses.

 

Por esta altura já Mário Crespo apresentava um brilhozinho nos olhos, por momentos sentia-se entre os seus...

 

publicado por salvoconduto às 00:50
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2 comentários:
De Anónimo a 28 de Dezembro de 2011 às 10:25
Cada vez mais o Crespo, e gentalha como ele, me tiram do sério...
De daciano josé a 28 de Dezembro de 2011 às 23:35
Tenho para mim que o Mário é um profissional multi-facetado.
Agora, como jornalista, a sua face:
-é austera, de testa franzida, olhar desconfiado, nariz de fossas apertadas (como quando nos cheira ao chulé), a língua sempre pronta para contra-dizer, re-bater, inter-romper, finalizar bruscamente) -quando o indagado está sentado à sua direita para responder a questões e a 'perguntas engatadas'
-é descontraída, com uns lábios de onde sobressaem uns ternurentos dentinhos de fofinho coelhinho de peluche e escapam uns 'hum|hum! concordantes -quando se vira para o interpelado sentado à sua esquerda, contemplado com ´perguntas desengatadas'.
(N.b.: Os sentados à sua direita vistos na tv estão à minha esquerda, os outros vice-versa)
Antes, na fase mais aguda da guerra colonial em Moçambique enquanto uns tomávamos contacto com a fome, as minas, as emboscadas, o isolamento, o Mário sustentava o seu currículo militar no ambiente do 'ar condicionado' de Nampula, a centenas de quilómetros das 'zonas de 100%, no cumprimento, eficaz, consta, da 'especialidade' única em todo o território: -assessor de imprensa do Comandante Chefe, Kaúlza de Arrriaga, o qual, também se dizia, usava do máximo zelo na escolha dos seus 'mais-que-tudo'!
Aquela face tem muito treino!

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