Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Afinal quem é Laurent Nkunda?

aqui abordei o genocídio que actualmente decorre nas terras do Congo em que Laurent Nkunda desempenha o papel de actor principal. Quem é afinal este homem, Laurent Nkunda, o carniceiro do Kivu, o “general” sanguinário que dirige a rebelião no Congo e que faz tremer as populações?

O general Nkunda é um homem pleno de contradições: é um habitante da selva, cortês; um chefe da guerra, cristão evangélico; um estratega militar, cerebral, capaz de terríveis atrocidades; um protector tribal e pai de seis filhos, que rapta crianças para o seu exército; um patriota, que se bate contra a república democrática do Congo (RDC) e lhe rouba os recursos.

Este homem de 41 anos justifica os seus ataques afirmando que deve proteger a minoria tutsi. Os seus 4.000 soldados, bem treinados e disciplinados, deixaram os seus feudos nas montanhas, atravessaram os vulcões e as aldeias do norte do Kivu e chegaram a alguns quilómetros de Goma, um vila provincial poeirenta, repleta de refugiados. As forças governamentais, derrotadas, empreenderam a fuga, e os soldados da ONU não conseguiram impedir a progressão das tropas rebeldes.

Nkunda fez os estudos de psicologia antes de se juntar, em 1993, ao exército rebelde de Paul Kagame, hoje presidente do Ruanda. Os dois homens conservam estreitas relações e muitos reprovam o Ruanda por apoiar a rebelião do general Nkunda. Kagame desmente estes rumores, mas ele tem suficiente influência para travar o general se assim o quisesse.

Para além disso, torna-se claro que os homens de negócios e os dirigentes políticos ruandeses tiram proveito do controlo que Nkunda exerce sobre uma parte do Congo.

Em 1994, o general Nkunda e Kagame, ambos tutsis, combateram lado a lado para fazer recuar as milícias hutus, responsáveis pelo genocídio ruandês, em direcção ao vizinho Zaire.

Na guerra que se seguiu, o general Nkunda tornou-se num chefe do exército rebelde, ajudou o Zaire a derrubar do poder, em 1997, o presidente Mobutu Sese Seko. O Zaire foi então rebaptizado de República Democrática do Congo. A reputação de crueldade do general Nkunda reforçou-se à medida que o Ruanda, o Uganda, o Zimbabué e Angola se juntavam aos combates.

Em 2002, o general reprimiu uma revolta em Kisangani, uma cidade comercial de primeira importância outrora conhecida sob o nome de Stanleyville e situada num dos meandros do Congo. Mais de 160 pessoas foram executadas, algumas atadas de pés e mãos foram lançadas ao rio do alto de uma ponte, o que valeu ao general a alcunha de "carniceiro de Kisangani".

Em 2003, no quadro de um acordo destinado a pôr fim a um conflito que tinha já feito 3 milhões de vítimas, Laurent Nkunda foi nomeado general do exército congolês, mas o acordo não resultou. Centenas de milhares de mulheres foram violadas e dezenas de milhares de crianças raptadas para combater. Nkunda recusou-se a colocar-se sob a autoridade de Kinshasa, acusando o governo de não ter desarmado as milícias hutus que se encontravam no leste do país.

Em Junho de 2004, as suas tropas cercaram e invadiram Bukavu, uma cidade outrora duma grande beleza situada na margem meridional do lago Kivu. Decretando que devia proteger a população tutsi dos ataques de outras etnias,  ordenou aos soldados que passassem ao ataque e estes violaram mulheres e crianças, executaram civis e pilharam as habitações e as casas comerciais. Em 2008 é o que está à vista.

Tudo isto tem-se passado com uma certa complacência dos governos ocidentais, tal como já acontecera no Ruanda, mais preocupados nas riquezas minerais do Congo do que com o sanguinário Nkunda, possuidor do curriculum que vos acabo de descrever.

 

Fontes: The Times

publicado por salvoconduto às 00:01
link do post | comentar | favorito
10 comentários:
De Ana Camarra a 26 de Novembro de 2008 às 00:20
Até quando Africa será trucidada?!
Por dentro e por fora!

Um beijo
De toulixado a 26 de Novembro de 2008 às 01:35
E não há uma bala perdida que lhe acerte?
De maria a 26 de Novembro de 2008 às 01:48
O que é que se pode dizer?
Bolas, a net hoje anda muito "violenta"...

Quando África acordar, quando o povo africano acordar, gostava de ver...

Abreijo
De Lúcia a 26 de Novembro de 2008 às 07:52
Comos nos tens habituado, elucidativo o teu texto, de uma data de situações. Infelizmente há muitos Nkundas por África: um continente que tinha tudo para ser feliz! E não o é.
Beijos
De Pedro Oliveira a 26 de Novembro de 2008 às 08:54
Este continente Africano, tarda em acordar, e a culpa é do Ocidente claro está.Para quando um olhar a sério para este continente?
De patti a 26 de Novembro de 2008 às 09:36
Outro assassino, como muitos que já existem por esse mundo fora.
O problema está agora, em que se algum país, principalmente se for uma grande potência, se meter ao barulho a sério, a sério sim, porque esta corja não vai lá com conversas diplomáticas e cimeiras de paz, dizia eu que esse país será trucidado por toda a opinião pública mundial, daqui a meia dúzia de meses.
De Ferreira-Pinto a 26 de Novembro de 2008 às 10:56
A História costuma brindar-nos com homens assim, aparentemente plenos de capacidades e no entanto completamente focados no seu lado mais negro!
De fernando samuel a 26 de Novembro de 2008 às 15:37
Esse Nkunda mais ano menos ano ainda vai ser Nobel da paz...


Um abraço.
De São Banza a 26 de Novembro de 2008 às 16:50
A descrição da criatura poderia aplicar-se ao ministro da Propaganda de Hitler, por exemplo.

Como pretendem que a História não se repete?!
Saudações.
De Anónimo a 27 de Novembro de 2008 às 21:49
São Banza, gosto de te ver por aqui agora que te não encontro em jornais.
Espero mesmo que não venha aí outro Estado Novo, porque SALAZAR parece já haver
Abraços da Lagartinha de Alhos Vedros

Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 10 seguidores

.pesquisar

.Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Cá se fazem cá se pagam

. Eles aí estão

. Está o caldo entornado...

. O gesto é tudo

. E a Ucrânia ali tão perto...

. De capa e batina

. Subscrevo

. Gorduras do estado

. Curtas

. Podias andar de Clio? Pod...

.arquivos

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

.subscrever feeds