Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Cavalgar na crise

 

Será descabido, em tempo de crise, os trabalhadores, nomeada-mente das empresas que geram lucros avultados exigirem aumentos de salários justos?

Vem esta interrogação a propósito de uma nota que me chegou à mão onde se dá conta que, por causa da crise, a Caixa Geral de Depósitos apenas prevê um aumento para os seus trabalhadores de 0,9%.

Quando me dou conta que este banco continua a apresentar lucros astronómicos, quando me dou conta que enterra milhões e milhões no BPN e BPP e o mesmo o faz com Joe Berardo, questiono-me se não terão sido os trabalhadores os responsáveis pela crise, pelas falcatruas daqueles bancos e se não serão igualmente responsáveis pelos devaneios de Berardo.

A não ser assim, não se compreende a atitude de Faria de Oliveira, presidente do conselho de administração daquele banco. Estará Faria de Oliveira convencido de que é preciso enterrar mais e à cautela usurpa dinheiro que deveria ser destinado a pagar justamente a quem ali trabalha?

Quem lê aquela nota não pode deixar de estranhar, quando se sabe que os trabalhadores daquele banco seguem normalmente os aumentos da função pública, para quem, como é sabido, o estado decretou este ano 2,9% de aumento.

Se Faria de Oliveira está "preocupado" com a crise, porque não abdica de todas as mordomias que recebe naquele banco? Porque não abdica dos cartões de crédito especiais, das viaturas topo de gama, e da panóplia de subsídios e prémios que por tudo e por nada que ali recebe?

Gente como esta faz-me estranhar também o facto de se estar a desenhar na mente dos nossos empresários uma luminosa estratégia: reduzir os salários dos seus trabalhadores e isto também nas empresas que continuam a gerar lucros! Esta medida está normalmente acompanhada de uma ameaça, a da redução dos postos de trabalho, porque a todo o custo pretendem manter os mesmos lucros.

A redução ou degradação dos salários destroem a economia, destroem a capacidade de consumo. Com isso destroem o mercado interno e apenas contribuem para que os trabalhadores deixem de poder honrar os seus compromissos.

São mentalidades como esta que geraram esta crise! Não foram os trabalhadores que a geraram!

publicado por salvoconduto às 00:01
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15 comentários:
De toulixado a 13 de Fevereiro de 2009 às 00:40
À merdomia mandava-o eu! Este palhaços ainda por cima se ri no fim. A crise não passa por ele.
De Bluevelvet a 13 de Fevereiro de 2009 às 00:43
Por alguma razão o povo diz que " quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão".
Mais uma esperteza saloia...à portuguesa...
Abreijinhos
De maria a 13 de Fevereiro de 2009 às 00:49
Faria de Oliveira abdicar de todas as mordomias? Ou qualquer outro?
"deixa-me rir"... como diz o Jorga Palma...

Beijos
De Samuel a 13 de Fevereiro de 2009 às 00:54
Com o filão do corte de despesas unicamente pela via de eliminação de postos de trabalho, já a ficar com a careca descoberta, a redução de salários vai ser a próxima moda, sempre, claro, com a ameaça de que a não ser assim, então terá que ser com despedimentos.
Ah... e sobre a redução nas mordomias... não querias mais nada!!!

Abraço
De Suzette a 13 de Fevereiro de 2009 às 00:57
Típico de um provocador barato.
De Anónimo a 13 de Fevereiro de 2009 às 01:34
Faria de Oliveira é um menino bem comportado perante quem o nomeou e quer fazer um novo mandato na CGD.
Porque será que os empresários portugueses já não me surpreendem? É tudo mais do mesmo.
De violeta a 13 de Fevereiro de 2009 às 01:49
tu nem me fales na CGD que estou pronta para fazer explodir em mim o que tenho de revolucionário e naõ sabia... se ouvires dizer que uma gaja maluca pegou em paralelipipados soltos da calçada e desatou a partir a CGD,fica sabendo que é aqui a violeta...
LADRÕES
vou dormir...e espero sonhar que os estou a esmurrar a todos
De Pedro Oliveira a 13 de Fevereiro de 2009 às 08:57
Violeta avisa antes para fazermos um directo no blogobairro, ehehehe. A "entifada" era bem merecida,lá isso era.
De Paulo Mouta a 13 de Fevereiro de 2009 às 03:53
E mais uma vez a crise. Para os bancos portugueses, públicos e privados a crise vem mesmo a calhar. Fundem-se. Comem-se uns aos outros. Refugiam-se na perda de lucros e despedem ou congelam salários.

Quero desde aqui deixar uma palavra de solidariedade para com os funcionários do BPN em especial. Toda a gente fala nas falcatruas dos ex-patrões do banco. Todos falam com raiva do processo de nacionalização que mais não pretendeu senão a salvaguarda da riqueza de alguns, afinal os mesmos de sempre. Por mim não era apenas o BPN. Nacionalizava-os a todos JÁ, nem que fosse parcialmente. Mas é preciso que se compreenda que os trabalhadores do BPN não têm qualquer culpa nas fraudes dos ex-aprendizes do cavaquismo económico. E mais devo dizer que, para banco provado, o BPN sempre foi dos mais transparentes perante o cliente e com melhor serviço. Um dos melhores bancos comerciais, agora infelizmente transformado em sopa de trafulhices.

Afinal, os trabalhadores do BPN são agora, por via lateral, também funcionários da CGD. Só espero que não lhes cortem os postos de trabalho.
De julio filipe a 13 de Fevereiro de 2009 às 03:54
Claro que não foram nem são os trabalhadores os responsáveis pelas crises, nem pela "doméstica" nem muito menos pela mundial.
Por isso, cabe-nos a nós resistir ao saque dos dinheiros públicos, exigindo que nem mais um cêntimo seja entregue aos bancos; cabe-nos a nós prosseguir com a exigência de aumentos salariais, visto sermos dos mais mal pagos na Europa; cabe-nos fazer a greve - e ocupar as empresas, se necessário - se o patronato quiser despedir-nos; cabe-nos a nós exigir que o Estado invista no interesse comun (mais escolas, hospitais, universidades, habitações, estradas, transportes, mais serviços públicos). Enfim, a nós, verdadeiramente, cabe-nos lutar, sabendo que é o único caminho justo para evitar que, no completar do ciclo, estejamos mais pobres, mais humilhados e mais recuados na relação de forças.
Desculpem a extensão, mas, ainda mais nos dias de hoje, "não nos basta interpretar o mundo"...
Saudações fraternas.
De Ana Camarra a 13 de Fevereiro de 2009 às 12:44
De certeza que a culpa é dos trabalhadores.
Mas o que é que esta gente quer?
Trabalho com direitos? Aumentos salariais para ter uma vida digna? Assistência Médica? Direito á Reforma?
Mas isto está tudo doido?!
Isso é para alguns seres especiais e iluminados...

beijos

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