Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Recado II

Se há coisa a que não tenho rejeições será certamente aos meios informáticos, talvez por ter desempenhado funções de técnico de informática departamental no Banco do Estado, mas quando há pouco me deram a conhecer, há laços que não se perdem, que naquele banco as eleições para a respectiva Comissão de Trabalhadores iriam realizar-se através de voto electrónico, torci o nariz.

Veio o dia das eleições e uma das coisas que eu temia tornou-se realidade, a abstenção atingiu números jamais alcançados. Mas porquê, estarão muitos de vós a interrogar-se. Num banco que até se preza de ter um dos melhores sistemas informáticos on-line, porquê essa relutância em aderir às novas tecnologias?

Elementar, não sou apologista do voto electrónico, muito menos quando, em eleições para estruturas de trabalhadores por essa via, os meios informáticos utilizados não estejam sob controlo dos próprios.

Não querem lá saber que no caso do Banco do Estado os mesmos estavam sob o controlo do patrão?! Vai lá vai, razão tinha eu para torcer o nariz, os trabalhadores reagiram à sua maneira a tão pespegada estupidez...

Dir-me-ão, por certo, que estou a ser demasiado radical, mas "olhem que não"! Sabiam que a Holanda que tinha instituído o voto electrónico desde 1997 voltou ao clássico de papel?

E que dizer então das máquinas de voto electrónico que foram usadas nos Estados Unidos para alterar os resultados das eleições e propiciar a Bush a eleição em detrimento de Al Gore?

E do parlamento espanhol onde alguns deputados ficaram sobejamente conhecidos por votarem por si e por mais uns quantos que nunca estavam presentes?

Por muito que vos pintem, um processo de votação electrónico isento seria demasiado caro pela necessidade de avultados investimentos tecnológicos que nem os estados nem as empresas estão dispostos a fazer.

Mas é sábio ou sensato deixar os meios informáticos de fora dos sistemas eleitorais? Claro que não, é possível combinar os pontos seguros do voto em papel com os pontos seguros dos meios informáticos e isso tornar-se-ia em garantia de rapidez, honestidade e de resultados verificáveis.

Por último, os governos não podem demonstrar que os resultados de uma votação electrónica estejam correctos e a oposição não tem forma de suportar uma queixa de que tenha existido fraude ou que tenham ocorrido erros, por isso é muito mais seguro continuar a utilizar o tradicional voto em papel. E serão estes verdadeiramente secretos? Se forem vocês a pôr a cruz e a introduzir o voto na urna, naturalmente que sim.

De leitura obrigatória é o livro cuja capa é reproduzida acima para quem quiser perceber como se "passam certas coisas" em matéria de "votação electrónica"...

publicado por salvoconduto às 23:12
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15 comentários:
De Viana a 19 de Junho de 2009 às 00:04
Ele há cada totó.
De maria a 19 de Junho de 2009 às 00:19
Pois....

:))
De carlosbarbosaoli a 19 de Junho de 2009 às 00:22
Também não confio nem um poucochinho no voto electrónico. Muito menos em instituições...
De Cris Caetano a 19 de Junho de 2009 às 00:25
Também não gosto do voto eletrônico (no Brasil, o voto é eletrônico) e concordo com tudo o que expões aqui, e já ouvi há tempos, numa reportagem, que pode haver falhas.

Abreijos

ps: ah, e sou amante ferrenha da tecnologia.
De Paulo Mouta a 19 de Junho de 2009 às 00:25
Quando se trata de eleger pessoas há duas formas de voto que devem progressivamente ser abolidas: O voto electrónico e o voto por braço no ar.
De mugabe a 19 de Junho de 2009 às 14:10
ah sim ? e porque razão deve ser abolido o voto de braço no ar ?
De Paulo Mouta a 20 de Junho de 2009 às 00:25
Pelo simples facto de representar um tipo de voto sobre o qual pode existir coação directa. As pessoas podem sentir-se pressionadas pelas circunstâncias e pelo meio onde se encontram a votar em determinado sentido.

Em muitas situações já defendi o voto de braço no ar. Há situações em que é muito mais simples e directo. Mas quando se trata de eleger pessoas ou estruturas este tipo de voto pode ser limitador da legitima vontade do indivíduo.
De mugabe a 20 de Junho de 2009 às 15:37
Mas é muito mais transparente,.... o voto secreto sujeita-se também a várias manipulações, o meu amigo cheira-me a Renovador !!!!!!
De Paulo Mouta a 20 de Junho de 2009 às 23:31
Eu não digo que não seja trnasparente. É evidente a transparência, está em cada braço levantado ou não. Mas temos de admitir que pode sempre haver coação por diversos factores porque o voto de braço no ar não é secreto.

Quando se trata de decisões simples parece-me um método aceitável. Quando se trata de decidir sobre cargos e pessoas directamente parece-me ser um método a evitar. Não quero com isto dizer que não é democrático. É evidente que é. Se partirmos do princípio que quem vota o faz de plena consciência e de acordo com a sua vontade real, é inteiramente democrático. Pode é não ser inteiramente livre.

Eu não estava a referir-me aqui a questões de decisão partidária nem a direccionar para nenhum alvo. Apesar de que essa é uma questão que pode muito bem ser alargada a esse universo. Não vem nenhum mal ao mundo se aumentarmos a qualidade da participação das pessoas nos seus organismos libertando-as de determinados condicionalismos que possam existir. Por exemplo é curioso que hoje se tome sempre por opção a escolha livre entre voto secreto ou voto de braço no ar em determinadas estruturas partidárias. No entanto esta decisão é sempre tomada por braço no ar. A legitimidade democrática nunca é colocada em causa, mas a realidade é que quem pretendia votar secretamente vai sentir-se coagido na selecção de método de voto.

A riqueza do trabalho colectivo e decisão colectiva depende justamente da riqueza do contributo individual e da sua diversidade ou não diversidade. Não me causam engulhos as unanimidades, nem as divergêcias de forma. O verdadeiro problema está nas divergências de conteúdo.
De Samuel a 19 de Junho de 2009 às 00:35
Não tenho dúvidas de que, até que haja comprovados avanços na tecnologia e na sua segurança, o voto electrónico é um convite à fraude em grande escala.

Abraço.
De anamar a 19 de Junho de 2009 às 00:41
obrigadinha por me abrir os olhinhos...
:))
De tapadas a 19 de Junho de 2009 às 07:54
Absolutamente de acordo. Admira-me é que ande por aí tanta ingenuidade à solta. Já agora, não me sabem dizer se o recente referendo na Auto Europa, terá sido electrónico? Tenho um dedo que adivinha - não deve ter sido!
De patti a 19 de Junho de 2009 às 09:16
Esta é mesmo uma questão para reflectirmos.
De camolas a 19 de Junho de 2009 às 13:04
Começoa a ficar como a toupeira da Alice " não me falem em progresso senão expluso-Vos da biblioteca"

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