Um menu de reis para "digerir" a falta de alimentos no mundo assim titulava o Elmundo e dava a conhecer que enquanto as economias emergentes pediam à ONU a sua intervenção para atenuar a crise alimentar, Bush, Merkel, Brown, Berlusconi, Sarkozy, Fukuda, Harper e Medvedev com as suas respectivas mulheres ofereciam-se a si próprios um opíparo festim composto por nem mais nem menos 19 pratos.
Os líderes do G8 dizem-se preocupados com a escalada dos preços dos alimentos e cansaram-se tanto a discutir esta matéria que o melhor foi retemperar forças com um festim gastronómico.
Desde milho com caviar, atum com abacate, gelatina de soja, passando por salmão fumado, ouriços do mar. Cerca de vinte criações com todo o tipo de alimentos: gambas, vitela, verduras...as melhores iguarias para os mais poderosos.
A crise alimentar presente durante toda a primeira jornada do encontro do G8 evaporou-se na hora da refeição. Com o nome "Bençãos da Terra e do Mar", o menu preparado pelos chefes japoneses deleitou os comensais com pratos típicos da ilha de Hokkaido. O cozinheiro do festim era Katushito Namakura, primeiro chefe japonês a ganhar uma estrela Michelin.
Reagiu e bem Dominic Nutt, da ONG "Salvem as Crianças", foi uma das mais críticas com a atitude dos primeiros ministros. "É profundamente hipócrata que os líderes mundiais comam prato atrás de prato quando há uma crise alimentar e milhões de pessoas não têm que comer".
Diversas organizações exigiram que os chefes de estado do G8 cumpram as promesas de ajuda e desenvolvimento feitas em 2005. Na altura prometeram aumentar a ajuda a África em 50.000 milhões de dólares até ao ano 2010, coisa que até agora não cumpriram e até se teme que venham a desdizer o acordado.
É preciso "ter estômago" para um festim como estes.
Os G8 dispersará certamente do encontro, tal como dispersava antigamente, do circo ou dos festins, qualquer romano...
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