Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

18
Nov09

Juan Melendez 6446

salvoconduto

 

 

De vez em quando chega-nos a notícia de alguém que acabou de ser assassinado com uma injecção letal, por um pelotão de fuzilamento ou até mesmo por enforcamento. Dá-se à mesma o relevo necessário como que a dizer "fizeste mas pagaste". Nunca nessas notícias se questiona a pena de morte ou até mesmo um possível e "inadvertido" erro. É apenas o tempo, uma sorte do caraças, que às vezes se encarrega de o fazer. A mesma sorte que me fez tropeçar com esta "história" que teve um final diferente em Janeiro de 2002, mas cujo protagonista continua vivo e que ao fim destes 7 anos continua a contá-la na primeira pessoa.

É Juan Melendez, o preso 6446, que passou 17 anos, 11 meses e um dia no corredor da morte, que escapou a ser notícia igual a tantas outras... Ao fim desse tempo saiu livre de qualquer acusação, porque afinal não tinha sido ele o  oautor do crime pelo qual tinha sido acusado e condenado á pena de morte , e que ao contar a sua história poderá quebrar alguns espíritos mais endurecidos. É claro que isto sou eu a pensar, que não faltará quem por aí diga "estás a ver como o sistema funciona, não era culpado, não foi executado!..."

Aos repórteres, que o esperavam à porta de um tribunal, e à pergunta "que fará agora, para onde vai?" respondeu apenas "o que quero é ver a lua". A cela de cinco metros quadrados onde esperava a execução não tinha qualquer janela. Este antigo trabalhador sazonal analfabeto, que viajava pelos Estados Unidos na apanha da fruta, percorre agora o mundo "com uma missão". Juan Melendez, de 58 anos, sente-se privilegiado por estar vivo. Resumiu parte da sua experiência no corredor da morte num documentário de Luis Albert e afirma que esse documentário é a sua ferramenta para lutar contra a pena de morte.

Nem os pesadelos nos quais sonha que continua preso o fazem parar. Se dorme quatro horas já considera um milagre. Sofre de stress pós traumático, medo de multidões e às vezes chega a ficar paralisado no meio de uma passadeira.

À pergunta se não seria mais fácil encerrar a sua luta afirma que não pode, que há muitos homens no corredor da morte, que o ensinaram a escrever, a falar inglês, a perdoar sem guardar rancor, que não pode esquecer-se deles, como não se pode esquecer da sua mãe, que em Porto Rico amealhava dinheiro para repatriar o seu cadáver se o executassem...

É claro que foi ressarcido por esse erro e esses anos na prisão, recebeu 100 dólares de indemnização, sem direito a um pedido formal de desculpas pelo estado da Florida.

Às vezes é bom tropeçar nestas histórias…

7 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D