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Salvo-conduto

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Salvo-conduto

16
Dez09

Os vermelhos invadem o Congresso

salvoconduto

 

Sempre que aqui escrevo sobre o Afeganistão ou o Iraque há quem fique escandalizado e me aponte, no meu e-mail, como mais um vermelho, um anti-americano de merda (sic), entre outras coisas... E se aquilo que escrevo o fosse também, por exemplo, por um congressista norte-americano? Acusá-lo-íamos igualmente ou apenas diríamos que é um "democrata"? Vá lá o diabo sabê-lo...

Pelo sim pelo não deixo-vos aqui um excerto da recente intervenção desse congressista a propósito do envio de mais 30.000 soldados e façam o favor de não lhe chamar nomes. Aqueles que quiserem desabafar façam como o costume, vertam a vossa bílis no meu e-mail, já que teimam em não o fazer aqui no blogue. O Anti-spam do Kaspersky fará a triagem...

"...Tenho sérias preocupações acerca da decisão de adicionar 30.000 militares e ainda um número não identificado de pessoal civil à nossa operação no Afeganistão. Este reforço elevará os níveis das tropas dos EU a aproximadamente os mesmos dos soviéticos quando ocuparam o Afeganistão com resultados desastrosos nos anos oitenta. Temo que a ocupação militar dos EU possa acabar de maneira semelhante.

Nos finais de 1986 o comandante das forças armadas soviéticas, marechal Sergei Akhromeev, disse ao então Secretário-Geral Mikhail Gorbachev, "As acções militares no Afeganistão atingirão em breve os sete anos. Não há um único pedaço de terra neste país que não tenha sido ocupado por um soldado soviético. Apesar disso, a maioria do território continua nas mãos dos rebeldes."

Não tardou muito a Gorbachev iniciar a retirada soviética da desventura no Afeganistão. Milhares tinham morrido de ambos os lados, e ainda assim a ocupação falhou na criação de um governo nacional estável.

É a nossa presença como ocupantes que alimenta a insurgência. Como seria o caso se nós fossemos invadidos e ocupados, diversos grupos puseram de lado as suas divergências para se unirem contra a ocupação estrangeira. Acrescentando mais tropas dos EU apenas beneficiará aqueles que recrutam combatentes para atacar os nossos soldados e aqueles que usam a ocupação dos EU para convencer as aldeias a colocarem-se ao lado dos talibãs.

Do mesmo modo, dizem-nos que temos que "ganhar" no Afeganistão para que a al-Qaeda não possa usar território afegão para planear futuros ataques contra os EU. Devemos lembrar-nos que o ataque nos Estados Unidos no 11 de Setembro de 2001 foi, de acordo do Relatório da Comissão para o 11/9, largamente planeado nos EU (e Alemanha) por terroristas que estavam no nosso país legalmente. De acordo com a lógica daqueles que defendem a acção militar contra o Afeganistão porque a al-Qaeda estava fisicamente presente, poderia argumentar-se a favor de ataques aéreos dos EU contra vários estados dos EU e Alemanha! Não faz sentido. Os talibãs permitiram a al-Qaeda a permanecer no Afeganistão porque ambos estavam comprometidos, com a assistência dos EU, na insurgência contra a ocupação soviética.

Sem embargo, o presidente do Conselho Nacional de Segurança, general James Jones, disse numa recente entrevista que menos de 100 membros da al-Qaeda permanecem no Afeganistão e que a chance deles reconstituírem uma presença significante é demasiado escassa. Devemos acreditar que mais 30.000 militares são precisos para derrotar 100 combatentes da al-Qaeda?

Temo que haverá uma pressão crescente para os EU invadirem o Paquistão, para onde muitos dos talibãs se escaparam. Ataques da CIA com aparelhos não tripulados no Paquistão já desestabilizaram esse país e mataram inúmeros inocentes, produzindo sentimentos anti-americanos e pedidos de vingança. Não vejo como isso contribua para a nossa segurança nacional.

Sempre me opus a esta "construção" de nações por inconstitucionais e ineficazes. O Afeganistão não é diferente. Temo que a única solução para o pântano do Afeganistão seja uma rápida e completa retirada desse país e da região. Não podemos permitir-nos a manter este império e a nossa ocupação destas terras estrangeiras não nos está a tornar mais seguros. É tempo de sair do Afeganistão."

Por certo a esta hora alguns já estarão a pensar: "e não querem lá ver que "eles" estão mesmo a invadir o Congresso? Sosseguem! O congressista autor destas palavras é republicano e chama-se Ron Paul.

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