
É assim que me sinto perante todos os Haitianos que acreditavam na palavra solidariedade. Prontifiquei-me a contribuir, monetaria-mente, para a ajuda humanitária e afinal constato que essa ajuda permanece há sete dias, há longos sete dias no aeroporto de Port-au-Prince, longe, muito longe daqueles que dela precisam.
A comunidade internacional, a ONU, os EUA, deveriam tal como eu sentir-se envergonhados. Perdem-se em guerras espúrias de competências e controlo sobre um país devastado e não se dão conta que não passam além do seu umbigo.
Ir ao Haiti para ajudar e voltar passado 7 dias sem sequer colocar um penso a um ferido ou ter entregue um pouco de água a um desgraçado sedento, era algo que eu não imaginara.
Segurança, segurança, segurança, são as palavras mais repetidas nas TVs. Enquanto a segurança absoluta não for garantida, como se tal fosse possível, ninguém arreda pé do aeroporto, como se o Haiti estivesse a ferro e fogo.
Não está, mas mais parece que todos esperam que venha a estar, os sedentos de protagonismo, os comandos militares por um lado, os jornalistas sensacionalistas por outro.
Parece que todos apostam no início da barbárie para então entrarem em palco. Enquanto tal não sucede, permanecem nos bastidores, no aeroporto.
Saúdo aqueles que "ousaram" intervir, aqueles que levam socorro aos necessitados, ainda que na sacola não levem mais do que boa vontade.
Tenho vergonha, o "show" está quase aí, só faltam mais uns quantos milhares de militares a somar aos outros milhares que já lá "estão".
Foram rápidos a pedir ajudas, não faltaram NIBs e números de contas bancárias, os holofotes não perderam tempo a projectar as suas luzes sobre os Brad Pit, as Angelinas Jolie, o presidente deste ou daquele país.
Por falta de ajuda o número de mortos cresceu, por falta de medicamentos o número de amputados cresceu igualmente. Cres-ceu também em mim a impotência e a revolta.
De
cbo a 19 de Janeiro de 2010 às 23:56
Nos últimos dias, as notícias sobre o Haiti começaram a pôr-me em parafuso, como já hoje escrevi no DO. O clímax da estupidez foi atingido esta noite por JRS na RTP, quando disse que tinha sido batido o record de amputações no Haiti. Orgulhoso da sua cultura, ainda acrescentou---Desde o século XIX!
Quanto ao que por lá se está a passar-se com quem foi lá levar ajuda, prefiro calar-me. Sei, por experiência própria, que por vezes quem está longe não se paercebe de determinadas situações que dificultam a ajuda. E, como diz, há sempre uma enorme preocupação em garantir a segurança.
Porque não foram montados os campos permanece ara mim o maior mistério de todos...
De
maria a 20 de Janeiro de 2010 às 00:11
Este post não é para comentar. É para subscrever. E eu subscrevo...
Abreijos
De Litos a 20 de Janeiro de 2010 às 00:18
Até Fernando Nobre que está habituado a estas coisas se diz espantado com tudo isto, ouvi-o da sua boca há pouco na SIC- Notícias, onde Medeiros Ferreira e Nuno Rogeiro trocaram alfinetadas. Cheguei a temer que um dos olhos de Medeiros Ferreira saltasse.
Bem vistas as coisas e segundo Nuno Rogeiro a culpa é do partido comunista brasileiro, do que ele se lembra... Este sujeito é execrável. Em tom paternalista afirmou que o Haiti "até tem nos EUA gente com cultura, como músicos e poetas", como quem diz aquilo não são só feiticeiros. Este sujeitinho ombreia bem com Pat Robertson citado há poucos dias neste blog e na internet.
De Belof a 20 de Janeiro de 2010 às 00:31
Agora compreendo melhor por que escreveu a propósito da militarização da ajuda humanitária há uns dias atrás.
Aquele aeroporto é uma autêntica casa-forte. Devem estar a apontar as armas uns aos outros, ninguém sai de lá.
De toulixado a 20 de Janeiro de 2010 às 02:18
É a pornografia em horário nobre, como aquela reportagem sobre uma rectroescavadora que deve ter "caído do céu" para recuperar os computadores de um banco enquanto ao lado as pobres almas escavavam à mão tentando salvar os familiares soterrados.
Ou José Rodrigues dos Santos empenhado a dar-nos conta que já tinham sido batidos todos os records de amputações no Haiti. Não há pachorra.
De
patti a 20 de Janeiro de 2010 às 09:20
AS burocracias e/ou situações que por vezes desconhecemos nestes casos, são grandes impedimentos de ajuda.
Penso que só quem está em campo, saberá verdadeiramente o que se passa. O resto é muita especulação.
Mas é frustrante para os deste lado saber das provisões ainda no aeroporto há 7 dias e ninguém explicar o porquê.
2 ideias:
É triste que se arranjem biliões de dólares agora para ajudar o Haiti, tinham dado jeito antes do terramoto: Hipocrisia politica
Precisar de ajuda, ela existir e não chegar ás pessoas é revoltante e mostra que mesmo as ONG´s têm muita boa vontade, mas as pessoas que nelas trabalham também são humanas: Inveja e deslumbre pelo PODER
abr
De
hb a 20 de Janeiro de 2010 às 11:58
excelente texto
De Bluevelvet a 20 de Janeiro de 2010 às 17:32
E a frustração cresce com o novo abalo.
Um dia destes nem vale a pena preocuparmo-nos mais porque o país já desapareceu levando com ele todo este sofrimento.
Abreijinhos
De
jrd a 21 de Janeiro de 2010 às 19:55
Shame on them!
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