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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

07
Abr10

De vítima a vilão

salvoconduto

 

Dei conta aqui da libertação de um prisioneiro das Farc, Pablo Emilio Moncayo, ao fim de 12 anos de cativeiro. Pois bem, aquela "gente" na Colômbia o que gosta mesmo é de espectáculo. Porque o ex-refém não estava virado para aí, como acontecera com Ingrid Betancourt, porque não tinha nada a agradecer a Uribe, que não mexeu uma palha para o libertar durante esses 12 anos, não lhe perdoam e transformam-no agora em vilão.

O sargento enfrenta hoje uma chuva de críticas de um grupo de colombianos que se escondem atrás dos respectivos blogs da Internet e em "distintos" meios de comunicação e o acusam de converter-se em guerrilheiro durante o tempo em que esteve sequestrado.

Tudo porque quem o esperava ver chorar, gritar e até saltar para as câmaras se decepcionou, até já tinham montado a tenda, desmancha prazeres. 

Aquele que elogiaram quando tinha 19 anos voltava agora com 31, frio, não ligando às câmaras. Não lhe perdoam, afiam a língua e em tudo o que é jornal de bem deixam o que lhes vai nas almas impolutas, “transformou-se em guerrilheiro”, “lavaram-lhe o cérebro”, “tarado”, “traidor”, “chaga social que há que varrer”.

Outros vão mais longe e acusam-no de ser um “recruta que se infiltrou no exército no ataque a Patascoy onde acabou sequestrado”.

Luis Guillermo Vélez, um desses bloger, insinua mesmo que não esteve sequestrado mas sim num passeio ecológico durante 12 anos.

Para rematar, questionam Pablo Emilio Moncayo por ter agradecido ao presidente do Ecuador, Rafael Correa, Hugo Chávez da Venezuela e ao presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. A Álvaro Uribe nem sequer os seus lábios o pronunciaram e, acusam, parecia como se sentisse rancor ou ódio.

Por seu lado Uribe limitou-se a dizer: “Felicito o Professor Gustavo Moncayo (seu pai) e à sua família pela libertação do seu ente querido”, omitindo o seu nome no discurso que efectuou horas depois da entrega por parte da guerrilha.

Quem verdadeiramente compreende o ex-refém é o seu pai, Gustavo Moncayo, que durante 12 anos bateu à porta de Uribe, sistematicamente fechada, apenas uma vez foi recebido num encontro que a imagem abaixo documenta, solicitando os seus esforços pela libertação do filho e sabe bem o que sempre encontrou, indiferença.

Foi essa indiferença que o levou a abandonar o cargo de professor e se dedicar exclusivamente à causa da libertação do seu filho demais reféns, à procura de um acordo humanitário, sempre negado por Uribe. Só encontrou eco fora do país, nomeadamente no Equador, Venezuela e Brasil.

 

 

Encontro entre o pai de Moncayo e Uribe, anos atrás

Enquanto uma parte do país se retorce em comentários de mau gosto, por certo Pablo Emilio Moncayo perguntar-se-á qual pode ter sido o seu erro, o seu pecado e porque em lugar de se alegra-rem o atacam com comentários que põem em risco a sua integridade, acaso estariam à espera de uma libertação com espectáculo incluído?

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