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12
Ago08

Evo Morales venceu o referendo na Bolívia

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Evo Morales venceu o referendo de ontem destinado a reconfirmar ou não a sua presidência na Bolívia. A busca por melhores condições de vida para os pobres continua assim na ordem do dia naquele país, mesmo contra a forte oposição daqueles que, apoiados pelos Estados-Unidos, tudo apostam para o derrubar.

Retenho a reportagem de Fernando Damasceno, jornalista brasileiro, no dia que precedeu o referendo:

Nas ruas de La Paz, os porquês para votar (ou não) em Evo

O jornalista abordou 14 pessoas. Todas manifestaram seu voto abertamente, com graus diferentes de interesse político. Apenas duas senhoras disseram que optarão pelo “não” à continuidade do mandato de Evo.

Dois dos que se declararam a favor do presidente trabalham como engraxadores nas redondezas da Igreja de São Francisco. Miguel e Carlos têm 18 e 20 anos, respectivamente. Cobram 1 boliviano (1 Euro equivale a 10 bolivianos) para executar seu trabalho e dizem que vão votar em Evo devido às mudanças pelas quais o país passa. “Quero que minha filhinha possa estudar”, diz Miguel, o menos falador. De há uns anos para cá o povo tem sentido que as coisas estão a mudar”, comenta Carlos.

“Mudança”, é a palavra mais ouvida pela reportagem. As pessoas falam das mudanças pelas quais a Bolívia vem a passar e atribuem a elas a sua escolha no referendo. A vendedora Lourdes Morales, parente de Morales, cita a política de educação colocada em prática nos últimos anos para justificar seu voto. “É cada vez mais difícil encontrar um analfabeto. Finalmente alguém enfrentou os ricos deste país”, afirma.

Os votos pelo “não”

Na loja ao lado da qual a parente distante de Evo trabalha, a reportagem encontrou a primeira cidadã que declarou votar pelo “não”, após seis abordagens. Fanny, dona de uma pequena loja de doces e refrescos, deixou claro o que pensa sobre a situação política boliviana. Ela não tem críticas directas ao presidente, mas sim a seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS). Tenho que admitir que Evo fez boas coisas para os pobres, mas veja a tensão que existe em alguns estados. Não gosto desse clima de violência criado pelos seus partidários”, explica.

A outra senhora que não votará em Evo Morales inverteu o papel do repórter, ao iniciar a conversa na fila de um banco – algumas agências bancárias abrem aos sábados até as 13h. Nervosa por ter acabado de ser obrigada a tirar seu espalhafatoso chapéu - “por motivos de segurança”, segundo o segurança que a abordou -, Rosa, de cerca de 50 anos e com uma forte tintura loira nos cabelos, diz em tom sussurrante que é esse o resultado de dar poderes aos índios”.   

Ao saber que o repórter era brasileiro, Rosa sorriu e voltou a falar baixo, em tom de confidência: No Brasil quase não há índios, pois não?”. Desnecessário perguntar a respeito de seu voto...

Os mais exaltados

Após conversar com um vendedor ambulante de livros usados e duas vendedoras de frutas (todos apoiantes de Evo), a reportagem ouviu os dois defensores mais exaltados do presidente.  O taxista António Camacho foi directo ao ponto: “Claro que voto ‘sim’. Evo faz um bom governo, com erros e acertos, mas enfrenta os ricos e defende-nos a nós, que precisamos trabalhar muito para viver.”

O micro empresário Lucho (“não falo meu nome para estrangeiros... Lucho é o bastante!), dono de uma loja de presentes numa galeria na rua Santa Cruz, afirmou que pegaria em armas para defender o governo. Sou contra as oligarquias do mundo. Você é do Brasil? Se preciso, vou a seu país para acabar com eles. Aqui, as pessoas vivem na miséria por causa de poucos. Isso tem que mudar. Por isso voto a favor de Evo”. 

 

Mais um "ditador" que põe o seu cargo perante a vontade do povo, longe da época de eleições, interessante não é?

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