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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

12
Abr11

Albarde-se o burro

salvoconduto

 

  

Tenho para mim que é nas horas de aperto que se conhecem as verdadeiras convicções, é durante elas que vemos quem vacila ou se mantém fiel aos valores que sempre disseram seguir.

 

Não sei as razões que levam algumas pessoas, algumas que considero mesmo “boa gente”, fugir como o diabo da cruz quando se trata de analisar friamente o Manifesto subscrito por essas 47 personalidades que vieram reclamar o entendimento entre o PS e o PSD para futura e “desejável” solução governativa para o país.

 

Já aqui deixei ficar o meu reparo à inclusão do nome de Boaventura de Sousa Santos nesse manifesto. Estranhos silêncios fazem-me trazer agora aqui essa outra personalidade que também o subscreve, Siza Vieira.

 

Tenho mesmo aqui à mão um artigo de Óscar Mascarenhas publicado hoje no JN, não vou por isso alongar-me em grandes considerações uma vez que o artigo, de uma pessoa que também se surpreende, agrega em si algumas das que por ventura eu aqui teceria e por isso mesmo o transcrevo na íntegra:


 

"Meu caro Siza Vieira:

 

Vemo-nos de dez em dez anos e em locais improváveis - um comboio apinhado a caminho de Bombaim, um aeroporto europeu - mas episódios dos nossos encontros fazem-me fanfarronar que sou seu amigo, que me dou bem consigo. Tenho por si uma admiração incontida, pelo artista mas muito mais pela vertical intransigência de homem que me habituei a ver em si.

 

Sem provavelmente, jamais termos votado na mesma força política, sinto-me consigo do «lado do não» face aos mandadores do baile ou, para aproveitar a imagem de João Cabral de Melo Neto, do «lado do sim» nesta imensa sala negativa.

 

Por isso, caro Siza Vieira, que faz o seu nome no meio de quarenta e sete subscritores do estranho apelo à unidade come-e-cala e à resignação do manda-quem-pode? Como pode você aparecer ao lado de cartolas tão patriotas que ameaçam expatriar os seus capitais ao mínimo aumento de impostos? Como se deixou figurar no meio de uma camioneta de vencidos da vida e outros convencidos de terem assinatura importante?

 

E para pedir, afinal, o quê, Siza Vieira? «Em primeiro lugar, um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de acção imediato, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular financiamento da economia, evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral», blá-blá; e «em segundo lugar, um compromisso entre os principais partidos, com o apoio do Presidente da República, no sentido de assegurar que o próximo Governo será suportado por uma maioria inequívoca», patati-patatá.

 

Basicamente, o papel diz: o povo que não se intrometa com a sua vontade de votar no que no que tem de ser decidido já pelos «principais partidos» (quais são, Siza Vieira, a sua lista coincidirá com a dos outros 46?) e sob os auspícios de Cavaco Silva, cuja única missão parece ser a de explicar que «não é FMI, é Fê-é-é-éfe, Fê-é-é-éfe», mais parecendo um 'zombie' político...

 

Com tal documento, com a sua assinatura, imagine o alívio que os socialistas de Sócrates não terão encontrado ao sentirem-se livres para largar as bandeiras do Serviço Nacional de Saúde, do ensino público, da segurança social pública, da Caixa pública, da justa causa de despedimento - tudo isso em nome de uma unidade que «tem-de-ser» e que tem tanta força que «até o Siza Vieira assina por baixo».

 

Diga-lhes que não, Siza Vieira. Ou pelo menos diga-me em segredo que não, que a si perdoo-lhe tudo - desde que me perdoe esta minha impertinência."

Óscar Mascarenhas

 

É aceitável e desejável que todos façamos as nossas opções políticas, já o que não é para mim aceitável é que algumas dessas personalidades vistam demasiadas vezes camisolas que chegados a ocasiões como esta verificamos que não lhe assentam nada bem.

 

Albarde-se pois o burro à vontade do dono, ou do freguês, mas deixemo-nos de envergonhados silêncios.

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