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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

19
Jun08

Dois pesos, duas medidas

salvoconduto

 

 

Até estou com os cabelos em pé! Como era de prever, dois pesos, duas medidas. Não foi preciso esperar muito para se assistir àquilo que já se previa. O governo assume posturas diferentes perante protestos similares, mas com dimensões diferentes.

Perante o protesto dos camionistas, que teve dimensão nacional e quase bloqueou o país, o governo nada fez e agora, perante uma centena de agricultores que pretendiam desfilar em setúbal, envia a polícia para impedir a manifestação.

Grotesca, a justificação da governadora de Setúbal que deu a ordem:

"para não prejudicarem a circulação automóvel e porque não cumpria todos os requisitos legais, nomeadamente as 48 horas de aviso prévio."

Não vale aqui acusar o governo de falta de vergonha pois isso é algo que nunca teve.

Os agricultores não determinam o preço dos produtos agrícolas, que na maioria dos casos são impostos pelas cadeias de distribuição, o que faz com que o agricultor não seja ressarcido dos gastos cada vez maiores a que a produção o obriga.

Outro motivo para o protesto dos agricultores, para além do protesto contra o aumento dos custos de produção e do gasóleo, é o facto de lhes ter sido retirado o estatuto de freguesia rural, o que não lhes permite beneficiar de alguns apoios ao desenvolvimento rural.

No fim disto tudo o que é giro, muito giro mesmo, é os iates terem o gasóleo a 80 cêntimos. Eu quero aplaudir...

E agora advinhem lá, qual foi o governo que fez a portaria que permite tal coisa? Nem mais, o do nosso caro José Sócrates, em 8 de Fevereiro deste ano! Será que estou a ficar lerdo?

18
Jun08

Finalmente na Argentina

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“No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém…”
Che Guevara

Depois de ler ontem o Samuel mais vontade me deu de colocar este post sobre Che, socorrendo-me de Christine Legrand correspondente do Le Mode em Buenos Aires.

Pela primeira vez na Argentina, seu país natal, foi prestada homenagem a Che Guevara, sábado 14 de Junho. Para comemorar o 80º. Aniversário do seu nascimento foi instalada uma estátua de bronze de 4 metros de altura numa praça que irá ter o seu nome, na cidade de Rosário.
 

«Nós queremos recordar a imagem, a herança, a trajectória e a luta de uma das personalidades políticas mais importantes da América Latina», explicou Miguel Lifschitz presidente da câmara daquela cidade.
 

Em colaboração com Cuba, o município de Rosario organizou exposições de fotos, projecção de filmes, concertos e debates consagrados a Che. A estátua é obra de do escultor Argentino Andres Zerneri. 

Para esculpir o rosto, Zerneri inspirou-se na célebre foto de Alberto Korda, tirada em Havana em 1960.

O artista não se socorreu de financiamento do governo ou dos partidos políticos, lançou uma colecta pública em 2005. Recebeu milhares de donativos e 75 000 objectos em bronze oferecidos por desconhecidos ou admiradores de Che, como o músico Manu Chao. 

Ícone do século XX, cuja imagem está impressa em milhões de tee-shirts no mundo inteiro, Che foi ignorado no seu próprio país. Nenhuma rua de Buenos Aires tem o seu nome, nem sequer uma placa comemorativa na casa onde viveu na rua Araoz.

É preciso ir até Alta Gracia, na província de Cordoba, para nos impregnarmos do passado argentino do herói da revolução cubana. A casa branca, de tecto de zinco, onde passou uma parte da sua infância tornou-se museu em 2001. 

As festividades em Rosario coincidiram com a data oficial do nascimento de Che. Com efeito ele nasceu em 14 de Maio de 1928, segundo confidência da mãe, Celia de la Serna. Pertencendo a uma família aristocrática, Celia registou Ernesto um mês depois do seu nascimento, para esconder o seu casamento.

Por mais que tentem distorcer sua imagem, Che Guevara ainda representa o inconformismo às injustiças deste mundo, independente de concepções políticas e ideológicas.

Hasta la victoria siempre

17
Jun08

Homenagem às vítimas do franquismo

salvoconduto

O Congresso dos Deputados de Espanha rendeu, sexta-feira, homenagem às vítimas do franquismo. O seu presidente, José Bono, expressou o seu sentimento aos presos e vítimas do franquismo, a quem recordou que a democracia chegou a Espanha "não como uma tempestade de verão ou por vontade de uma pessoa", mas sim fruto do sacrifício daqueles que perderam a sua liberdade por ela.
Bono recordou a memória daqueles que tornaram possível que a Espanha tenha o regime e as liberdades de que hoje desfruta, um sacrifício que merece ser recordado, não para o ódio ou o rancor, mas sim para que a história se escreva com verdade.

É bom e vale mais tarde do que nunca. Não podemos esquecer que o franquismo se abateu sobre a Espanha de 1939 a 1975 e contou com a ajuda fraterna de Hitler , Mossulini e, não posso deixar passar, pela igreja católica.
Que melhor forma de prestar homenagem a essa vítimas do que recordar Marcos Ana, de seu nome verdadeiro Fernando Macarro, porque Marcos Ana é o nome com que escreve, ainda hoje com 87 anos, Marcos de seu pai e Ana de sua mãe.
Para melhor dar a conhecer Marcos Ana socorro-me das notas de Cecilia Costa, da ABI.

O poeta Marcos Ana está hoje com 87 anos. Nascido em 1921 numa pequena localidade de Salamanca, com o nome de Fernando Macarro, com apenas 15 anos se apresentou como voluntário na frente de Guadarrama, mas, ao ser formado o exército regular, foi mandado de volta para casa, por ser menor de idade.

Aos 17 anos, porém, após recolher o cadáver do pai nos escombros de sua residência destruída por bombas, alistou-se novamente na 8ª Divisão do Exército Republicano. Ao final da guerra, em 1939, foi capturado em Alicante e levado a um campo de concentração. Fugiu, mas voltou a ser preso, com 18 anos e 3 meses de idade. Torturado 43 dias numa prisão em Madrid, foi transportado para uma prisão em Porlier sem poder andar, nem levar alimento à boca. Os companheiros de cela trataram-no como se fosse um recém-nascido.

Condenado à morte, esperou noites e noites pelo fuzilamento, sempre adiado, tendo assistido à matança de vários companheiros. Escreveu um texto sobre a necessidade de fé e esperança e foi torturado novamente. E de novo condenado à morte, num jogo de tortura psicológica, já que o seu fuzilamento continuaria a ser marcado e adiado, marcado e adiado.

Ficaria preso por quase 23 anos, passando por vários presídios e sofrendo novas torturas e castigos. Na prisão de Conde de Toreno, conheceu o poeta Miguel Hernandez, que faleceria no calabouço. Sua mãe morreria de frio na porta da masmorra do filho, após muito pedir para vê-lo. Seus algozes diziam que era impossível a visita, já que o preso estava incomunicável. Aos 33 anos, em total isolamento numa cela, começou a escrever os seus poemas, com o pseudónimo de Marcos Ana. Marcos em homenagem ao pai e Ana, à mãe.

Magicamente, por meio de uma rede de solidariedade, os livros chegaram-lhe às mãos — de Antonio Machado, Lorca, Lope de Vega, Rafael Alberti, Miguel Hernandez — e os seus versos atravessaram as barras de ferro da janela. Por meio de uma acirrada campanha internacional em prol de sua liberdade, acabou por ser libertado pela polícia de Franco em Dezembro de 1961, já com mais de 40 anos. Virgem, a primeira coisa que fez foi ir a um bordel “conhecer mulher”. A primeira noite há tanto tempo ansiada, mesmo sendo com uma prostituta, segundo narrou depois, foi cheia de ternura e êxtase. Um acto de puro amor. Logo iria clandestinamente para França, onde criaria o Centro de Informação e Solidariedade com a Espanha (Cise), cujo Presidente de Honra seria Picasso. E vivo, vivíssimo, pôs-se a trabalhar.
 
Hoje, o homem que esteve preso por mais tempo durante a Guerra Civil Espanhola, homem com H maiúsculo de Humanidade, continua activo e militante, ficando sempre muito emocionado quando divulgam sua vida e seus belos versos. O início de um deles, “Mi corazón es patio”, foi o que originou a sua fama além-grades:

 

“Mi vida
os la puedo contar en dos palabras:
Un patio
y un trocito de cielo donde a veces pasan
una nube perdida y algún pájaro
huyendo de sus alas”.

Deixemos, portanto, que falem pela dor e resistência de Marcos Ana dois de seus poemas:


Autobiografía

”Mi pecado es terrible;
quise llenar de estrellas
el corazón del hombre.
Por eso, aquí, entre rejas,
en veintidós inviernos
perdí mis primaveras.
Preso desde mi infancia
y a muerte mi condena,
mis ojos van secando
su luz contra las piedras.
Mas no hay sombra vengadora
corriendo por mis venas.
España! es sólo el grito
de mi dolor que sueña…”


Voy soñando

”Soñar, siempre soñar,
con banderas y besos;
la libertad y el aire
soplando en mi cabello.
Campo y aire sin fin
— oh, luz —, sin otro cerco
que el amor de unos brazos
enlazando mi cuello.
Soñar, siempre soñar,
con los ojos sin sueño, que soy un hombre vivo…
siendo tan sólo un preso.
Hay árboles y un río
fijos en mi recuerdo;
una infancia salvaje,
un dulce amor ingenuo,
y dos nombres grabados en el chopo más viejo.
El cielo aquella tarde
era como un espejo.
El choperal tendía,
para el amor, senderos.
Todo era luz. La gloria
de mayo iba en mi pecho…
Un vilano de plata
se enredó en sus cabellos;
acudí tembloroso
y con mis dedos trémulos…
Sus ojos me invadieron
de aroma y de sol.
El viento,
inmóvil, nos miraba:
fue aquél mi primer beso.
Soñar, siempre soñar,
que vuelvo a todo aquello,
lo que dejé y ya nunca
lo encontraré al regreso.”

15
Jun08

Clientes vão pagar dívidas incobráveis da EDP

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"Até agora, EDP tinha de assumir a totalidade dos custos com as dívidas incobráveis. A situação vai mudar a partir de 2009. Os consumidores vão partilhar este risco com a eléctrica. Em causa estão valores entre 0,2% a 0,3% da facturação total. Em 2007, foram 12,5 milhões de euros"

Que pena eu não ter golpe de génio como este! Ainda dizem que não temos iniciativa, que não somos empreendedores, pura mentira. Ainda dizem que não somos solidários, outra mentira. Querem melhor solidariedade do que pagar as dívidas dos outros? A dívida da sua casa está a custar a pagar? What's the problem? Então não estamos aqui nós para pagar?
Não querem lá ver os prosas! É tão certo, tão certo que eu vou pagar como sair-me o euro-milhões! Como diria a minha amiga Creuza estes caras têm conduta de moleque.

Tinha que ser logo ao Domingo a apanhar com esta vagabundagem! Desculpem estar assim tão azedo, mas caramba, paciência também mói.

Por falar da Creuza, lembrei-me da outra, da Maria e aqui a deixo conjuntamente com Vinicius e Toquinho para amaciar o dia.

 

 

15
Jun08

A Europa dos patrões

salvoconduto

 

 

Manuel António Pina
JN 11/06/2008

"A semana de trabalho de 48 horas era um direito social com 91 anos. De uma penada, a UE acabou ontem com ele. Agora, a semana de trabalho poderá ir até às 60 horas ou, no caso dos médicos e outros trabalhadores, até às 65.

E, sendo uma média, um trabalhador poderá mesmo ser convencido "livremente" pelo patrão a trabalhar até 78 horas por semana, o que representa mais de 11 horas por dia, domingos incluídos (ou, se o patronato for suficientemente generoso para continuar a "conceder" uma folga ao domingo, 13 horas por dia).

A proposta resulta de pressões antigas do Reino Unido, onde floresce a chamada "3.ª via socialista", e teve durante anos a oposição de França, Itália e Espanha, que constituíam uma minoria de bloqueio.

Com Berlusconi em Itália e Sarkozy em França, o novo "socialismo liberal" conseguiu levar por fim a sua avante e impor definitivamente a Europa dos patrões à Europa social.

Seguir-se-ão agora decerto os salários e as condições de higiene no trabalho. Com defensores dos direitos sociais como alguns partidos ditos "socialistas", para que são precisos partidos de Direita?"

 

Não é por acaso que PSD anda tão em baixo...

13
Jun08

E agora?

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Agora as chantagens vão continuar, aumentar até. Os fariseus não descansarão enquanto não impuserem rapidamente outro referendo que, seja a que custo fôr, imponha a vontade do sim.
Sócrates esse já não se safa desta mancha na sua "
carreira política".

13
Jun08

Aí estão as férias, e os animais?

salvoconduto

As férias aproximam-se, os abandonos também. Como a cada ano, um cão, um gato vai ser abandonado, ao longo de uma estrada qualquer. Já todos conhecemos  a cena: o pobre animal não desconfia e mal sai do carro este arranca a toda a velocidade. Começa o caminhar errante, a vida em perigo, a morte pela certa.

Foi um companheiro, uma presença. Quando se tornou numa carga, num estorvo, num problema, desembaraçámo-nos dele. Há sempre alguém que diz: "Porquê preocuparmo-nos, é um animal, não é? E depois, deixar um animal na natureza, não é um crime."
Mas é, para isso existe a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada em Paris, em 1978, que no seu artº. 6º estipula:


a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem o direito a uma duração de vida, conforme a sua natural longevidade.
b) O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.
 

Ao escrever estas linhas dou-me conta que o meu cão, Pitosga de seu nome, permanece fiel a meu lado há quinze anos. 

12
Jun08

À bomba!

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É à bomba de gasolina que se dirigem milhares de condutores enquanto dura o protesto dos camionistas.

Se por um lado se pode fazer analogias com a greve que acabou por conduzir ao derrube de Salvador Allende, por outro não devemos esquecer que grande parte dos camionistas em greve, quase ou só, se representam a si próprios e em muitos dos casos de empresas familiares se trata, pelo que este businão deveria ser encarado com olhos de realidade.

Se o businão da ponte teve "legitimidade" e acabou por derrotar Cavaco o que tem de menos legítimo este?

Acaso estamos com racionamento de gasolina, acaso estamos com falta de cuidados primários e de produtos de primeira necessidade? Dir-me-ão que para lá se caminha, ao que eu contraponho: só se o governo quiser!!!

Porque não taxar devidamente as empresas petrolíferas, pelos seus lucros obscenos, e com essas taxas apoiar as actividades mais vulneráveis?
Porque não eliminar as isenções tributárias concedidas às empresas petrolíferas?

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