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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

21
Ago08

Ex-escrava é nova ministra paraguaia

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Uma indígena sequestrada aos 4 anos "por brancos" que a venderam como escrava faz agora parte do gabinete do novo presidente Paraguaio, Fernando Lugo. Margarita Mbywangi, de 46 anos, teria sido raptada quando vivia na selva paraguaia e trabalhou para famílias de fazendeiros ricos antes de recuperar a liberdade e se transformar na primeira mulher chefe da tribo Aché. Ela contou a sua história, no Palácio de Governo, em Assunção, logo depois de ser nomeada por Lugo para o cargo de Ministra de Assuntos Indígenas.

"Os brancos raptaram-me na selva e fui vendida várias vezes a famílias de fazendeiros", revelou a ministra aos jornalistas que escutaram o seu surprendente relato.

"À medida que ia crescendo, os meus amos diziam-me que eu era indígena. Não conhecia o significado da palavra, mas lendo e relendo inteirei-me que sou filha da terra, filha da selva, uma filha da história deste país".

"Hoje não tenho rancor dos fazendeiros porque graças a eles pude aprender a ler e escrever", disse Margarita, explicando que o melhor que lhe aconteceu nesse período foi ir à escola. "É por isso que falo três idiomas: aché, guarani e espanhol".

Mbywangi contou que começou a procurar as suas origens quando tinha 20 anos. "Até que encontrei a minha gente na comunidade Chupapou", disse.

Até o fim da ditadura de Alfredo Stroessner (1954 - 1989) era relativamente comum no Paraguai a prática conhecida como "criadajo", na qual mães pobres entregavam seus filhos para servirem ricos fazendeiros que, em troca, as educavam. Há denúncias de que tal prática ainda existe em algumas regiões do país.

As organizações feministas lutam contra a figura de "criadajo", porque no caso das raparigas, geralmente acabam em gravidez precoce.

Mãe de três filhos, não está casada por qualquer igreja ou registo civil, mas disse estar casada de acordo com os costumes da sua etnia.

Esta é a primeira vez que um membro da comunidade indígena é indicado para cuidar das questões destes povos no Paraguai.

"Lutarei, na minha posição de ministra, para conservar os bosques naturais. Para o indígena, a selva é a sua mãe, a sua vida, o seu presente e futuro", especificou Mbywangi.

Merece bem o presente e o futuro, quer ela, quer Lugo, quer o Paraguai.

20
Ago08

A canção como tortura

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Sessões de 14 a 27 horas, duas vezes por semana, a escutar "Born in the USA" de Bruce Springsteen ou Britney Spears a todo tempo, é parte das torturas que sofrem os presos em Guantánamo.

Clive Stafford, Justine Sharrock e os impulsionadores da Mothe Jones.com, tiveram acesso a uma lista de canções que os carcereiros da base utilizam para torturar o prisioneros. Algumas, mais conhecidas como "Born in the USA", de Bruce Springsteen, e outras, menos, como Dirt, de Christina Aguilera. No top ten da tortura estão canções de Britney Spears, Magic Numbers, Rage Against the Machine, Metallica, David Gray, o clássico infantil Dinossaurio Barney ou Nancy Sinatra.

O procedimento é meticuloso: metem o prisioneiro num pequeno habitáculo, obrigam-o a adoptar a denominada "posição de stress", na qual não se podem mover os braços nem as pernas, e sobem o ar condicionado até ao nível de congelação. De seguida, põem a canção e puxam o volume ao máximo. As sessões podem durar entre 14 e 27 horas, duas ou três vezes por semana.

O psiquiatra e ex-brigadeiro do exército dos Estados-Unidos Stephen Xenakis, uma das vozes mais relevantes contra este tipo de tortura, adverte a esse respeito: "Os danos psicológicos são incalculáveis. Conduz-se o cérebro ao mesmo nível de ansiedade do síndroma de stress pos-traumático".

Pouco importa que o Tribunal Europeu para os Direitos Humanos condenasse em 1978 este tipo de prácticas, empregadas pelos serviços secretos britânicos no princípio da década de setenta contra prisioneros relacionados com o Exército Republicano Irlandés (IRA). Ou que, em 1997, o Comité contra a Tortura das Nações Unidas o tenha considerado "inaceitável". Até o Supremo Tribunal israelita chegou a reprovar em 1999 o uso deste tipo de interrogatórios.

O certo é que a CIA tem aplicado, sem discrição, o "tratamento musical" desde 1963. Ao que parece, os prisioneiros estão dispostos a dizer qualquer coisa para evitar o sofrimento. O uso da música (melhor dito, do som) como arma foi aprovado com o denominado Kubark Counterintelligence Interrogation, um protocolo que se difundiu rapidamente pela Ásia e América-Latina, como denunciou a Amnistia Internacional.

A última ocasião em que a "disco-inferno", como alguns jornais ingleses chamaram a esta peculiar técnica de interrogatório, se converteu em notícia foi em 28 de Fevereiro de 1993, quando a ATF, uma agência federal dos Estados-Unidos, decidiu submeter os membros de uma seita em Waco (Texas) a vários dias de música com o volume no máximo, com o objectivo de os fazer sair sem resistência do rancho que ocupavam. Tratava-se de um procedimento que já tinha sido posto à prova em 1989 com Manuel Noriega durante a invasão do Panamá, mas a táctica musical nesta ocasião não foi demasiado efectiva: o assalto ao templo dos seguidores de David Koresh culminou com a morte de mais de 90 pessoas, entre pessoal da ATF e membros da seita.

O compositor britânico David Gray acaba de afirmar que lhe parece "intolerável" que utilizem a sua canção "Babylon" para fins tão "degradantes", e incita todos os artistas que aparecem na lista a tomarem medidas. O mesmo decidiram bandas como os Massive Attack, Magic Numbers e o Rage Against the Machine. Tom Morello, guitarrista destes últimos, manifestou um "absoluto desgosto" por facto de terem utilizado "canções da nossa banda para coisas tão indignas como a tortura".

Tudo isto a bem da cultura, claro!

19
Ago08

Será desta?

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Lula propõe que se use dinheiro do pré-sal "com os pobres"

O presidente Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) que os recursos da mega-jazida de petróleo na camada pré-sal (ver no fim do post a foto para perceber o que é a camada "pré-sal") devem ser usados "com os pobres, que não são poucos”. Para Lula, é preciso discutir "quem vai explorar esse petróleo, se o lucro vai ficar apenas para uma empresa ou se parte desse lucro vai ficar para fazer as reparações históricas”.

"O que vamos fazer com esse petróleo? Vender pura e simplesmente, quem quiser vir aqui tirar petróleo que venha e pode levar o quanto quiser?”, perguntou Lula, para em seguida responder: “Não. Deus não nos deu isso para que a gente continue fazendo burrice. Deus deu um sinal. Mais uma chance para o Brasil”, afirmou Lula, ao discursar em Barcarena, no Pará.

"O petróleo é da União"

Lula entrou na polémica aberta no país, sobre o que fazer com a mega-jazida descoberta em Dezembro último (as alternativas: entregá-la à Petrobras ou criar uma nova empresa, 100% estatal). "Encontrámos petróleo no pré-sal. Alguns acham que o petróleo é da Petrobras. O petróleo é da União, a Petrobras é da União embora tenha acionistas menores. Vamos fazer o quê, vender simplesmente?"

A controvérsia sobre o que fazer com os recursos está a aquecer. Nesta quarta-feira, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que Mudança de regras revolta os acionistas (da Petrobras). O texto classifica de "complot" a ideia de que "devemos aproveitar esses recursos extraordi- nários para investir em educação".

Hora de pagar a dívida com os pobres

O presidente brasileiro voltou a lembrar que o país tem “uma dívida histórica com a educação do seu povo, com os pobres, que não são poucos. É preciso que a gente aproveite esse momento e tente discutir como vamos utilizar esse petróleo, quem vai explorar esse petróleo, se o lucro vai ficar apenas para uma empresa ou se parte desse lucro vai ficar para fazer as reparações históricas”, completou.

De acordo com Lula, os jovens brasileiros farão parte de uma geração que verá o país crescer por pelo menos 15 anos consecutivos. Mas o presidente também criticou a desigualdade histórica de investimentos nas regiões brasileiras. “Aí o Brasil vai ficando inchado de um lado, aquele amontoado de riqueza cercado de pobres por todos os lados. Nordeste e Norte foram vítima desse pensamento”, disse o presidente.

Será desta que Lula toma o caminho certo? Fico a torcer para que siga o "sinal que Deus lhe deu" e não faça burrice... 

 

18
Ago08

Cancun, paraíso para os turistas, inferno para os Mexicanos

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Quando o Instituto das Estatísticas mexicano (Inegi) anunciou à imprensa que a taxa de suicídio mais elevada da república mexicana se encontrava em Cancun, instalou-se como que um silênco entre os jornalistas, depois os murmúrios de incompreensão. Como? Suicidam-se mais à beira deste paraíso, mais do que no inferno da cidade Juarez ou de Tijuana, essas cidades fronteiriças presas nas garras dos narcotraficantes e cheias de fábricas?

«Parece que o paraíso não é para todos», respondeu, laconicamente a encarregada do estudo.

Um estudo complementar foi também realizado pelo Observatório da Violência Social em Cancun. A pergunta: porque é que a taxa de suicídio em Cancun (9,8) é quase o triplo da taxa de suicídio nacional (3,4)? Nos seus gabinetes da Universidae das Caraíbas, os investigadores não estão admirados com o resultado. Eles vivem desde sempre em Cancun, a verdadeira Cancun, como explica Celina Izquierdo, socióloga:

"A maioria dos mortos por suicídio trabalham no turismo e têm em média trinta anos. Eles chegam aqui com a esperança de uma vida melhor, mais ainda quando diante deles, há toda essa riqueza, totalemente inacessível e que nunca tinham visto. Eles estão longe da família, embriagam-se."

A primeira Cancun, uma longa avenida de quatro vias ao longo de uma praia de 22 km de comprimento: 26 000 camas de hotéis que já não deixam ver o mar. As piscinas, os campos de golfe, as marcas de luxo e os espaços verdes. Esta zona é maioritariamente artificial, construida numa fina orla de praia entre o mar e e lago. 95% dos mangais originais, que protegiam dos furacões, desapareceram.

A segunda Cancun, é uma cidade de 700 000 habitantes, que cresceu em trinta e cinco anos e que bateu um outro recorde do México – o crescimento demográfico mais alto – cerca de 5%.

Cada família que desembarca em Cancun instala-se onde pode, umas folhas de zinco e um buraco paras WC. A rede de água cristalina, que está por baixo, está hoje inutilizável. A esta poluição, juntam-se as toneladas de fertilizantes dos campos de golfe, todos permeáveis para o sub-solo. Resultado: a água destinada aos hotéis é bombeada de cerca de 50 km da cidade e transportada por aquedutos.

Ao contrário, os dejectos dos turistas são empilhados no meio desses quarteirões. Solução apresentada com «provisória» em razão da proximidade das habitações, passou a definitiva.
Cancun despeja por dia 750 toneladas de dejectos: metade provém dos 700 000 habitantes, a outra metade das 26 000 camas de hotéis…

Os trabalhadores não recebem mais do que o salário mínimo, insuficiente para viver em Cancun onde os preços são, em média, 15% mais altos do que em qualquer outro lugar. As cadeias de hotéis, em toda a ilegalidade, utilisam os contratos temporários de 28 dias, sem protecção social, renovados depois de 3 dias de pausa, como testemunha Alejandro, massagista num hotel:

«No dia em tu assinas um contrato, assinas ao mesmo tempo a carta de demissão dentro de 28 dias. Eles fazem tudo isto e se tu dizes qualquer coisa vais para uma "lista negra". Será impossível então encontrares trabalho em toda a Riviera Maia.»

Os trabalhadores de pés e mãos atadas, os sindicatos comprados e as autoridades fecham os olhos. Assim vai Cancun, e assim vai cada vez pior a vida sob o Sol das Caraíbas.

Não sei o que me deu para partilhar isto convosco em época de férias, talvez a esperança de que alguns de vós dediquem uns minutos a olhar em volta , quando lá forem.

16
Ago08

Leu o post de ontem? Agora leia este

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A imagem do corpo semi-nú de uma jovem prostituta africana, sujo e abandonado no solo de uma cela do quartel de polícia de Parma (norte de Itália) só nos pode causar emoção ou revolta. Desde que o diário "La Republica" publicou na terça-feira esta fotografia dramática, representantes políticos e associações de direitos humanos têm denunciado as medidas adoptadas pelo Governo de Silvio Berlusconi para aumentar a "segurança" e o "decoro" das cidades.

"Talvez tenha tido uma crise de nervos" explica o conselheiro de segurança...

Trata-se de uma mulher nigeriana, detida na noite de 9 Agosto no decurso de uma operação anti-prostituição levada a cabo na presença de jornalistas, fotógrafos e do conselheiro de segurança de Parma, Constantino Monteverdi.

O Partido Radical, na oposição, manifestou ante-ontem a sua indignação e enviou um questionário ao Ministério do Interior para ober mais dados sobre o ocorrido. Numa carta aberta, dois senadores preguntaram, entre outras coisas, "se não considera o Ministério do Interior que este tipo de intervenções devem estar em conformidade com as leis e se as pessoas sujeitas a restrições temporárias de liberdade não têm o direito a ser tratadas dignamente".

Junto com a carta seguiu a foto da jovem prostituta para o presidente do Senado, Renato Schifani, que pediu explicações ao chefe da polícia de Parma. "Quem quiser adoptar o princípio da tolerância zero deve fazê-lo sem esquecer nunca a defesa da dignidade das pessoas e a sua privacidade", e acrescentou: "A dramática foto publicada pode trasmitir uma má imagem do nosso país e do que se está a fazer para a ordem pública e respeito pelos direitos humanos".

No pacote de segurança, uma série de reformas para a ordem pública aprovadas em Julho pelo Governo de Berlusconi, estão previstos poderes especiais para os alcaides das cidades para intervir em situações de emergência contra mendigos e prostitutas. O conselheiro da Segurança de Parma excluiu no entanto que se trate de uma medida de emergência: "São controlos normais", disse Monteverdi. "No verão, com o calor, as prostitutas vestem-se com muito pouca roupa, andam pelo centro da cidade e as pessoas queixam-se, por isso as controlamos mais e concluiu assegurando que "nunca tinha sido tratada tão bem: os polícias até lhe ofereceram roupa e o pequeno-almoço"...

Na semana passada, também gerou polémica a notícia de que o alcaide de Roma, o pro-fascista Gianni Alemanno, está a estudar a possibilidade de proibir os mendigos de remover dentro dos contentores de lixo.

O semanário católico Família Cristã voltou a atacar duramente o Governo de Silvio Berlusconi pelas suas iniciativas em temas como segurança e controlo da imigração. No editorial que sairá no próximo número, expressou a esperança de que "não seja fundada a suspeita de que em Itália está a voltar a nascer o fascismo debaixo de outras capas".

Eu sei que insisto na afirmação de  que há demasiada intolerância para com os imigrantes, por certo haverá quem justifique esta acção com o facto de ser prostituta, ou imigrante ou até preta, a esses simplesmente lhes digo: tenham vergonha!

Fonte: La Republica

15
Ago08

Vendedor de "kleenex"

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Dom Amby Okonkwo, um imigrante nigeriano de 44 anos, não duvidou em devolver uma carteira que tinha encontrado, na rotunda de Sevilha aonde vende lenços de papel. Depois de saber que continha 2.700 euros, disse que não teria sido feliz gastando esse dinheiro.

Esta quarta-feira pela manhã, o jovem entregou aos agentes da Polícia Nacional uma carteira de pele que encontrou momentos antes numa rotunda. Continha, para além do dinheiro em numerário, um cheque no valor de 870 euros, um talonário de cheques, um cerificado de aforros, assim como documentação pessoal e empresarial.

"Não a abrimos porque não estão acostumados a apanhar ou abrir coisas que não sejam nossas."

"Quando me disseram que a carteira que devolvi tinha 2.700 euros pensei que era muitíssimo dinheiro, mas o dinheiro não faz a minha cabeça nem o meu coração, e gastá-lo ter-me-ia feito feliz no momento, mas ter-me-ia feito sofrer toda a vida", confessou Amby.

Depois de comprovar a soma de dinheiro, os agentes investigaram a documentação e assim encontraram Fernando.P.G., um homem sevilhano de 68 anos, "naturalmente nervoso" pelo sucedido horas antes. "Circulava de mota pela estrada, depois de realizar um trabalho", relata a nota policial sobre o extravio.

Segundo contaram, o dono procurou Amby Okonkwo e depois de lhe preguntar se tinha sido ele quem tinha devolvido a carteira, agradeceu-lhe e deu-lhe 50 euros. Este dinheiro gastá-lo-á com o seu filho de cinco anos, com quem vive há um ano e meio em San Juan de Aznalfarache, uma localidade próxima de Sevilha, comentou.

O nigeriano continuava esta quarta-feira de tarde a vender lenços de papel, com  40 graus de temperatura, no semáforo onde o faz habitualmente, ao lado do local onde encontrou a carteira.

O seu companheiro Kingsley Kene Odigbo, que também vende lenços de papel, destacou por sua parte que graças a esta acção espera que a opinião das pessoas mude face aos estrangeiros, "porque há muitas pessoas que pensam que não somos bons, e eu digo-vos que somos".

Eu não só penso que sim como também penso que há demasiada intolerância face aos imigrantes.

Fonte: Elmundo

14
Ago08

Envenenando os pobres

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Provavelmente um dos últimos lugares do mundo onde pensariamos encontrar "lixo tecnológico", causando uma terrível poluição tóxica, seria num país como o Ghana, mas é verdade.

O Ghana transformou-se no caixote do lixo dos produtos electrónicos do ocidente. Os níveis de contaminação com químicos tóxicos são muito elevados.

A sempre crescente procura do último modelo de telemóvel, ecran plano de tv ou computadores super-rápidos cria cada vez mais enormes quantidades de material electrónico obsoleto que está muitas das vezes impregnado de tóxicos químicos como o chumbo, mercúrio e retardantes de chamas.

Em vez de ser reciclado, muito deste "e-lixo"  é despejado em países sub-desenvolvidos.

Este lixo está a ser exportado, na maior parte das vezes ilegalmente, da Europa e Estados-Unidos para o Ghana.

Nos aterros, trabalhadores sem protecção, muitos deles crianças, desmantelam computadores e tvs na procura de metais que possam ser vendidos. O que resta, plástico, cabos, caixas ou é queimado ou simplesmente enterrado.

As crianças queimam os cabos electrónicos e outros componentes de forma a derreter o plástico e assim poderem retirar os fios de cobre. Desta queima em pequenas fogueiras são libertados químicos tóxico para ambiente, "a bem da humanidade."

É este o admirável mundo novo de que fazemos parte...

13
Ago08

Ainda não tomou posse e já lhe minam o terreno.

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O recém eleito presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, que assume a presidência no próximo dia 15, denunciou um plano para desestabilizar o seu governo. Em entrevista à BBC Mundo, indicou que a empresa distribuidora de petróleo, Petropar, reduziu o fornecimento do combustível e o mesmo está sucedendo com o abastecimento de produtos básicos de saúde para os hospitais. Lugo fez um apelo à solidaridade internacional, em especial, aos países produtores de petróleo.

As novas autoridades estão a tentar firmar um acordo com a companhia Petróleos da Venezuela SA (PDVSA) com o fim de assegurar o fluido energético perante o boicote do governo prestes a cessar funções.

Segundo o próximo vice-presidente do país, Federico Franco, receberam informações concretas sobre planos tendentes a provocar uma situação de instabilidade no país a partir dos primeiros dias do governo que vai tomar posse.

O caso do combustível é uma denúncia formal e concreta da Associação de Propietários e Estações de Serviço, (APESA). 

Lugo assinalou que nos primeiros 100 dias que o povo será informado dos diferentes programas nas áreas da saúde, educação, redução da pobreza. Implementar-se-ão programas médicos de emergência dirigidos especialmente à população indígena “que está a viver em extrema miséria, sem meios de comunicação, sem medicamentos, sem educação, sem roupas, sem trabalho, sem alimentação."

Uma das medidas centrais do seu governo é a chamada Reforma Agrária Integral. Esta será levada a cabo mediante um diálogo aberto entre os camponeses sem terra, as instituições estatais, os técnicos e os donos das grandes extensões de terra. 

“Trata-se de construir um modelo consensual que convenha a todos”, reafirmou Lugo.

O programa do novo governo paraguaio contempla seis eixos programáticos: “reforma agrária, reactivação económica, justiça independente, recuperação da institucionalidade da República, plano de emergência nacional e recuperação da soberania”.

Fernando Lugo esqueceu-se no entanto de um sétimo eixo: o que fazer para que o poder instalado aceite os resultados eleitorais e as regras democrática após tantos de ditadura.

As pessoas que detiveram o poder por tanto tempo, não aceitarão que a mudança em que os cidadãos votaram em 20 de Abril se realize de forma tranquila, de forma progressiva.

O que Fernando Lugo Também não pode esquecer é que o Paraguai tem a "honra" de ocupar o primeiro lugar na lista dos países mais corruptos do mundo, tem portanto pela frente uma longa e árdua tarefa.

12
Ago08

Evo Morales venceu o referendo na Bolívia

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Evo Morales venceu o referendo de ontem destinado a reconfirmar ou não a sua presidência na Bolívia. A busca por melhores condições de vida para os pobres continua assim na ordem do dia naquele país, mesmo contra a forte oposição daqueles que, apoiados pelos Estados-Unidos, tudo apostam para o derrubar.

Retenho a reportagem de Fernando Damasceno, jornalista brasileiro, no dia que precedeu o referendo:

Nas ruas de La Paz, os porquês para votar (ou não) em Evo

O jornalista abordou 14 pessoas. Todas manifestaram seu voto abertamente, com graus diferentes de interesse político. Apenas duas senhoras disseram que optarão pelo “não” à continuidade do mandato de Evo.

Dois dos que se declararam a favor do presidente trabalham como engraxadores nas redondezas da Igreja de São Francisco. Miguel e Carlos têm 18 e 20 anos, respectivamente. Cobram 1 boliviano (1 Euro equivale a 10 bolivianos) para executar seu trabalho e dizem que vão votar em Evo devido às mudanças pelas quais o país passa. “Quero que minha filhinha possa estudar”, diz Miguel, o menos falador. De há uns anos para cá o povo tem sentido que as coisas estão a mudar”, comenta Carlos.

“Mudança”, é a palavra mais ouvida pela reportagem. As pessoas falam das mudanças pelas quais a Bolívia vem a passar e atribuem a elas a sua escolha no referendo. A vendedora Lourdes Morales, parente de Morales, cita a política de educação colocada em prática nos últimos anos para justificar seu voto. “É cada vez mais difícil encontrar um analfabeto. Finalmente alguém enfrentou os ricos deste país”, afirma.

Os votos pelo “não”

Na loja ao lado da qual a parente distante de Evo trabalha, a reportagem encontrou a primeira cidadã que declarou votar pelo “não”, após seis abordagens. Fanny, dona de uma pequena loja de doces e refrescos, deixou claro o que pensa sobre a situação política boliviana. Ela não tem críticas directas ao presidente, mas sim a seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS). Tenho que admitir que Evo fez boas coisas para os pobres, mas veja a tensão que existe em alguns estados. Não gosto desse clima de violência criado pelos seus partidários”, explica.

A outra senhora que não votará em Evo Morales inverteu o papel do repórter, ao iniciar a conversa na fila de um banco – algumas agências bancárias abrem aos sábados até as 13h. Nervosa por ter acabado de ser obrigada a tirar seu espalhafatoso chapéu - “por motivos de segurança”, segundo o segurança que a abordou -, Rosa, de cerca de 50 anos e com uma forte tintura loira nos cabelos, diz em tom sussurrante que é esse o resultado de dar poderes aos índios”.   

Ao saber que o repórter era brasileiro, Rosa sorriu e voltou a falar baixo, em tom de confidência: No Brasil quase não há índios, pois não?”. Desnecessário perguntar a respeito de seu voto...

Os mais exaltados

Após conversar com um vendedor ambulante de livros usados e duas vendedoras de frutas (todos apoiantes de Evo), a reportagem ouviu os dois defensores mais exaltados do presidente.  O taxista António Camacho foi directo ao ponto: “Claro que voto ‘sim’. Evo faz um bom governo, com erros e acertos, mas enfrenta os ricos e defende-nos a nós, que precisamos trabalhar muito para viver.”

O micro empresário Lucho (“não falo meu nome para estrangeiros... Lucho é o bastante!), dono de uma loja de presentes numa galeria na rua Santa Cruz, afirmou que pegaria em armas para defender o governo. Sou contra as oligarquias do mundo. Você é do Brasil? Se preciso, vou a seu país para acabar com eles. Aqui, as pessoas vivem na miséria por causa de poucos. Isso tem que mudar. Por isso voto a favor de Evo”. 

 

Mais um "ditador" que põe o seu cargo perante a vontade do povo, longe da época de eleições, interessante não é?

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