Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Está visto, ainda têm muito que caminhar no Equador

No meio uma escalada de confrontação entre a Igreja Católica e o Governo, realizaram-se três missas ao ar livre, em Guayaquil, cidade costeira com a maior populacão equatoriana, para orar e pedir que "se ilumine a consciência dos católicos" frente ao referendo de uma nova Constituição, convocado para o próximo dia 28 de Setembro.

O presidente Rafael Correa, um jovem socialista, católico praticante, denuncia que a cúpula da Igreja Católica, "que não conhece Deus", está a defender a classe oligárquica e os grupos económicos do país ao promover o voto pelo 'não' e acusa-a de o ter traído e "cravado um punhal nas costas".

A confrontação entre a Igreja e o Governo entrou em cena no meio de uma campanha eleitoral polarizada para aprovar ou rejeitar um novo texto de Constituição, redigida por uma Assembleia Constituinte, que, segundo diz no seu preâmbulo, pretende construir uma nova forma de convivência cidadã, para alcançar o "sumak kawsay", palavra 'quichua' que significa 'bem viver'.

Os prelados tornaram público o desacordo com quatro pontos "não negociáveis" do projecto constitucional que se contrapõe com a fé católica e chamaram os paroquianos a meditar sobre o seu voto, o que significa uma clara campanha pelo "não".

Segundo a Igreja o novo texto tem um marcado intervencionismo estatal que violenta a creatividade das pessoas e da sociedade; não se reconhece claramente o direito à vida desde a concepção e deixa aberta a porta para o aborto; violenta a liberdade de ensino; atenta contra a família ao reconhecer a união estável e monogâmica de duas pessoas sem diferenciar o sexo".

A reacção de Correa foi imediata. Pediu aos cidadãos que, durante as missas, se levantem e chamem mentiroso ao sacerdote que assegure nos seus sermões, que o novo projecto constitucional "é abortista ou promove o matrimónio homosexual".

María Isabel Morán, militante de um movimento de esquerda, interpôs uma queixa penal contra monsenhor Arregui, acusando-o de desrespeitar o tratado celebrado entre o Equador e o Vaticano em 1937, no qual a Igreja se compremeteu a abster-se de fazer política.

Pese embora este panorama, o director da empresa de sondagens SP Investigações, sustenta que 57% dos equatorianos votará 'sim' apesar de mais de 80% dos equatorianos serem católicos.

Segundo outra empresa "Informe Confidencial", o 'sim', segundo as suas sondagens está em 56%.

Com estes resultados Correa, que asumiu o poder em janeiro de 2007, poderá conseguir um novo triunfo político que lhe permitirá concretizar mudanças profundas para uma nova estrutura jurídica, económica e social do país, tal como foi sua promessa na campanha.

Se a igreja fosse assim tão aguerrida contra a fome, contra a miséria, contra a ditadura...

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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Berlusconi veta filme de Oliver Stone sobre Bush

O novo filme do cineasta norte-americano Oliver Stone sobre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não inaugurará o Festival de Cinema de Roma, porque "não agrada" ao primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, segundo publica o diário La Republica.

"W", assim se chama o filme protagonizado por Josh Brolin, e que narra como Bush passou de jovem alcoólico a presidente dos Estados Unidos, tinha sido eleito para inaugurar o festival, que se celebrará de 22 a 31 de Outubro.

O diário La Republica recolhe as declarações de uma porta-voz da agência britânica DDA, que se ocupa da promoção do filme de Stone, nas quais se assegura que a exclusão da fita foi porque a Berlusconi, grande amigo de Bush, "não lhe agradava" que se projectasse em Roma. "Estávamos a negociar com o Festival de Roma, quando os organizadores nos informaram que Berlusconi era um grande partidário de Bush e que não lhe tinha agradado que um filme como este inaugurasse o festival", explicou Cristelle Dupont, porta-voz da DDA.

Segundo o jornal italiano, a agência decidiu então oferecer a projecção do filme ao Festival de Cinema de Londres, que o projectará no próximo dia 23 de Setembro.

O novo alcaide de Roma, expoente do partido pro-fascista Alianza Nacional (AN), Gianni Alemanno, já aqui falei dele, anunciou que na terceira edição do Festival, criado há dois anos pelo seu antecessor Walter Veltroni, se potenciará a presença de filmes italianos...

Tão amigos que eles são...

Há sentimentos que se estão a entranhar na sociedade italiana que dão que pensar, nem o futebol escapa, não é que Pietro Lo Monaco, administrador-delegado do clube italiano Catania , não gostou de ouvir o treinador português dizer que o Inter devia ter vencido o Catania por 5-1 e respondeu dizendo que Mourinho «é daqueles que se deviam tratar à bastonada nos dentes».  O dirigente disse ainda que Mourinho não tinha respeito pelo país que o recebeu.
Mourinho que se cuide, com a "sede" que eles têm aos imigrantes...

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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Com 150 anos de atraso

"Charles Darwin: 200 anos depois do teu nascimento, a Igreja de Inglaterra deve-te uma desculpa por mal te interpretar e por, além do mais ter uma reacção equívoca, ter animado outros a não te comprender tão-pouco. Tratamos de praticar a antiga virtude da 'fé buscando a compreensão' e confiamos isto suponha uma reparação".

Com estas palavras a igreja anglicana pediu desculpas a Charles Darwin por se ter oposto de maneira "excessivamente emocional" à sua teoria da evolução, publicada em 1859 debaixo do título 'A origem das espécies'.

A declaração foi redigida pelo reverendo Malcolm Brown, o director de missão e assuntos públicos da Igreja de Inglaterra, publicada na internet, no próprio site da igreja anglicana, que promove as ideias de Charles Darwin.

Nela, os anglicanos admitem que se deixaram levar por "um fervor anti-evolucionista" e que actuaram de uma maneira "demasiado emocional e à defensiva" quando Darwin (1809-1882) expôs as ideias que romperiam com a interpretação da criação do mundo em sete dias, tal como está exposto no Génesis, depois completada com a obra 'A Origem do Homem' (1871).

"As pessoas e as instituições cometem erros e os cristãos e a Igreja não são a excepção", afirma Brown na declaração. "Não existe nada nas teorias de Darwin que contradiga os ensinamentos do cristianismo", acrescenta.

A Igreja de Inglaterra assinala também que, com a sua oposição a Darwin, repetiu o erro cometido pela Igreja católica no século XVII ao obrigar Galileu a retratar-se das teorias copernicanas, segundo as quais a Terra girava em torno do Sol, e não ao contrário, como sustinham as teorias de Ptolomeu, consideradas até então como ortodoxas.

A igreja católica, ah essa, está, neste momento, concentrada em Lourdes, no "supermercado da fé", como lhe chamam os franceses, à procura de mais milagres e onde cinco litros de água benta custam dois euros...Ali, o Papa entretem-se a arremeter contra o divórcio.

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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Visitar as capelinhas

Aviso desde já que este post é para eu próprio descomprimir, como apreciador dum bom vinho não pude deixar passar

A Catedral de Birmingham, no norte da Inglaterra, está a planear abrir um bar de vinhos para tentar atrair fiéis.

O projecto é do recém-contratado director de eventos da paróquia, Mark Hope-Urwin, que abandonou o cargo de executivo na famosa loja de departamentos inglesa John Lewis para trabalhar com a catedral.

Em entrevista à BBC, o decano assistente, Peter Howell-Jones, afirmou que o plano ainda está no estado inicial e que a viabilização do projecto irá depender de questões económicas e da aprovação da Assembleia da Catedral.

Ele diz ainda que a ideia de abrir um bar de vinhos faz parte de um processo maior que pretende atrair mais fiéis para a igreja e seria também uma forma de arrecadar fundos para a paróquia.

"Estamos a pensar como receber melhor as pessoas e fazer com que a catedral passe a fazer mais parte da vida da comunidade", afirmou Howell-Jones à BBC.

Ele conta que, desde que o projecto se tornou público, depois de algumas reportagens na imprensa britânica, a congregação ficou animada com a ideia. "Não houve nenhuma reclamação dos membros de nossa congregação", afirmou.

Segundo ele, não há "nenhum antagonismo em servir bebidas alcoólicas em catedrais anglicanas". A ideia, no entanto, parece não agradar a todos.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, o secretário-geral da Church Society, reverendo David Philips, afirmou que "abrir bares que servem vinho não parece um modo apropriado de gerar dinheiro". 

Parece que o velho hábito de "visitar as capelinhas" está de volta, pelo menos em Inglaterra. Mas como estas coisas em termos de igreja são universais, por certo que também cá chegará.

Se até Cristo gostava, a ponto de transformar a água em vinho... eu que até nem sou crente, neste particular, ainda lhe dou algum crédito.

Será desta que vou passar a ir à missa? Já estou a ver alguns a pedir uma hóstia e um copo de três.

É mais um "nicho de mercado" a explorar em época de crise...Já viram a quantidade de igrejas que há?

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Domingo, 14 de Setembro de 2008

Françoise Demulder, a primeira mulher que obteve o prémio World Press Photo


Françoise Demulder, a primeira mulher que obteve o prémio World Press Photo, galardão de fotojornalismo mais prestigiado do mundo, desapareceu aos 61 anos.

Uma foto em preto e branco tirada em 1971 em Beirute, durante a guerra do Líbano, depois do massacre de mais de 1.000 palestinianos pela milícias cristãs libanesas, na qual uma mulher coberta com um véu suplica ajuda diante de um soldado enquanto, nas suas costas, arde o bairro palestiniano da cidade, foi a imagem que a fez mundialmente famosa.

"Foi então que começou a odiar a guerra, mas sentiu-e obrigada a documentá-la, para mostrar que o inocente sofre sempre, enquanto o rico se faz mais e mais rico", disse ela à Fundação World Press Photo.

Foi inicialmente uma estudante de filosofia cujo interesse na Ásia a levou ao Vietname e ali começou a vender fotografias para cobrir as suas despesas. Estava presente em Saigão as forças comunistas tomaram a cidade em 1975 e venceram a América.

Em Outubro de 2003 foi hospitalizada com leucemia e perdeu uma perna. Fotógrafos de todo o mundo juntaram mais de 170 mil euros, leiloando fotos para a ajudar a pagar as despesas médicas.

Jean-François Leroy, director do festival de foto-jornalismo de Perpignan e amigo da foto-jornalista afirmou que "Françoise queria saber tudo, compreender tudo".

Demulder começou a sua carreira durante a guerra de Vietname, depois no Camboja e seguiu de muito perto o líder palestiniano Yasser Arafat.

O World Press Photo foi-lhe atribuido em 1977. Esta foto repre- senta uma página da história do Líbano, para não esquecermos nunca o horror das guerras.

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Sábado, 13 de Setembro de 2008

Apartheid no reino copta

Como é que médicos se podem opor à transplantação de órgãos, em que o único motivo é o dador e o receptor serem de religiões diferentes?

A ordem dos médicos egípcios acaba de fazer uma declaração que tem um sabor a fátua. Ela opõe-se à doação de órgãos entre pessoas de religião ou nacionalidade diferentes. Para se justificar, a ordem evoca um hipotético problema de tráfico de órgãos . "Não é normal que um copta faça uma doação a um muçulmano ou a inversa, como também não seria que um egípcio o fizesse para um habitante dos países do golfo ou da França. Tratar-se-ia de tráfico de órgãos ou pelo menos seria suspeito. Nós recusamos categoricamente.”

O pior deste argumento é que é suposto desmentir o carácter confessional da decisão.

A ordem é confessional precisamente nos termos que utiliza para se desculpar da acusação de confessionalismo. Não menciona os “habitantes do Golfo” e os “Franceses” senão para afogar o peixe. Na realidade, visa os coptas egípcios e muçulmanos e a sua linguagem confina-se ao racismo.

Não existe nenhuma prova para justificar a suspeita de tráfico. Somente a ideia que uma doação de órgãos entre muçulmanos e coptas fere a visão do mundo e do género humano que a ordem dos médicos elege como "norma". Segundo essa norma, está absolutamente excluído que um copta possa salvar um muçulmano, e vice versa, através da doação de

órgãos.

Essa norma retira dos seres toda a capacidade ou motivações humanas, como se a amizade, a generosidade e a compaixão não possam estar para além dos adeptos religiosos ou confessionais.

Tudo isto explica-se pelo facto de a obsessão por excelência dos racistas ser precisamente o corpo do outro. O racismo é essencialmente o desejo de o separar, estabelecer fronteiras entre os corpos. Para o fazer, eles definem o outro através das diferenças físicas. Se for preciso, se as diferenças não saltarem aos olhos, como a cor da pele, eles procuram outras, para fazer aparecer o outro como fundamentalmente diferente. Foi o que fizeram os

racistas europeus principalmente na época nazi. Eles chegaram mesmo a invocar a ciência, ou a pseudo-ciência, medindo os crânios, detalhando as formas do nariz, etc., a fim de estabelecer as diferenças físicas "objectivas" do outro.

Ora a ciência e a medicina abrem novas perspectivas de mistura entre raças e religiões. Os métodos de transplantação permitem consequentemente a interpenetração dos corpos. Porquê as insónias dos apóstolos do apartheid que dirigem a ordem dos médicos egípcios?

O que é grave, é que esta criminalização da doação de órgãos entre adeptos de religiões diferentes emana de uma ordem cujos membros fizeram o juramento de Hipócrates e que exercem uma profissão que deveria ser a mais humanista de todas: a medicina.

 

Fonte: Al-hayat

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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Chávez promete apoio armado à Bolívia se Morales for derrubado

 O referendo que confirmou esmagadoramente Evo Morales como presidente da Bolívia não consegue calar os separatistas da direita daquele país, nem a acção costumeira dos Estados-Unidos face aos países da america latina.

Apenas trinta dias decorreram, a Bolívia vive à beira de um golpe de estado e a solidariedade vem-lhe de outro país do "Eixo da Esperança".

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira que, se o presidente boliviano, Evo Morales, fosse "derrubado do poder" ou "morto", haveria "sinal verde para apoiar qualquer movimento armado na Bolívia".

Chávez alertou que o seu governo se considera autorizado a intervir na Bolívia e "realizar mobilizações de qualquer tipo" no país, se a oposição der um golpe de Estado contra Morales.

"Se derrubarem ou matarem Evo, os golpistas da Bolívia sabem que estariam me dando luz verde para apoiar qualquer movimento armado na Bolívia", afirmou Chávez numa mensagem, transmitida pela TV estatal da Venezuela.

Chávez garantiu que seu governo "quer a paz", mas que está disposto a "exigir respeito" para os governos e lideranças legítimas da América Latina. "Se a oligarquia financiada e armada pelo império dos Estados-Unidos derrubarem algum governo nosso, teríamos luz verde para iniciar operações de qualquer tipo para restituir o poder ao povo nesses países irmãos", afirmou.

"Quero que nossos governos e países vizinhos saibam: nós queremos paz, mas não estamos dispostos a morrer como Simón Bolívar em Santa Marta (Colômbia), nem como Allende no palácio de la Moneda", acrescentou Chávez.

Há duas semanas, ocorrem protestos contra Morales em cinco dos nove departamentos da Bolívia. Os governadores oposicionistas reclamam da redução do repasse de um imposto petrolífero, cujas verbas foram destinadas a um programa nacional de assistência aos idosos.

Manifestantes contra o governo invadiram e saquearam prédios estatais, enquanto camponeses e sindicalistas que apoiam Morales cercaram Santa Cruz pedindo a renúncia do governador oposicionista do departamento, Rubén Costas, tido como o principal líder dos protestos anti-Morales. Nesta quinta-feira, a onda de violência tinha feito quatro mortos.

Entretanto Morales declarou o embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg, "persona non grata" e ordenou a sua expulsão do país, acusando os EUA de estarem por trás da liderança dos protestos que abalam o seu governo.

Morales acusou Goldberg de apoiar grupos que fazem oposição e que têm iniciativas separatistas. Esses mesmos grupos promoveram dois ataques que danificaram gasodutos e prejudicaram o envio de gás natural para o Brasil.

Também o governo brasileiro reiterou nesta quinta-feira o apoio ao governo do presidente da Bolívia, Evo Morales. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, usou palavras duras contra as acções golpistas, que chamou de "actos terroristas intoleráveis". Disse que o Brasil não reconhecerá nenhum "intento de governo" que tente derrubar Evo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou esta manhã para Evo Morales para lhe prestar solidariedade.

É nas horas más que se conhecem os amigos bem como os "democratas" que rejeitam desta forma o resultado de eleições livres e que estão sedeados no "país da democracia" e nas perfeituras golpistas da Bolívia.

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Sem um pingo de vergonha

O governo iraquiano anunciou que pretende reconstruir a prisão de Abu Ghraib, fechada em 2006 depois do escândalo de abuso de prisioneiros por parte de tropas americanas.

Sem estabelecer uma data para a reabertura, um porta-voz iraquiano afirmou que já está formado o comitê que vai supervisionar a reconstrução.

Uma parte da prisão passará a museu para mostrar os crimes cometidos sob o antigo regime de Saddam Hussein.

No entanto, nenhuma menção será feita à história mais recente de Abu Ghraib. Para muitos, o simples nome se tornou um símbolo dos piores aspectos do envolvimento americano no Iraque.

Em 2004, fotos de soldados americanos com ar orgulhoso, submetendo prisioneiros iraquianos encapuzados, vieram a público, causando indignação. Muitos detidos foram forçados a actos humilhantes e degradantes.

Mas desse período não haverá museu, porque todas essas torturas foram feitas em nome da "paz" e contra as "armas de destruição massiva"...

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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

A 35 anos do golpe de estado

O 11 de Setembro de 1973 é um acontecimento traumático para uma grande maioria dos chilenos e para o mundo em geral, cujas consequências devemos viver quotidianamente. O Golpe de Estado ocorrido há já mais de três décadas não é um acontecimento histórico sepultado no passado. Pelo contrário, o presente económico, político e cultural do Chile actual não se explica senão por aquela data.

A ditadura militar desenhou a matriz da qual emerge o Chile de hoje. Um modo particular de organizar a economia, o neoliberalismo. Uma maneira de administrar a política, uma democracia de baixa intensidade. Um tipo de cultura adversa de toda forma colectivista ou associativa, o individualismo. Este molde continua vigente em todas e a cada uma das suas partes.

O sentido último do golpe militar do Chile foi, salvaguardar a “tradição e a ordem da nação”. Isto é, como afirmou o próprio Pinochet: salvar a vida e a fortuna das elites dirigentes que se sentiram ameaçadas nos seus privilégios.

Como num filme de terror, o amnésico Chile de hoje volta o seu olhar para as luminosas vitrinas do consumo sumptuário, para os rutilantes ecrãs de plasma, enquanto no pátio se desenterram ossadas de algum vizinho ou parente. São os mortos silenciados por esta história macabra que todavia persiste, obstinada, em ocultar cadáveres no roupeiro.

A verdadeira traição ao Chile é ter impedido que, pela primeira vez, aquele homem e aquela mulher humildes, tivessem começado a construir a sua própria dignidade nos seus filhos, e nos filhos dos seus filhos.
Augusto Pinochet Ugarte, foi a mão tirânica que interrompeu a maravilhosa cadeia da vida. Como Caín, o general assassinou os seus irmãos, ofendendo o espírito que bate no fundo da história humana. As suas obras, a sua herança lamentável já a conhecemos: gerações de chilenos condenados ao inferno da ignorância, a pobreza, o luto e a indignidade. No Chile do presente não há paz para os mortos como tão pouco a há para os vivos.

Mas para lá das cumplicidades da mentira para ocultar a natureza daquela tragédia; por muito que se esforcem alguns falsos profetas em exorcizar as cinzas, ensinando a resignação; e para lá dos demagogos de última hora que administram hoje o palácio: há um povo silencioso e paciente que encarna o advento histórico de um outro mundo.

 

Fonte: Arena Pública

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Respeito para os militares fascistas?

O ministro de defesa de Itália, Ignazio La Russa, afirmou que os militares fascistas da chamada República de Saló (1943-1945), que combateram para impedir a entrada dos aliados, "merecem respeito" porque lutaram para defender a pátria.

La Russa fez estas declarações perante o chefe estado italiano, Giorgio Napolitano, durante a cerimónia para recordar o 65 aniversário da defesa de Roma das tropas de ocupação nazis.

"Seria ir contra a minha consciência se não recordasse hoje militares como os da RSI (República Social de Itália ou de Saló), que do seu ponto de vista combateram para a defesa da pátria, opondo-se aos anglo-americanos e merecendo todo o respeito", disse La Russa.

A República Social Italiana, conhecida como República de Saló, foi criada pelo ditador Benito Mussolini no norte de Itália, enquanto as forças aliadas avançavam desde o sul do país.

Por sua parte, o chefe de estado pediu aos italianos durante a cerimónia, para reforçarem a memória dos soldados, e afirmou que a verdadeira Resistência foram aqueles "que combateram com a esperança da liberdade e justiça, incluidos os 600.000 deportados nos campos de concentração alemães, que recusaram a sua adesão à República de Saló".

As declarações de La Russa avivaram a polémica que estalou a semana passada depois de o alcaide de Roma, Gianni Alemanno, igualmente membro do partido dereitista Alianza Nacional, declarar que o fascismo "não era um mal absoluto".

Manuela Palermo, membro do Partido Comunista Italiano, assegurou em resposta a estas afirmações: "Os fascistas de hoje defendem os fascistas de ontem, as guerras, as torturas e a carnificina a que esteve submetida Itália por causa das decisões de um regime ditatorial fascista".

Por sua parte, Marina Sereni, vice-presidente da maior formação na oposição, o Partido Democrata, qualificou de "inquietantes" as declarações de um membro do Governo de claro 'revisionismo histórico' que só pode "reabrir as feridas".

A esta hora estarão vocês a dizer que eu tenho uma fixação pelo governo de Berlusconi, se calhar tenho, são umas a seguir às outras, inquieta-me muito gente desta à frente de um país europeu.

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