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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

08
Nov08

Crise, qual crise?

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Os 98 colaboradores do Eliseu, dos quais dois terços trabalham no gabinete de Sarkozy, são aumentados 52% em dois anos. Depois de um aumento de 26,8% em 2008, um anexo ao projecto de lei das finanças para 2009 prevê um aumento de 20% para 2009.

Um duplo aumento de 52,16% exactamente em dois anos.

O montante, embora embarace Dominique Paillé, conselheiro político do Eliseu, é justificado "pela actividade intensa" que reina em Paris. "O presidente Sarkozy é hoje um líder internacional. Tudo isso tem um preço." Também a ganância também tem preço, e a falta de vergonha tem rosto...

Não será talvez por acaso que a conta bancária de Sarkosy tem sido pirateada, tendo os piratas saqueado pequenas somas de dinheiro. Talvez porque ladrão que rouba a ladrão...

07
Nov08

Estados Unidos e Zimbabué lado a lado

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Um total de 147 Estados membros das Nações Unidas apoiaram a continuidade do processo de criação de um Tratado Internacional sobre Comércio de Armas (TCA). A campanha "Armas debaixo de Controlo", que representa milhões de activistas, faz um apelo a todos os Estados para que garantam um tratado efectivo baseado nos direitos humanos e

no desenvolvimento.

Em concreto, 145 países votaram o Tratado e dois estados acrescentaram o seu voto a posteriori, um número notavelmente superior aos 139 Estados que em Outubro de 2006 respaldaram o início do processo.

O voto foi particularmente contundente por parte de África, América do Sul, América Central e Europa, e "indica a premente necessidade de maiores controlos sobre o comércio de armas exigidos tanto pelos países mais afectados pela violência armada como pelos maiores exportadores de armas".

Imaginem quem votou contra! Apenas dois países! Os Estados Unidos e o Zimbabué, ignorando o consenso mundial que se alcançou! Só podia ser...

Cada dia, mais de 1.000 pessoas morrem por causa das armas de fogo e mais outros mil morrem por causas indirectas derivadas da violência armada. Desde que as Nações Unidas iniciaram o processo em Dezembro de 2006, 695.000 pessoas morreram por estas causas.

Brian Wood, representante da Amnistia Internacional, manifestou que "com esta votação o mundo deu um grande passo em direcção a um Tratado sobre Comércio de Armas baseado nos direitos humanos". É lamentável que os governos dos Estados Unidos e do Zimbabué tenham votado contra um Tratado que poderia salvar tantas vidas.

Agora que a maioria dos governos apoiam o Tratado sobre o Comércio de Armas, devem actuar com urgência para que seja uma realidade.

Por sua parte, Mark Marge de IANSA afirmou: "Este voto representa uma vitória para os milhares de activistas de todo o mundo", mas deve continuar-se a pressionar os governos "para que se avance na implementação de um tratado contundente e legalmente vinculante".

Pena é que ainda existam ovelhas ranhosas...

06
Nov08

Salvar o planeta com base no humor

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O lixo é o fio condutor do mundo. Pelo menos assim é para os humoristas gráficos que se reunem durante esta semana em Alcalá de Henares, Espanha. "É um tema universal; os resíduos e a reciclagem tocam-nos a todos", explicava ante-ontem o mexicano Pedro Sol. "E o humor, é veículo para tocar nos temas mais sérios. Pode-se conseguir muito do que desejamos". Pepe Palomo, chileno: "Cada vez que o homem se mete na natureza, mete a pata", assegura. "A melhor forma de combater o lixo é pôr-lhe um preço; assim, desapareceria.

A XV Mostra de Humor Gráfico da Fundação da Universidade de Alcalá de Henares segue este ano com o lema "o valor do que tiras." Nele se baseiam as 153 obras dos humoristas gráficos de 45 países que se reuniram. Entre eles, Carlos Romeu, que afirma: "É um trabalho solitário, mas é uma terapia". "Estás indignado por algum motivo, desenhas uma banda de humor e desafogas. Publica-lo e pagam-te. E ainda por cima te dá gosto!".

Os humoristas estarão no encontro até Domingo, e a exposição decorrerá até ao dia 30. Aqui vos deixos algumas da imagens em exposição:

 

 

       Adriana Soto

Forges

     Goran

       Romeu

     Idígoras 

 

Há para aí umas mentes que eu era capaz de tratar como resíduos tóxicos....

A propósito, já reciclaram o vosso lixo hoje? Já se deram conta do lixo que temos em casa? Do que estão à espera?

05
Nov08

Purga nas forças armadas da Colômbia

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Ocorreu há poucos dias, na Colômbia, a maior purga operada no exército por um caso de violação de direitos humanos. Foram demitidos 27 militares "por negligência" na hora de "evitar" o assassinato de civis. Dos expulsos, três têm a patente de general, Roberto Hernández Pico, José Joaquín Franco Cortés e Paulino Coronado, além de quatro coronéis, sete tenentes coronéis, três majores, um capitão e um tenente.

Embora o governo de Uríbe não o mencione de forma expressa, a purga reporta-se ao caso de cerca de vinte colombianos de um bairro operário, Soacha, que desapareceram em Setembro das suas casas para reaparecer dias depois como membros das FARC caídos numa confron-tação com o exército.

O escândalo estalou quando os familiares acorreram aos meios da comunicação para negar que pertenecessem às FARC e alguns vizinhos que receberam a mesma oferta, asseguraram que foram recrutados por desconhecidos, que se veio a saber serem informadores do exército, que lhes tinham oferecido interessantes ofertas de trabalho.

Pouco depois de saírem, eram assassinados. Entregaram-os a militares que prepararam a cena do crime para fazê-los passar por guerrilheiros. Os investigadores judiciais que procederam ao levanta-mento dos cadáveres confirmaram os acontecimentos.

Com aquilo ganhavam todos. A unidade militar, por cumprir objec-tivos, "positivos" para a carreira e licenças e os informadores, pela recompensa.

Mas não é o único caso que ensombrou os "êxitos" obtidos este ano pelo Exército e pela Polícia. A justiça tem abertos 400 casos e já adiantou que estão implicados 110 membros da força pública, embora os civis desaparecidos, que poderão ter tido a mesma sorte, ascendam ao milhar.

Convém esclarecer que esta purga surge só depois da ameaça da ONU de intervir neste "conflito" e coincide com a visita de Navi Pillay, a nova Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, num momento em que a Colômbia tinha recebido novas acusações de crimes contra os direitos humanos, nomeadamente por parte da Amnistia Internacional.

Não foi também por acaso que a Alta Comissária escolheu aquele país Sul-Americano como destino da sua primeira visita desde que ocupa o cargo.

04
Nov08

Asha: adolescente, violada e lapidada

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Suponho que se deram conta de uma notícia sobre uma mulher lapidada na Somália. Pois passados uns dias a verdade é mais dura, nem era mulher, nem tinha 24 anos, nem era adúltera. Se há um país no mundo em que o mau se converte em pior, esse é desde há décadas a Somália. E a história de Asha Ibrahim Dhuhulow, a suposta mulher de 24 anos lapidada em público na passada segunda-feira na cidade portuária de Kismayo, é só um reflexo. Porque não era mulher, mas uma criança. Asha não tinha 24, tinha só 14 anos.

Não tinha cometido adultério, tinha sido violada por três homens do clã mais poderoso da cidade. Ajudados pelo tribunal islâmico imposto pelas milícias integristas de Al Shabab, a morte à pedrada da menor serviu para esconder o rasto do crime.

A Somália, imersa no caos entre um governo incapaz, senhores da guerra, islamistas radicais, exército etíope, piratas, soldados da força de paz africana, a somar aos Estados Unidos, com esporádicos ataques aéreos, alguns enfrentados, todos armados, acumula vítimas. Asha, é mais uma.

Asha não só morreu vítima. Já nasceu vítima. No campo de refugiados de Hagardeer, no sul do Quénia, em 1995, onde a sua família teve que refugiar-se três anos antes, fugindo de Mogadíscio dos ataques contra o seu clã, os Galgale, uma minoria na Somália. Foi a última a nascer, a décima-terceira de seis irmãos e seis irmãs, segundo explicou Ibrahim Dhuhulow, o pai da criança.

Dhuhulow relatou que Asha, que frequentava a escola no campo de refugiados, padecia de epilepsia, pelo que a família decidiu enviá-la para a avó em Mogadíscio, onde poderia receber melhores cuidados médicos. Kismayo ficava no caminho. Mas não contavam com a sempre eterna guerra. Em Agosto, as milícias integristas de Al Shebab tomaram o controlo da cidade. Asha, "uma criança muito doce, muito humilde", ficou barrada em Kismayo, onde pôde sobreviver os dois últimos meses graças aos amigos que que tinha feito no caminho. O dinheiro para chegar a Mogadíscio tinha-se acabado, segundo tinha dito ao seu pai por telefone. Numa noite de Sábado, três homens acercaram-se dela e obrigaram-na a acompanhá-los à praia, onde a violaram.

Por conselho de amigos, ela foi aos tribunais e denunciou os violadores, que foram presos. E aqui inicia-se, a série de desatinos que acabariam com a criança atada e enterrada até ao colo, pronta para a execução.

Uma hora antes de a executarem, Asha conseguiu falar com o pai. "Disse-me: 'Papá, sou a tua filha, vão-me matar, por favor, diz-lhes que me perdoem'. Perguntei-lhe quem a ia matar e por que alguém ia fazer algo assim. Disse-me que o homem ao seu lado não lhe permitia dizer-me as razões. Pedi-lhe para falar com o homem. Perguntei-lhe: 'Quem é tu?, por que vais matar a minha filha?'. Respondeu-me que não me podia responder a isso, 'mas que saibas que a tua filha vai ser lapidada dentro de uma hora'.

De acordo com a reconstrução que o pai e os conhecidos de Asha em Kimbayo puderam fazer dos acontecimentos, os familiares dos seus agressores convenceram-na com boas palavras para que fosse ao tribunal islâmico, retirasse a sua acusação e perdoasse aos três homens. Dar-lhe-iam dinheiro e jóias. Ela acedeu, pensando que com o dinheiro poderia chegar a Mogadíscio. Entretanto, os mesmos familiares acusaram Asha ante o Tribunal Islâmico por extorsão.

Quando Asha, na sua inocência, retirou a denúncia, foi presa e acusada de adultério, de manter relações sexuais sem estar casada.

"Não lhe perguntaram nada, não trataram de falar com ela, nem sequer um médico a visitou", assegura Hassan Shire Sheik, director do Projecto de Defesa dos Direitos Humanos no Este e no Corno de África (EHAHRDP). "Fazem-se chamar tribunais mas não têm nenhum conhecimento legal". Shire Sheik confirma as palavras do pai de Asha segundo as quais a criança ficou sem defesa alguma também pelo carácter minoritário do seu clã, que não possui armas.

"Ninguém do seu clã estava na cidade, ninguém armado estava a seu favor". Sheik, impulsionador de diversas associações de defesa dos direitos humanos na Somália, motivo por que teve que fugir do seu país e refugiar-se no Canadá e Uganda, enfurece-se ao falar do caso: "Nem quando as Cortes Islâmicas tomaram controlo de Mogadíscio em 2006 vimos execuções assim. Onde está a lei? Quem a defendeu? Como se mata uma criança de 14 anos? Estão loucos".

O mesmo deverão ter pensado as testemunhas da execução. Um milhar de pessoas que se acercaram do estádio de futebol de Kimbayo, a quem se lhes disse que iam lapidar uma mulher de 34 anos, prostituta, bígama, adúltera. Mas puderam ver e ouvir Asha antes de lhe cobrirem a cabeça com um capuz. Asha protestava a sua inocência. Uns quantos tentaram romper as filas e acudir em sua ajuda.

Os milicianos integristas abriram fogo contra a multidão. Mataram uma criança. Outras seis pessoas ficaram feridas. Por isso, posteriormente, os islamistas se desculparam e asseguraram que procurariam os responsáveis dos disparos. Não pelas pedras, transportadas até ao estádio num camião. Ninguém mais se atreveu a proteger a pequena.

Cinquenta homens rodearam Asha, cobriram-lhe a cabeça com um capuz, e iniciaram o lançamento de pedras.

Até três vezes tiveram que interromper a execução para comprovar se a criança ainda vivia. "A minha menina ia à escola, a minha menina ia ver a sua avó, não sei que tipo de lei permite matar uma criança de catorze anos", se desespera Ibrahim Dhuhulow, que sabe que algumas testemunhas dizem que parecia que a criança tinha problemas mentais e dói-lhe pensar que pode ter tido um ataque epiléptico sem ser assistida por ninguém mais que pelos seus verdugos.

O defensor dos direitos humanos somali considera que Asha serviu não só para cobrir os autores da violação, "mas também para atemorizar a população, a aqueles clãs que não têm poder".

Este é o resto da história que os jornais não contaram deste acontecimento, talvez porque sentissem o peso da tragédia...

 

Fonte: El País

03
Nov08

Caixa Geral de Depósitos: pau para toda a colher

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Exigem regras iguais aos demais mas, nestas alturas depressa se esquecem. Isto é, há alguém ou algum banco que esteja interessado em comprar o BPN? Vai lá vai, pois claro que não. Comprar prejuízos não é com eles, são mais virados a comprar lucros...e daí, lá tem que entrar o banco do Estado, exactamente o mesmo que os que agora aplaudem esta nacionalização se fartam de reclamar a sua privatização!

A Caixa Já entrou na absorção do BNU agora tem que entrar na do BPN. Imaginam o que isto representa para aquele banco público? No mínimo uma despesa de 700 milhões, a somar aos 200 milhões que ainda nem há um mês lá foi obrigado a enterrar.

E os trabalhadores do BPN terão que ser, tal como foram os do BNU, integrados no banco do Estado. A seguir dirão que na Caixa há gente a mais e que é preciso despedir alguns, topam? Tudo a bem do mercado...

Os iluminados desse mesmo mercado, dirão que não é necessário, basta o Estado, à custa do contribuinte, endireitar o BPN e depois privatizá-lo de novo. Simples não é?

Poderá à primeira vista parecer que estou contra esta intervenção, claro que não,  mas uma coisa é certa, os contribuintes, não podem permitir que semelhante crime no sistema financeiro português fique impune. Os culpados pela gestão danosa, por contabilidade paralela para enganar o país, só têm um sítio para onde ir: exactamente o mesmo para onde vão os outros delinquentes.

Assim como, aqueles que, pelo menos desde Junho, já tinham conhecimento desta situação e a escamotearam ao país, só têm uma solução, a saída pela porta dos fundos...

01
Nov08

Novo genogídio?

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As notícias sucedem-se umas às outras, dando-nos conta da eclosão de mais um conflito desta vez no Congo, entre Tutsis e Hutus e os inevitáveis desalojados às centenas de milhares.

Aqueles que consideram este conflito como um diferendo entre Tutsis e Hutus, estão a escamotear a parte mais importante e essa desenrola-se pela posse das riquezas minerais do seu subsolo, mas com o papel interveniente dos Estados Unidos que apoiam os Tutsis no Ruanda enquanto os franceses apoiam os Hutus no Congo.

Foi com este jogos de interesses que assistimos ao genocído do Ruanda de 1994 em que pereceram cerca de 800.000 pessoas perante as fracas forças da ONU, mesmo assim impedidas de actuar, enquanto no escuro, os Estados Unidos e França jogavam as suas cartadas pelo controlo das riquezas do subsolo.

Infelizmente a cena repete-se, enquanto no terreno, quer tutsis quer hutus seguem os interesses de quem os arma para controlar essas riquezas.

O inevitável, as populações indefesas, nada tendo a ver com os intereses em jogo, são os primeiros a sofrer a devastação da guerra e os deslocados que fogem da zona do conflito são já às centenas de milhares.

Os analistas consideram que o coltam estará por detrás do conflito no Congo onde se encontram 80% das reservas mundiais. O coltam é o nome como é designado por diversos países africanos o composto mineral de niobium e tantalum, metal muito utilizado no sector de novas tecnologias e especialmente necessário para a fabricação de telemóveis, de tal maneira que já é conhecido por "ouro azul".

A região fica à mercê dos predadores de toda a natureza, atraídos pelas riquezas do subsolo, ao mesmo tempo que nos querem impingiar a ideia de que o conflito é meramente étnico.

É tempo de que os países que se preocupam com o destino do Congo venham estabelecer um processo de paz verdadeiro.

É preciso salvar os congoleses, antes que o estado sanitário deplorável em que se encontram centenas de milhares de pessoas se transforme numa catástrofe maior e não venham depois, como no Ruanda, carpir lágrimas de crocodilo.

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