Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

10
Mar09

No melhor pano...

salvoconduto

Já aqui fiz referências directas e indirectas ao juiz da Audiência Nacional espanhola Baltazar Garzon em causas ligadas às ditaduras em Espanha e na América Latina. Agora é vítima de si próprio.

Uma resolução do Supremo Tribunal espanhol fez saber que Baltazar Garzon ocultou ao Conselho Geral do Poder Judicial (CGPJ) a cobrança de diversas quantidades de dinheiro durante a sua estadia em Nova York entre Março de 2005 e Junho de 2006.

As referidas remunerações, que recebeu ao mesmo tempo que mantinha na íntegra o salário de juiz, procediam do Centro Rei Juan Carlos I de Espanha e do Centro Direito e Segurança, ambos da Universidade de Nova York, onde participou em actividades docentes e de investigação, nomeadamente colóquios.

A Lei Orgânica do Poder Judicial espanhol, sanciona como falta disciplinar muito grave faltar à verdade na solicitação de licenças e declarações de compatibilidade.

Quem salta de contente é o Partido Popular espanhol a braços com acusações graves de corrupção e que Garzon investigava.

09
Mar09

O Vaticano, a mulher e a máquina de lavar...

salvoconduto

Andei arredado aqui do blog e nem pude dedicar um post às minhas amigas aqui do blogobairro. Ao por a leitura dos jornais internacionais em dia dei com uma notícia que não posso deixar de compartilhar convosco.

O Vaticano continua imparável! Para assinalar o Dia Internacional da Mulher fez publicar no L'Osservatore Romano um artigo onde afirma que a máquina de lavar fez mais pela libertação da mulher do que a pílula anticoncepcional ou o acesso ao mercado do trabalho!

O título do artigo: "A máquina de lavar e a libertação das mulheres - ponha detergente, feche a tampa e relaxe".

Assim sem tirar nem por. Mas acrescenta mais: "com as máquinas de lavar modernas a mulher pode tomar um capuccino com as amigas enquanto a roupa é batida".

A fazer fé neste artigo anda para aí muita mulher a reclamar sem a mínima razão. Depois de ter lido isto estou decidido, vou comprar uma máquina de lavar nova para a minha mulher, que ela ultimamente anda a "falar" de mais...Quanto ao capuccino sou capaz de fazer o esforço de lhe tirar um "à maneira" na máquina nespresso, que tem um acessório próprio para isso.

Vá, agora chamem-me nomes a mim. Relaxem, cuidado com a tampa!..

06
Mar09

A mesma estratégia de Pinochet

salvoconduto

O ditador argentino Emílio Massera poderá ser finalmente julgado em Itália, apesar de utilizar a mesma estratégia de Augusto Pinochet.

Um tribunal de Roma pretende julgá-lo pelo desaparecimento de três cidadãos italianos durante a ditadura argentina. Só que residindo na Argentina os seus advogados argumentam que está velho, com 83 anos e que não pode viajar para Itália.

Quem não parece estar pelos ajustes é o juiz italiano Marco Mancinetti, que pediu uma perícia médica e depois de a mesma certificar que o ditador está em plenas faculdades para enfrentar o processo agendou o julgamento para o dia 16 de Março mesmo que à revelia.

A perícia médica consta de um relatório de 28 páginas elaborado pelo perito médico italiano Piero Rocchini, que visitou Massera na sua casa e que certificou que o ex-chefe da Armada  argentina "deve ser considerada uma pessoa com plenas faculdades para ser julgado, apesar das suas tentativas de manipulação, com exagerados sintomas psíquicos fictícios".

Os advogados que representam Massera pediram então a Mancinetti mais tempo para comunicar a decisão ao ex-militar e preparar a documentação, mas o magistrado rejeitou a proposta ao considerar que "tinham tido três anos para preparar a defesa".

Já o advogado que representa os parentes das vítimas, Marcello Gentili, expressou a sua "total satisfação com a decisão do juiz de abrir uma discussão para processar uma pessoa que, na Argentina, ainda não foi mandada a julgamento".

Entre 1976 e 1981 Massera formou parte, juntamente com Jorge Rafael Videla e Orlando Ramón Agosti, da junta militar que depôs a presidenta Estela Peron e governou de facto a Argentina durante o auto denominado "Processo de Reorganização Nacional" e foi um dos principais promotores da "guerra suja".
Massera promoveu o silenciamento da difusão de "ideias opostas à civilização ocidental e cristã" de que resultou o desaparecimento de 30.000 pessoas, incluindo um importante número de sacerdotes e freiras terceiro-mundistas, pese embora a relação de Massera com a Igreja Católica que sempre foi excelente.

Nem que seja por um dia, se há alguém que merece apodrecer na prisão será certamente gente como o ditador argentino Emilio Massera.

05
Mar09

Com os olhos na Colômbia

salvoconduto

Uma vez mais vão realizar-se amanhã, dia 6, em Bogotá e noutras cidades colombianas manifestações de protesto contra a violação dos direitos humanos e convocadas pelo Movimento nacional de Vítimas de Crimes de Estado (MOVICE).

As manifestações deste ano centram-se no continuado problema das execuções perpetradas pelas forças de segurança.

Importa recordar que há precisamente um ano se realizaram iguais manifestações e que vários sindicalistas e defensores dos direitos humanos colombianos foram assassinados ou ameaçados justa-mente antes e depois das mesmas.

Naquela ocasião, numerosas organizações colombianas de direitos huma-nos também receberam ameaças procedentes de grupos paramilitares.

As ameaças e os homicídios que ensombraram tragicamente as manifestações do ano passado não podem, não devem repetir-se. Mas com Uribe ao leme todos os cuidados serão poucos, uma vez que a população civil continua a ser a vítima dos abusos sistemá-ticos e generalizados das forças de segurança e paramilitares.

04
Mar09

Prós e Contras

salvoconduto

Se alguma coisa ficou clara no Prós e Contras desta semana foi aquilo que ali foi designado por "pecado original", ou seja, o empréstimo e suas condições a Manuel Fino, no mandato de Santos Ferreira ao leme da Caixa Geral de Depósitos.

Relembremo-nos que esse empréstimo se destinou à compra de acções do BCP, numa altura em que estava encarniçada a luta pelo poder naquele banco.

Compreende-se pois a reacção de Santos Ferreira ao vir a público defender Faria de Oliveira quando estalou a bronca do prémio de 62 milhões a Manuel Fino. É que esse empréstimo, bem como outro a Joe Berardo, permitiram-lhe ocupar o mais alto cargo no BCP, na companhia do inefável Armando Vara.

Defendia-se Jorge Tomé, administrador da CGD, argumentando que ninguém estava à espera de uma queda tão evidente na bolsa, isto é, aquilo que no mesmo programa foi censurado a pequenos investidores do BPP, apareceu, no caso da Caixa, como algo de que ninguém tem culpa, porque às tantas os administradores desta, coitados, tinham falta de experiência. Será?...

Consideram-se totós alguns clientes do BPP por fazerem maus negócios com aquele banco ao deixarem as sua economias ao sabor das oscilações da bolsa de acções, mas já se desculpa o aceitar-se como garantias para um empréstimo igualmente acções, também elas sujeitas à mesma oscilação.

Ao chamar-se imprudentes e incautos os investidores do BPP o que poderemos chamar a Santos Ferreira e Armando Vara?

E de nada vale aos seus amigos do governo vir dizer que só um espírito mesquinho ou mal formado pode apontar defeitos ou simples dúvidas a operações realizadas pela Caixa Geral de Depósitos com o intuito de "salvar" elevados financiamentos anteriormente concedidos. Por que é por aí que a porca começa a torcer o rabo.

Tenta-se salvar e camuflar empréstimos escandalosos a particu-lares muito especiais que se revelariam em resultados gravosos do exercício de 2008, mas que será impossível continuar a esconder no de 2009. Apenas se empurrou e avolumou o problema, uma vez que as acções continuam a baixar e não é crível que subam tão depressa. Já agora, só faltava continuarem a contabilizar aquelas acções pelo preço que as compraram e não pelo seu valor real de mercado, mas eu já vi de tudo...

03
Mar09

Mais um

salvoconduto

O ditador Gregorio Alvarez, que dirigiu o Uruguai entre 1981 e 1985 está a ser julgado pela justiça do seu país.

Tem a assistir alguns dos familiares daqueles que morreram às suas mãos ou sob sua ordem.

Encontra-se preso desde 2007 por violação dos direitos humanos cometidos durante a ditadura daquele país. Sobre ele acusações pelo desaparecimento forçado de presos políticos, que posteriormente teriam sido executados.

Gregorio "Goyo" Alvarez teve participação activa no golpe de Estado de 1973 e converteu-se no símbolo da ditadura que assolou o Uruguai até 1985.

Na madrugada de 27 de Junho de 1973 encabeçou o "piquete" das Forças Armadas que, sob presidência de Juan María Bordaberry invadiu a sede do Congresso e dissolveu o Parlamento, impondo uma ditadura que se prolongou por 12 anos.

Em 1981 provocou outro golpe de Estado, forçando o Conselho de Segurança Nacional a propor o seu nome para a presidência e a entregar-lhe o poder.

Entretanto a Assembleia Geral do Congresso do Uruguai votou no dia 25 de Fevereiro pela inconstitucionalidade da chamada Lei de Caducidade, que amnistiou militares acusados de violações aos direitos humanos durante o período da ditadura militar no país, entre 1973 e 1985. A ser ratificada esta decisão talvez venhamos a assistir ao julgamento de muitos outros torcionários daquele país.

Ali perto, na Bolívia, foram agora descobertos restos humanos em sótãos ocultos no Ministério do Governo, que foram usados para torturar dissidentes durante as ditaduras.

Mais a norte, nos Estados Unidos, remete-se estes países para a "lista negra" e compreende-se porquê...

02
Mar09

Escravatura II

salvoconduto

Centenas de cambojanos são escravizados todos os anos depois serem vendidos a barcos de pesca tailandeses, nos quais trabalham sem salário, às vezes durante anos, constantemente ameaçados de morte por parte dos seus exploradores. A maioria das vítimas procede das zonas rurais mais pobres, e cai nas redes de tráfico ao acreditarem em promessas de trabalho remunerado como operários na construção ou nas fábricas da Tailândia.

O pesadelo começa quando os traficantes ficam com os seus passaportes e quando cruzam ilegalmente a fronteira para serem levados para portos tailandeses, onde são embarcados à força nos pesqueiros que pescam nas águas do Mar da China Meridional e que evitam atracar na Tailândia durante meses ou anos.

Deixo-vos aqui o caso de Matysa, um dos 17 cambojanos resgatados em Dezembro passado dum calabouço para imigrantes ilegais no estado malaio de Sarawak, na ilha do Bornéu, que ilustra a desventurada odisseia por que passam as vítimas desta forma de escravatura denunciada pelas Nações Unidas e organizações comprometidas com a defesa dos Direitos Humanos.

Matysa, de 28 anos, tal como outros cambojanos, ficou à mercê das máfias ao aceitar a tentadora oferta de ganhar 6.000 bats (cerca de 110 euros) que lhe fez um vizinho do bairro de Phnom Penh no qual residia.

"Cruzei a fronteira e ali me meteram num carro que me levou directo a uma pensão em Pattani (sul da Tailândia).

Não me deixaram sair da habitação até ao dia em que embarquei. Um capitão tinha-me comprado", relatou.

Já no pesqueiro, Matysa encontrou nove cambojanos que tinham embarcado noutro porto, a uns 50 quilómetros ao sul de Bangkok. "O capitão disse que não sairíamos do barco durante dois anos e que só receberíamos no fim desse tempo", recordou.

Durante vários meses, a tripulação cambojana foi obrigada a trabalhar sem descanso mesmo quando ficavam doentes. 
Por vezes, eram chicoteados ou ameaçados pelo capitão, armado com uma pistola e um machete.

"As condições são deliberadamente muito duras porque muitos patrões, que andam sempre armados, preferem que os pescadores escapem e assim evitar pagar-lhes seja o que for", explicou Manfred Hornung, consultor da Licadho, um dos grupos humanitários que combate esta praga.

A Licadho, que investiga estes delitos, dispõe de testemunhas que asseguram ter visto matar a tiro cambojanos a bordo dos pesqueiros e atirar os cadáveres pela borda fora no alto mar depois de se terem queixado do trabalho.

Depois de três meses cativo, Matysa viu a oportunidade de escapar quando o seu barco atracou no porto de Tanjung Manis, no estado malaio de Sarawak. Mas o seu pesadelo não acabou. Depois de fugir do barco, foi contratado para trabalhar numa plantação e extracção de óleo de palma, do Bornéu, "Davam-nos só arroz e hortaliças. Quando perguntei pelo meu salário, disseram-me que eu tinha sido vendido à plantação, que o capataz tinha pago para comprar-me", explicou Matysa.

Meses depois, escapou da exploração agrícola e, depois vaguear vários dias, foi detido pela Polícia e encarcerado por entrar ilegalmente na Malásia.

Há dois meses, Matysa foi repatriado para o Camboja, onde sobrevive graças à venda dos peixes que pesca diariamente no rio. Pobre mas livre.

 

Fonte: El Mundo

Pág. 3/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D