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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

04
Fev10

Acossados

salvoconduto

 

 

Cercados por todos os lados, não lhes dão sossego. Depois do anunciado congelamento de salários segue-se agora uma diminuição de 1244 euros anuais nas pensões de reforma dos funcionários públicos.

Não é nada não é nada mas na maioria dos casos corresponde ao décimo terceiro mês e entra pelo subsídio de férias adentro.

Moralidade? Quem é que falou em moralidade?

01
Fev10

Mais outro

salvoconduto

 

Chegou a vez de Mário Crespo e das suas crónicas no JN. Não são precisas muitas palavras para descrever mais um triste ataque às liberdades, curiosamente em plenas celebrações do centenário da República.

 

Adenda em 2/2/10:

 

Como já vai sendo habitual há quem misture a bota com a perdigota e já me anuncie ao lado de uma hipotética cruzada de Mário Crespo. Sobre ele julgo ter sido claro aqui. É personagem por quem não morro de amores, só que uma coisa não tem a ver com a outra.

 

É a própria crónica de Mário Crespo, que deveria ter sido publicada hoje no JN, que fala por si. Deixo-a aqui na íntegra depois de a retirar do Sol on-line.

 

 

"O Fim da Linha

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.

O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.

Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.

Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.

Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.

O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.

O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.

Foi-se o “problema” que era o Director do Público.

Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada."

 

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

01
Fev10

Um mal nunca vem só

salvoconduto

 

 

Num dos posts que aqui coloquei sobre o Hati dava conta da loucura que afectava alguns jornalistas ávidos de protagonismo e sensacionalismo como aquele que anunciava em directo que tinha sido batido o recorde de amputações. O que provavelmente nem ele nem nenhum de nós sabia é que muitas dessas amputações eram de todo desnecessárias.

Quem aponta o dedo são cirurgiões ortopedistas franceses que ficaram estupefactos com o que foram encontrar no Haiti.

"Não estamos em guerra! Podemos voltar e fazer um acompanhamento dos doentes!", assim se queixava Sophie Grosclaude, uma cirurgiã francesa que ouviu, em conversas com colegas norte-americanos, como estes alegavam que num país "tão pobre" e sem capacidade de acompanhamento médico era mais fácil optar por uma solução limpa e definitiva: amputar.

Um outro cirurgião, François-Xavier Verdot, enviado com uma equipa de bombeiros, queixava-se ao Le Monde que tinha visto uma simples fractura de um braço tratada por meio de amputação, quando poderia ter-se curado normalmente. Criticou igualmente a forma de amputação e afirma que quando as amputações são efectuadas "como guilhotinas" o risco de infecção é enorme porque o osso fica a descoberto. Pior ainda o coto que daí resulta não poderá suportar qualquer prótese e assim permitir ao doente refazer a sua vida.

Se eu tivesse uma serra à mão eu sei o que cortava...

Enquanto isso os Estados Unidos anunciaram que as evacuações de feridos para o seu território estão canceladas por falta de acordo sobre quem custeará os cuidados sanitários.

O porta-voz do Comando de Transportes do Exército, o capitão Kevin Aandahl, explicou que enquanto não se apurar quem vai pagar os gastos da assistência ficarão canceladas as evacuações. Ora bem, que isto de solidariedade não é grátis. Gratuitas somente as aparições nas TVs, o resto é apenas fiado...

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