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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

10
Out11

Cobardia, a arma dos fracos

salvoconduto

 

 

Na sociedade em que vivemos não existem valores, é cada um por si e para si. Causa-me repulsa acrescida os assaltos de que são vítimas anciãos que se encontram sós ou fragilizados, a maior parte das vezes com violência física à mistura. Nunca o título "este país não é para velhos" esteve tão ajustado.


Promover um corte nas pensões de reforma ainda que apenas naquelas que tenham um valor igual ou superior a 1500 euros não deixa de ser um acto de cobardia. Abro parêntesis para destacar que são apenas as reformas e não os salários. Porquê as reformas?


Para o leitor que ainda não esteja a seguir a minha linha de raciocínio, às tantas ainda estará a pensar que 1500 euros é uma reforma milionária, imagine que querendo viver com dignidade quando chegar a sua vez de arrumar as botas subscreve um desses planos poupança reforma ou um qualquer outro seguro similar e que chegada a altura de dele usufruir constata que o banco ou a seguradora alteram unilateralmente as regras e resolvem subtrair-lhe com uma parte das suas poupanças? Come e cala?

 

Palpita-me que não. É uma questão que não é de somenos, o comer e calar. Se a um trabalhador lhe retirarem parte do salário será quase certo que não comerá nem calará, pelo menos sem reacção. Na volta pode afirmar que a partir daí o seu trabalho também será proporcional ao corte efectuado, pode, se organizado num sindicato, promover uma greve ou o que quer que seja para lutar contra a afronta.


E é aqui que me volto a lembrar do ancião sozinho em casa que é assaltado e agredido. O corte nas pensões de reforma agora anunciado é um acto de cobardia desde logo porque cometido sobre alguém que não dispõe de meios para se defender. O reformado não está em condições de promover uma greve e muito menos alegar que vai passar a trabalhar menos. Resta-lhe apenas o direito à indignação, já que da solidariedade do trabalhador do activo também pouco há a esperar, resta-lhe comer calando ou sair à rua gritando, apenas isso.

 

Paralelamente o governo anuncia também um corte de 800 milhões no orçamento da saúde, outro acto de cobardia se nos lembrarmos que serão igualmente os mais frágeis, de entre os quais emergem os mais velhos, a sofrer as consequências.


Isto está de tal forma que até o pudor, que outrora se escondia por de trás de um sorriso hipócrita, foi mandado às urtigas e declarações que então nos fariam corar são agora sinónimo de responsabilidade e maturidade. Que o digam Augusto Mateus, ministro da Economia de António Guterres, ou José Manuel Silva, bastonário da ordem dos médicos.


O primeiro recomenda que os médicos ganhem à peça, mas de pela forma mais perversa, isto é, que passem também a ganhar uma percentagem dos exames que deixem de prescrever.


O segundo recomenda, meio a rir meio a sério, que o governo incentive os fumadores a fumar porque pagam um imposto elevadíssimo, ajudando as Finanças, e porque, morrendo em média oito anos mais cedo, recebem menos oito anos de reformas.

 

Estamos conversados e bem entregues.

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