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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

01
Set08

A memória ainda doi

salvoconduto

A guerra no Perú terminou há oito anos, mas o número de vítimas foi sempre crescendo este tempo todo. Na já martirizada comunidade de Putis, na região de Ayacucho, onde cresceu o Sendero Luminoso, encontraram, no passado mês de Maio, os corpos de mais de uma centena de camponeses executados pelos militares em Dezembro de 1984.

O relato do sucedido em Putis, recolhido no relatório da Comisão para a Verdade e Reconciliação (CVR), que completou cinco anos a semana passada, é estremecedor. Os militares convocaram os camponeses, que tinham abandonado as povoações para irem viver nas partes altas das montanhas, para cavarem a sua própria vala comum.

"Ordenaram aos homens, apontando-lhe as armas, que cavassem uma cova grande; a alguns disseram que era para construir um tanque de piscicultura na qual criariam trutas, enquanto a outros asseguraram que ali construiriam casas. Quando a cova ficou pronta os militares reuniram a centena de camponeses, entre os quais havia homens, mulheres e crianças, ao redor da cova, e sem mais explicações dispararam a matar", indica o documento.

Quinta feira passada cumpriram-se cinco anos da apresentação deste relatório repleto de terríveis cenas de violência perpetradas pelas forças de segurança. O tempo decorrido, no entanto, não conseguiu que se deixasse de discutir este documento de mais de 8.000 páginas, que cobre quase 20 anos de guerra interna. O sector das forças armadas considera que não reflete com justiça a sua actuação no conflito.

Quem por seu lado defende o relatório assegura, no entanto, que os militares não se deram ao trabalho de lê-lo.

"Em momento algum se ataca o exército como instituição, embora, isso sim, se mencionam casos de violações dos direitos humanos nas quais estão involvidos membros das forças armadas", assinala Ronald Gamarra, secretário geral da Coordenadora Nacional de Dereitos Humanos.

"Os maus comportamentos dos militares existiram, terão que aceitá-lo, tal como sucedeu na Argentina e Chile. Terão que pedir desculpas por não terem estado à altura do uniforme", assinalou Salomón Lerner Febres, que foi presidente da comissão.

A maioria das vítimas da violência política esperam uma reparação. Calcula-se que o total de vítimas se cifre nas 70.000 das quais apenas 10.670 foram identificadas.

A sensação é que o relatório trouxe a verdade ao Perú, acerca do conflito, mas a reconciliação ainda está muito longe e o governo de Alan Garcia ainda cava mais sofrimento no já martirizado povo do Perú.

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