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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

22
Dez11

Natal é em Dezembro, mas longe deles

salvoconduto

 

 

 

Olhem não sei que vos diga, os camelos que já estavam hipotecados entreguei-os ao banco, não aguentava a ração, prendas não há com que se comprem, caput, finito, mesmo que as quisesse comprar não conseguia, a loja dos trezentos fechou, os chinocas deram à sola, disseram que por aqui já não dá e abalaram para outras paragens.

 

Conservo comigo o saco das prendas, curiosamente sempre me parecera pequeno agora vejo-o enorme mas vazio. As barbas empenhei-as, tentei vender a fatiota vermelha mas ninguém lhe pega, palpita-me que é por causa da cor ou então será da traça. O pinheiro não sei o que lhe deu, mesmo artificial mirrou. Os enfeites de Natal ainda escaparam mas já têm dono e outra utilização, a cara-metade usa-os agora no lugar das jóias que teve de colocar no prego.

 

Resta-me o "fiel amigo", este ano ainda há, não será por acaso que o baptizaram com esse nome, tenho a impressão que só me abandonará quando já não tiver água para o pôr a demolhar. No cofre no lugar das jóias está trancado um garrafão de tinto, batatas ainda é das coisas que cá entra, com grelo ou sem ele marcham e garanto-vos, são saborosas, pelo que estão todos convidados para a ceia de Natal, já agora quem tiver por aí um frasquinho de azeite dava jeito, sempre escorregavam melhor.

 

Bolo rei é melhor nem pensarem, foi todo para Belém, só espero que tenha dose reforçada de favas, que sejam duras como cornos, que Cavaco acerte numa delas à primeira e parta um dente, de preferência aqueles dois da frente entre os quais mandou colocar gesso depois das muitas queixas por causa dos perdigotos que escapavam por entre os dois. Vinho fino a que alguns aldabrões chamam vinho do Porto também há mas só para molhar o bico, alguém me prometeu uma garrafa vinda expressamente das encostas do Douro, de terras de xisto, sem ter que passar pelo cais de Gaia ou pelo selo das finanças.

 

A doçaria deixo ao cuidado de cada um, uma filhós aqui uma rabanada acolá, pode ser que a coisa se componha, apareçam de preferência com as mãos ocupadas, mas atenção que isto não é da Joana muito menos uma casa de tias, quem vier por bem tem lugar à mesa, quem começar a desconversar sobre emigração ou a querer confiscar o bacalhau é melhor nem sequer entrar na rua, tomei as devidas precauções, para quem não saiba esta é zona de "ciganos" e "carteiristas", amigo que é amigo entra, é bem recebido, os outros, bom os outros é melhor que se precatem, por aqui não se dá a outra face é mais olho por olho, rumem para outras paragens, longe bem longe.


Quem vier de carro, a pé ou de camelo é só perguntar onde fica a Areosa, sim essa mesmo, a do trolha, não me perguntem pelo Arménio que faz tempo que não lhe ponho a vista em cima, se esquecerem o nome lá terão que perguntar onde é a zona dos "carteiristas", mas fácil mesmo é com GPS, aqui ficam as coordenadas: N 41º 10.993' W 8º 34.851'. Apareçam nem que seja à hora do galo!

 

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