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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

15
Jan12

Sentido de oportunidade

salvoconduto

 

 

Passou pelo governo no ministério da cultura, não se lhe conheceram grandes rasgos. Vale mais tarde do que nunca, terá pensado a senhora e se melhor o pensou depressa o fez. Apresentou na Assembleia da República um projecto de lei para criar uma nova taxa, a que ela chama contribuição, sobre a "cópia privada", a reverter, diz ela também, a favor dos autores. Eu explico melhor, todos os suportes de dados, pens, cartões de memória das máquinas fotográfica ou telemóveis, discos dos computadores, internos ou externos, tudo isso passará a ser taxado à cabeça e em função do seu tamanho, porque permite a cópia de dados de autor, quer sejam nossos ou de terceiros. Adora tirar fotografias ou fazer uns vídeos? Agora ainda mais com a massificação das máquinas digitais e telemóveis? Pois passará a pagar uma taxa extra quer no cartão de memória quer no disco do computador para onde terá de os terá de transferir. As fotografias são suas, os vídeos igualmente? Isso é você que o diz seu pirata de merda, pelo menos é assim que o pensa Gabriela Canavilhas, para quem todos são piratas mesmo com prova em contrário, tão piratas, tão piratas que até se pirateiam a si próprios, paga! As pequenas e médias empresas gemem? Cada vez são necessários discos com capacidade maior? Paga! Toma lá que é para passares a micro! E olhem que as taxas não são pequenas.

 

Não vou agora aqui discutir os Direitos de Autor, a forma como devem ser salvaguardados, nem tão pouco a forma como devemos fomentar a Cultura, por esta via não é de certeza. Os governos demitem-se da sua função de a promover e escondem-se atrás de uma taxa de cópia privada que nunca resolveu coisa nenhuma, apenas areia para cima dos autores. Continuamos a passar música exclusivamente estrangeira nas nossas rádios e televisões, nunca promovemos o livro, a investigação muito menos, já nem temos sequer Ministério da Cultura, o orçamento quase que desapareceu e vem a senhora dona ciciar-me aqui ao ouvido que isto é para proteger os autores e promover a cultura! Alguém será capaz de dizer à senhora que o caminho não será por aí, que isso serve apenas para encanar a perna à rã, terá que ser outro, mas prefere teimosamente ignorá-lo como fez durante todo o seu mandato.

 

Mas Canavilhas revela ainda um sentido de oportunidade tremendo e já não falo só do facto de se ter lembrado de mais esta taxa em plena crise, Canavilhas escolheu cirurgicamente o momento em que uma parte destes produtos triplicou o seu preço nos mercados mundiais fruto das inundações na Tailândia e do oportunismo que estas situações sempre geram. Os discos estão caros? Eu dou uma ajuda, meto-lhe mais uma taxa em cima.

Precisa-se urgentemente de um afinador de pianos...

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