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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

09
Fev12

Nem à batalha naval...

salvoconduto

 

 

São uns desmancha-prazeres, pretendem a todo o custo retirar a Aguiar Branco os seus momentos de glória. O intrépido guerrilheiro que se imagina a comandar as tropas por terra mar e ar, levando como background inúmeras batalhas navais travadas com os seus pares da jota de São Caetano à Lapa, vê-se impedido de dar asas à sua imaginação e quando assim é temos que estar solidários com aqueles que são impedi-dos de sonhar. Foi esse o espírito com que comecei a ouvi-lo esta noite frente a Ana Lourenço, na Sic-not.

 

É certo que se baldou à tropa, mas caramba há sempre tempo para nos imaginarmos de sabre ou espingarda na mão combatendo o inimigo. Logo ele que de pequenino sempre disse que queria ser general contrariamente aos seus amigos que se limitavam a querer ser apenas soldados, polícias ou bombeiros. Esteve mesmo a ingressar na academia militar mas em boa hora foi dissuadido que aquilo não era arte de gerar retorno imediato em notas, daquelas com se compram os melões, mas foi sempre algo que calou bem fundo no seu coração, "ainda um dia hei-de ser general", não cansava de o dizer aos amigos mais próximos, enchendo o peito imagi-nando-o pejado de reluzentes medalhas.

 

Até que tudo se conjugou, os astros alinharam-se todos, como de uma parada se tratasse, abriram alas nomeando-o ministro da defesa. Um general entre generais, o sonho tornado realidade.

 

Mas há quem lhe queira roubar o sonho perseguido desde criança, quem o queira impedir de travar as batalhas há muito imaginadas.

 

Apontam-lhe o dedo e lembram-lhe que um general tem que ser solidário com as suas tropas, ameaçam fazer-lhe a vida num inferno, logo agora que julgava estar no céu. "Quais oficiais, quais sargentos, quais praças, então não sou eu o general?" Esbracejava ele frente a Ana Lourenço não se cansando de citar parágrafos de uma carta todos traçadinhos a laranja que uma Associação de Oficiais tivera a ousadia de lhe dirigir. Sacrifícios? Esgrimia, um militar que é valente morre pela pátria! Debaixo do meu comando todos morrerão! (esta aqui não tenho bem a certeza se foi exactamente assim, mas bem vistas as coisas vai dar ao mesmo).

 

Sacrifícios? Voltava ele, a Ana não está a fazer sacrifícios? Tou, balbuciou a Ana, não muito certa da sua resposta. E não é funcionária pública, pois não? Carregou Aguiar Branco. Não... Balbuciou outra vez a Ana. Esperei uns segundos, a Ana não acrescentou mais nada, aqui não tive mais pachorra e mandei o general à merda, a minha guerra é outra.

 

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