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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

08
Mar12

Quando a agulha deixa de apontar o Norte geográfico...

salvoconduto

 

 

Sabendo à partida que o que aqui vou escrever terá leituras diferentes, whatever, não quero deixar de aflorar um aspecto ainda não abordado nesta questão dos cortes e excepções de salários que agora faz correr ainda mais tinta por causa dos trabalhadores da TAP.

 

Desde já faz-me confusão por um lado a forma como é dada a notícia de que "ali não haverá cortes nos salários", há e não são poucos, dois meses de salários correspondentes aos subsídios de férias e de Natal, por outro lado o facto dos que se dizem ofendidos estarem mais preocupados com o que deixa de sair dos bolsos dos trabalhadores da TAP do que com o que sai ou não dos próprios bolsos. Podendo com o bem dos outros o que nos deveria preocupar seria o nosso mal mas nem sempre assim parece ser, daí que não dê para esse peditório de virgens ofendidas que assentaram arraiais nas tvs, jornais, autocarros e cafés.

 

Dizia eu que há um pormenor que merece ser abordado. Se o dinheiro dos cortes nos salários dos trabalhadores da TAP não vai para o Orçamento de Estado e fica na empresa, se esta será segundo dizem privatizada nos próximos meses a quem beneficia realmente a diminuição dos salários ali praticada? Objectivamente, e só, aos futuros accionistas.

 

Ou estarão a pensar que ali todos os trabalhadores serão despedidos, que se estabelecerá uma nova tabela salarial? O que acontecerá é que independentemente da dimensão que a TAP venha a ter a tabela salarial será a que estiver em vigor à data da privatização. Alterações posteriores acontecerão por certo mas em sede de contratação que a bagunça dos cortes salariais decididos pelo governo não abrange o sector privado. Daí que volte à minha, no caso da TAP, os cortes nos salários objectivamente vão servir, às mil maravilhas, os futuros donos.

 

Não deixo de assinalar que me espanta o alarido em torno desta questão já que quando o governo decretou que os administradores da TAP e de algumas outras empresas públicas não seriam abrangidos pelos cortes as virgens não se manifestaram, quando a "excepção" chegou aos trabalha-dores caiu o Carmo e a Trindade, tendo os protestos curiosamente sido também encabeçados por outros trabalhadores que não conseguindo atinar onde está o essencial do problema descarregam a sua ira sobre quem vende a sua força de trabalho na TAP.

 

Assim não dá nem vamos a lado nenhum, pior ainda, isto não é novo. José Sócrates iniciou o seu malfadado governo virando trabalhadores contra trabalhadores, paradigmático o caso dos professores, a que não escaparam outros sectores profissionais. Passos recupera o que de mau a ideia teve, aplica-a na justa medida dos seus interesses governativos, vira privados contra públicos, o pagode lança foguetes, apanha as canas e com uma delas ainda fumegante coloca-se à frente da banda.

 

Eu sei, eu sei que haverá alguns entre vós que estarão com vontade de escrever na caixa de comentários que "quem não se sente não é filho de boa gente", tudo bem, sintam-se, manifestem o vosso descontentamento, virem é a agulha para a origem do problema e lembrem-se que essa gente não dá ponto sem nó.

 

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