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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

11
Set08

A 35 anos do golpe de estado

salvoconduto

O 11 de Setembro de 1973 é um acontecimento traumático para uma grande maioria dos chilenos e para o mundo em geral, cujas consequências devemos viver quotidianamente. O Golpe de Estado ocorrido há já mais de três décadas não é um acontecimento histórico sepultado no passado. Pelo contrário, o presente económico, político e cultural do Chile actual não se explica senão por aquela data.

A ditadura militar desenhou a matriz da qual emerge o Chile de hoje. Um modo particular de organizar a economia, o neoliberalismo. Uma maneira de administrar a política, uma democracia de baixa intensidade. Um tipo de cultura adversa de toda forma colectivista ou associativa, o individualismo. Este molde continua vigente em todas e a cada uma das suas partes.

O sentido último do golpe militar do Chile foi, salvaguardar a “tradição e a ordem da nação”. Isto é, como afirmou o próprio Pinochet: salvar a vida e a fortuna das elites dirigentes que se sentiram ameaçadas nos seus privilégios.

Como num filme de terror, o amnésico Chile de hoje volta o seu olhar para as luminosas vitrinas do consumo sumptuário, para os rutilantes ecrãs de plasma, enquanto no pátio se desenterram ossadas de algum vizinho ou parente. São os mortos silenciados por esta história macabra que todavia persiste, obstinada, em ocultar cadáveres no roupeiro.

A verdadeira traição ao Chile é ter impedido que, pela primeira vez, aquele homem e aquela mulher humildes, tivessem começado a construir a sua própria dignidade nos seus filhos, e nos filhos dos seus filhos.
Augusto Pinochet Ugarte, foi a mão tirânica que interrompeu a maravilhosa cadeia da vida. Como Caín, o general assassinou os seus irmãos, ofendendo o espírito que bate no fundo da história humana. As suas obras, a sua herança lamentável já a conhecemos: gerações de chilenos condenados ao inferno da ignorância, a pobreza, o luto e a indignidade. No Chile do presente não há paz para os mortos como tão pouco a há para os vivos.

Mas para lá das cumplicidades da mentira para ocultar a natureza daquela tragédia; por muito que se esforcem alguns falsos profetas em exorcizar as cinzas, ensinando a resignação; e para lá dos demagogos de última hora que administram hoje o palácio: há um povo silencioso e paciente que encarna o advento histórico de um outro mundo.

 

Fonte: Arena Pública

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