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Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

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Salvo-conduto

09
Mar13

As exéquias continuam, o rosário também

salvoconduto

 

 

Interminável o velório de Hugo Chavez, um após outro, a fina flor dos comentadores e politólogos nacionais desfila nos três canais generalistas por cabo, invariavelmente o mesmo discurso, a mesma análise, o mesmo ódio, o mesmo preconceito. Logo à cabeça a acusação de falta de liberda-de de expressão e controlo da comunicação social curiosamente num país em que a esmagadora maioria dos órgãos de comunicação social estão nas mãos do sector privado ligado e afinado com os tempo e modo das ditaduras, do colono espanhol e norte-americano. Uns após os outros destilam o mesmo fel sem se darem conta que por trás vão passando as imagens de centenas e centenas de milhares de pessoas que querem prestar a última homenagem a Hugo Chavez, o ditador que "contra" eles governou...

 

Falta de liberdade de expressão, controlo dos meios de comunicação social? Lá ou cá? É que até agora não vi nesses canais um único analista fora do espectro dominante.

 

Governar contra o povo? Lá ou cá? Enquanto por aqui se atiram, com desprezo, as pessoas para a pobreza a Venezuela de Chavez passou de 62% de cidadãos que viviam abaixo do limiar de pobreza para 31% de venezuelanos pobres, contas de 2011.

 

A governação foi um desastre? Cá ou lá onde a riqueza per capita subiu de 3.257 dólares para 10.809?

 

Uma terra de miséria? Cá ou lá onde o PIB, quase quadruplicou de 82 mil milhões de euros em 2003 para os 316 mil milhões em 2011.

 

Aos mais apressados em juízos primários desde já aviso que estes números não são meus, são do Banco Mundial.


É um completo rosário de críticas, onde só vêem o desastre a ONU consegue ver no Índice de desenvolvimento Humano, por ela compilado, e que agrega indicadores económicos, sociais, educacionais e sanitários na Venezuela passar de um valor de 0.656 em 2000 para 0.735 em 2011 o que a torna no 73º país mais desenvolvido do mundo, bem à frente de nações como o Brasil ou a Turquia.

 

A dívida externa aumentou, apontam com o dedo hirto mas trémulo, ironicamente longe, bem longe da dívida do país onde se fazem estas tortuosas críticas e longe também de outras nações petrolíferas que viram igualmente baixar o preço do petróleo como a Arábia Saudita um dos seus países de referência e sempre a salvo de qualquer crítica.


As forças que têm governado aquele país, sentenciam, são um fracasso político, dito por gente assim tão erudita torna o fracasso maior, ora toma. Porém a crítica que me fica mais no ouvido é o facto de "parte dos proveitos do petróleo ser delapidado (sic) em políticas sociais com os mais pobres". Heresia pois claro, os lucros do petróleo deixaram de correr para os bolsos dos mesmos de sempre que, verdade seja reconhecida, atiravam umas migalhas aos láparos que lhe limpavam o traseiro nos órgãos de comunicação social. Cegos, não conseguem compreender porque se junta aquele mar de gente no funeral de Hugo Rafael Chavez Frias. Cegos, não conseguem entender por que foi o projecto de sociedade que defendem sistematicamente derrotado nas urnas por Hugo Chavez.

 

A Venezuela até poderá dar alguma cambalhota nos tempos mais próximos mas lembrem-se de uma coisa, existe um vasto sector que acedeu pela primeira vez ao direito à escolaridade e à educação, esses por certo terão uma palavra a dizer no futuro da Venezuela, estão a aprender a ler, a escrever, a formarem-se, demasiado tarde para lhes retirarem esse direito, o tempo do obscurantismo está decididamente a ficar para trás, a liberdade está a passar por ali.

 

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