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Salvo-conduto

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04
Out08

Escândalo humano e ambiental

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Na praia de Chittagong, no sudeste do Bangladesh, as crianças desmantelam à mão as carcaças de navios impregnados de resíduos tóxicos. Sem qualquer protecção, os pés quase sempre descalços no meio de dejectos poluídos que, em grande parte, voltam para o mar.  O trabalho das crianças, interdito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), faz-se aqui nas piores condições.

Um relatório sobre estes estaleiros que destroem a infância, da Federação Internacional dos Direitos do Homem (FIDH), publicado no dia 16 de Setembro, denuncia esta situação que perdura há anos, sob o olhar conivente do governo. Escândalo humano e ambiental, Chittagong é o primeiro estaleiro no mundo no desmantelamento de navios em fim de vida. O desprezo das normas sociais e ambientais pelos empresários do sector atraem os proprietários de navios que a, 1.000 euros a tonelada, vendem aqui as carcaças por duas vezes o preço que conseguiriam, porexemplo, na China.

Os empresários que não têm que suportar nenhuma despesa com o tratamento de detritos antes de reciclar o aço e que remuneram miseravelmente os trabalhadores podem pagar desta forma mais caro pelas as carcaças.

É a negação do princípio do poluidor-pagador e das regras instituídas a nível internacional pela Convenção de Basileia, que obriga todo o proprietário de navios a assumir os custos de despoluição antes deles se desembaraçarem num país em vias de desenvolvimento.

Em Chittagong, paga-se para recuperar o aço poluído, que será de seguida escoado no mercado interno. Um terço do aço utilizado pela indústria local provém de Chittagong, que num país tão pobre, procura uma fonte de fornecimento mais barata do que no mercado mundial. O relatório estima que 20% da mão de obra de Chittagong é composta por menores de 15 anos. Na maior parte trata-se de migrantes vindos do norte do país, que deixaram as suas aldeias e que tentam assegurar o regresso ao seio da família.

Os múltiplos testemunhos recolhidos põem em evidência as doenças com que são confrontadas estes milhares de crianças pelo contacto com matérias tóxicas como o amianto, os policloretos ou os resíduos de petróleo. No interior das carcaças, são vítimas de desmaios recorrentes ligados com a inalação de gás e de fumos.

Em Chittagong, não se passa um dia sem que um trabalhador caia doente, se fira ou até morra. É ultrajante que a União Europeia, donde provém a maioria dos navios a desmantelar, condescenda com tanta facilidade nas convenções internacionais.

Os países ocidentais têm sempre cuidado em distribuir o mal pelas aldeias, o lixo  electrónico para o Ghana, os testes farmacêuticos na Índia, os restos dos navios no Bangaladesh e aí por diante...

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