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Salvo-conduto

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22
Out08

China Keitetsi, a menina soldado

salvoconduto

Alguém lhe disse que "o melhor medicamento para curar a alma é falares e escreveres sobre o que te aconteceu" e China Keitetsi fez do conselho o seu objectivo de vida. Como terapia, no seu primeiro livro relatou a sua fuga dos maus tratos paternos para terminar com nove anos na guerrilha de Yoweri Museveni, actual presidente de Uganda.

Depois de quase uma década como menina soldado conseguiu escapar e refugiar-se na Dinamarca, com a ajuda das Nações Unidas na África do Sul.

Agora, com 32 anos, conta a sua história em conferências e debates para que se conheça a terrível situação de milhares de meninos e meninas que perderam a sua infância e inclusive a vida no campo de batalha. "Agora só penso em ajudar outros meninos soldados que não são tão afortunados como eu", assegura. Esta luta mereceu-lhe mais do que um reconhecimento, como o galardão pela trajectória pessoal da UNICEF que recebeu em Madrid.

Depois de dez anos separada dos filhos, recuperou-os e começou uma nova vida com eles na Europa. "Os meu filhos dão-me a energia para viver e para querer viver", confessa a jovem mãe. Mas o caminho não foi fácil. Todavia hoje, uma década depois, está a recuperar-se e a aprender a confiar em si mesma.

Aos meninos soldado obrigam-nos a cometer crimes e ensinam-nos a depreciar os demais. Essa experiência muda-os para sempre e faz que se lhes torne muito complicado relacionar-se com outras pessoas com normalidade. Para China Keitetsi, o mais duro foi voltar a confiar nas pessoas e "aprender a amar ou aceitar ser amada". Perdoar tudo o que sofri é quase impossível, afirma emocionada, porque "o que te fizeram sente-lo para o resto da vida. Mas se não perdoas tornas-te amarga e não podes fazer nada".

Em Junho de 2008 abriu uma casa de acolhimento para meninos soldado e filhos de meninas soldado no Ruanda. Ali não só encontram um lugar onde se sentem seguros, também os formam e ajudam a reintegrar-se na sociedade. Para estas crianças é muito difícil concentrar-se, o passado atormenta-os e é demasiado tarde para ir à escola. Neste centro ensinam-lhes jardinagem ou a fazer artesanato entre outras coisas.

China está convencida de que não existe nada que possa fazer justiça a tanta dor como sofre um menino soldado. Sentar-me com eles, com os militares, que escutassem tudo o que me fizeram padecer e que depois me pedissem perdão", explica, seria a única coisa que poderia acalmar o meu coração. Quando a justiça não cura as feridas, "só resta a reconciliação.

A sua luta activista permitiu-lhes estar em contacto com crianças e jovens de toda Europa. Na sua página na internet recebe mensagens de crianças que lhe dão ânimo para refazer a sua vida, explica com um sorriso. Também observou que muitos menores que não apreciam os pais nem todas as possibilidades que lhes brinda o futuro só por terem nascido num país rico. "Ninguém pode querer-te mais que os teus pais", exclama China que não desfrutou desse amor.

Esse contraste entre o que ela não teve e o que muitos jovens não apreciam talvez seja o argumento do seu próximo livro. De momento continuará a trabalhar contra o abuso dos meninos soldados e a sua batalha pessoal para formar uma família feliz com os seu filhos adolescentes.

E há gente que se queixa tanto...

 

Fonte: El País

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