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Salvo-conduto

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Salvo-conduto

19
Dez08

Condenado a prisão perpétua o líder do genocídio no Ruanda

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O Tribunal Internacional da ONU que julga o genocídio do Ruanda condenou o ex-coronel ruandês Theoneste Bagosora por orquestrar a matança de cerca de um milhão de tutsis e hutus moderados 1994. Bagosora foi declarado culpado de crimes contra a humanidade e de guerra e condenado a cadeia perpétua.

Trata-se da primeira condenação emitida pelo Tribunal Internacional para Ruanda contra alguns dos responsáveis do genocídio.

Segundo a acusação, Bagosora, de 67 anos, estava à frente das tropas ruandesas e das milícias hutu Interahamwe, que perpetraram uma das piores matanças da história da humanidade: Em apenas três meses, acabaram com a vida, com métodos tão selvagens como a catanada, de cerca de 1.000.000 de pessoas, principalmente tutsis, mas também hutus moderados.

Na acusação do tribunal, lê-se que Bagosora, detido em 1996, e outros três altos cargos militares conspiraram para desenhar um plano destinado a exterminar a população civil tutsi e membros da oposição. Para isso, puseram de pé as temíveis milícias Interahamwe, formadas por hutus extremistas, que foram as que levaram a cabo grande parte das matanças.

A crise que desembocou no genocídio ruandês começou a construir-se em 6 de Abril de 1994, Quando O presidente ruandês, o hutu moderado Juvenal Habyarimana, foi assassinado, o seu avião foi derrubado. Bagosora, então director de gabinete no Ministério ruandês da Defesa, assumiu o controlo dos assuntos políticos e militares, desencadeando a ira contra os tutsis e hutus que não estavam com ele. Foram  ao redor de 100 dias em que numa orgia de violência se tirou a vida de 1.000.000 tutsis, a etnia minoritária do país, e hutus moderados, ante a inoperância das tropas da ONU sedeadas no país.

Não obstante, o plano exterminador, segundo se lê no pleito de acusações, começou em 1990, quando Bagosora idealizou "o apocalipse" contra os tutsis. No ano seguinte, fez circular nos quartéis um documento no qual qualificava os tutsis como "o principal inimigo".

Durante o julgamento, no qual depuseram 242 testemunhas durante 409 dias, o chefe das tropas de paz da ONU ali deslocadas, o general canadiano Romeo Dallaire, qualificou Bagosora como o "cabecilha" por detrás do genocídio e que inclusive chegou a ameaçá-lo de morte apontando-lhe uma pistola.

Apesar do que ocorreu em 1994, o genocídio ruandês ainda permanece na região. Muitos das milícias hutus fugiram para a vizinha República Democrática do Congo . Há ali agora uma milícia tutsi, rebelada contra o governo congolês, que, entre outras coisas, se nega a depor as armas pela presença desses hutus extremistas. A fronteira entre o Congo e o Ruanda é uma das zonas mais conflituosas do planeta e os conflitos, que já causaram cerca de cinco milhões de mortos desde 1994, causam também centenas de milhares de deslocados e refugiados. Só este ano, mais de 300.000 pessoas abandonaram os seus lares pelos conflitos no Congo.

Mas será Bagorosa o único culpado? A França "estava ao corrente dos preparativos" do genocídio ruandês, "participou nas principais iniciativas" no início da sua marcha e "na sua execução". Das investigações do governo ruandês, conclui-se também que o exército francês treinou as tropas da etnia maioritária, os hutus. Inclusive se  assinalava que havia soldados franceses implicados no massacre.

Não é suficiente que dez anos depois do conflito, as Nações Unidas celebrassem em Nova York uma conferência em memória das vítimas na qual o então Secretário General, Kofi Annan, pronunciou uma 'mea culpa' pessoal e em nome da Onu.

Muitos outros tribunais teriam de ser constituídos e muitos personagens, como por exemplo, os dois a quem dediquei os dois posts anteriores ali se sentassem também

Enquanto tal não suceder o conflito manter-se-á, a partilha mun-dial pelos recursos do Ruanda e do Congo continuará.

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