Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Salvo-conduto

A erva daninha cresce todos os dias

A erva daninha cresce todos os dias

Salvo-conduto

02
Mar09

Escravatura II

salvoconduto

Centenas de cambojanos são escravizados todos os anos depois serem vendidos a barcos de pesca tailandeses, nos quais trabalham sem salário, às vezes durante anos, constantemente ameaçados de morte por parte dos seus exploradores. A maioria das vítimas procede das zonas rurais mais pobres, e cai nas redes de tráfico ao acreditarem em promessas de trabalho remunerado como operários na construção ou nas fábricas da Tailândia.

O pesadelo começa quando os traficantes ficam com os seus passaportes e quando cruzam ilegalmente a fronteira para serem levados para portos tailandeses, onde são embarcados à força nos pesqueiros que pescam nas águas do Mar da China Meridional e que evitam atracar na Tailândia durante meses ou anos.

Deixo-vos aqui o caso de Matysa, um dos 17 cambojanos resgatados em Dezembro passado dum calabouço para imigrantes ilegais no estado malaio de Sarawak, na ilha do Bornéu, que ilustra a desventurada odisseia por que passam as vítimas desta forma de escravatura denunciada pelas Nações Unidas e organizações comprometidas com a defesa dos Direitos Humanos.

Matysa, de 28 anos, tal como outros cambojanos, ficou à mercê das máfias ao aceitar a tentadora oferta de ganhar 6.000 bats (cerca de 110 euros) que lhe fez um vizinho do bairro de Phnom Penh no qual residia.

"Cruzei a fronteira e ali me meteram num carro que me levou directo a uma pensão em Pattani (sul da Tailândia).

Não me deixaram sair da habitação até ao dia em que embarquei. Um capitão tinha-me comprado", relatou.

Já no pesqueiro, Matysa encontrou nove cambojanos que tinham embarcado noutro porto, a uns 50 quilómetros ao sul de Bangkok. "O capitão disse que não sairíamos do barco durante dois anos e que só receberíamos no fim desse tempo", recordou.

Durante vários meses, a tripulação cambojana foi obrigada a trabalhar sem descanso mesmo quando ficavam doentes. 
Por vezes, eram chicoteados ou ameaçados pelo capitão, armado com uma pistola e um machete.

"As condições são deliberadamente muito duras porque muitos patrões, que andam sempre armados, preferem que os pescadores escapem e assim evitar pagar-lhes seja o que for", explicou Manfred Hornung, consultor da Licadho, um dos grupos humanitários que combate esta praga.

A Licadho, que investiga estes delitos, dispõe de testemunhas que asseguram ter visto matar a tiro cambojanos a bordo dos pesqueiros e atirar os cadáveres pela borda fora no alto mar depois de se terem queixado do trabalho.

Depois de três meses cativo, Matysa viu a oportunidade de escapar quando o seu barco atracou no porto de Tanjung Manis, no estado malaio de Sarawak. Mas o seu pesadelo não acabou. Depois de fugir do barco, foi contratado para trabalhar numa plantação e extracção de óleo de palma, do Bornéu, "Davam-nos só arroz e hortaliças. Quando perguntei pelo meu salário, disseram-me que eu tinha sido vendido à plantação, que o capataz tinha pago para comprar-me", explicou Matysa.

Meses depois, escapou da exploração agrícola e, depois vaguear vários dias, foi detido pela Polícia e encarcerado por entrar ilegalmente na Malásia.

Há dois meses, Matysa foi repatriado para o Camboja, onde sobrevive graças à venda dos peixes que pesca diariamente no rio. Pobre mas livre.

 

Fonte: El Mundo

Comentar:

CorretorMais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D