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23
Mar09

Também na Guatemala

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Chegou a vez da Guatemala ajustar contas com o seu passado ao serem publicados recentemente documentos norte-americanos que foram agora desclassificados e através dos quais se fica a conhecer, entre muitos outros, o desaparecimento de Edgar Fernando Garcia, líder estudantil e activista sindical capturado por forças de segurança guatemaltecas em 1984. Os documentos mostram que a captura de Garcia foi um sequestro político bem organizado e orquestrado ao mais alto nível do governo guatemalteco.

Este documentos permitiram a prisão, no dia cinco deste mês, de Hector Roderico Ramírez Rios, um oficial de alta patente da polícia em Quetzaltenango, e no dia 6 do polícia reformado Abraham Lancerio Gomez, como estando ligados ao sequestro de Garcia. Foram emitidas ordens de prisão para mais dois implicados, Hugo Rolando Gomez Osorio e Alfonso Guillermo de Leon Marroquín. Ambos ex-oficiais da famigerada Brigada de Operações Especiais (BROE) da Polícia Nacional, uma unidade ligada a actividades dos esquadrões da morte durante os anos 80.

O desaparecimento de Fernando Garcia forma parte de uma campanha de terror de Estado concebida para destruir os movimentos sociais urbanos e rurais durante os anos 80.  Em 18 de Fevereiro de 1984, o jovem líder estudantil foi capturado junto de um mercado perto de sua casa na cidade de Guatemala. Nunca mais foi visto.

Embora testemunhas assinalassem a participação da polícia, o governo, sob o comando do então chefe de estado Oscar Humberto Mejia Victores, sempre negou qualquer participação no sequestro. De acordo com o relatório emitido pela Comissão de Esclarecimento Histórico em 1999, Garcia é um dos 40.000 civis que desapareceram às mãos de agentes do Estado durante os 36 anos do conflito civil na Guatemala.

Os documentos norte-americanos também fazem uma cronologia dos acontecimentos em que se viram envolvidos os membros do GAM, Grupo de Apoio Mútuo, que se converteram no alvo da violência governamental.

Os membros do GAM sofreram o pior período de violência durante a Semana Santa de 1985, começando com o sequestro de um dos seus dirigentes, Hector Gomez Calito, cujo corpo torturado e mutilado foi encontrado em 30 de Março de 1985.

De acordo com uma fonte de informação da embaixada dos Estados Unidos, agentes do Departamento de Investigações Técnicas (DIT) da Polícia Nacional tinham estado a recolher informação sobre Gomez nos dias anteriores ao seu sequestro. Duas semanas antes do seu desaparecimento, o chefe de estado, Oscar Mejia Victores, acusou publicamente os membros do GAM de serem manipulados pelas guerrilhas e questionou as suas fontes de financiamento.

Depois do assassinato de Gomez Calito, Rosario Godoy de Cuevas, co-fundadora do GAM e viúva do desaparecido líder estudantil Carlos Ernesto Cuevas Molina, foi encontrada morta no fundo de uma vala localizada a 2 quilómetros da cidade de Guatemala junto com o seu filho de 2 anos e do seu irmão de 21.

Enquanto o governo sustentava que as suas mortes tinham sido resultado de um acidente, informadores da embaixada negavam a versão oficial dos acontecimentos e asseguravam que Godoy tinha sido o alvo e que a sua morte era um homicídio premeditado. Observadores de direitos humanos que viram os corpos assinalaram que às vítimas tinham sido arrancadas as unhas.

A prisão destes oficiais da polícia na Guatemala é um passo sem precedentes na luta contra a impunidade e poderá significar que dentro em breve se poderá vir a conhecer melhor o período negro dos anos oitenta e os seus responsáveis. Assim continuem os esforços de investigação que estão a ser levados a cabo no arquivo da Polícia Nacional da Guatemala, têm lá pano para mangas.

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